O dia 6 de agosto de 1945 foi marcado por um evento que certamente não será esquecido pela humanidade. Essa foi a data do bombardeio da cidade japonesa de Hiroshima. O evento está sendo lembrado em várias matérias sobre o assunto dentre essas o NerdPai encontrou algo particularmente interessante: uma simulação que poderia ser usada didaticamente com os estudantes de hoje, 70 anos depois.

O Nukemap, criado por Alex Wellerstein simula o impacto da detonação de uma bomba nuclear onde você desejar, usando o Googlemaps. A simulação é complexa e além do local é possível escolher o tipo de bomba.  Desde um suposto artefato nuclear rudimentar feito por terroristas até a terrível Tsar Bomba, o mais poderoso explosivo nuclear produzido pelo homem, com uma potência de 500 megatons. Quando você lê 500 megatons não parece grande coisa, basicamente a mente de uma pessoa mediana lê: muito explosivo = explosão grande. Porém, quando você roda a simulação considerando essa bomba e entende que ela vai literalmente apagar toda a sua cidade da existência incluindo a maior parte das coisas que te importam o seu entendimento fica um tanto diferente. O argumento sai da simples e superficial discussão racional e temos outro tipo de impacto. E acho que essa era exatamente a idéia de quem modelou a simulação.

Com base nessa simulação acredito que seria possível planejar um exercício interessante em ambiente escolar. Um exercício interdisciplinar envolvendo ciências, história e língua portuguesa, especialmente redação.

Esquematizando o exercício seria algo como

  1. Contextualização, feita em cada disciplina
  2. Redação, composição simulando a explosão em sua cidade e onde o aluno deve descrever o impacto para ele e seus familiares.
Um exemplo no Nukemap aplicado à cidade de Zurique. fonte: www.robert.org

Um exemplo no Nukemap aplicado à cidade de Zurique. fonte: http://www.robert.org

A parte de contextualização seria dada por cada matéria considerando sua área. Eu começaria por história com o contexto das bombas nucleares no Japão, seu impacto, a corrida armamentista, a guerra fria e etc.  Em ciências se trabalharia os aspectos físicos da explosão. Provavelmente as equações que modelam a simulação são muito complexas, mas eventualmente um bom professor de matemática poderia imaginar uma ou duas boas situações de aprendizagem nesse contexto. Já em português poderiam ser apresentadas crônicas e poesias da época e posteriores relacionadas ao acontecimento, o que reforçaria o trabalho do professor de história. Se a participação da matéria de língua portuguesa parecer pequena não se iludam. Essa primeira parte serve para criar o esse envolvimento emocional dos alunos. E o português será essencial no exercício que virá depois para sintetizar o conteúdo.

Assim, os alunos já terão uma boa idéia do que significaram as bombas no japão em seus aspectos histórico, social, físico e até mesmo emocional. E aí entraríamos no exercício. Que começa como uma nova simulação, dessa vez considerando uma bomba como a que destruiu Hiroshima e como ponto de impacto (o ground zero) o centro da cidade onde está a escola num dia comum de aula por volta de 11 da manhã. A simulação mostraria os danos, estimativa de mortos e com isso seria possível calcular se ela atingiria a escola. A partir da estimativa produzida pela simulação os estudantes fariam uma análise do impacto do ponto de vista deles. Onde eles estariam? Onde estariam seus pais? Quem sobreviveria e quais os efeitos sobre eles. A partir desse relatório, que poderia ser feito como um exercício na aula de português os estudantes fariam uma redação descrevendo como seria uma explosão na sua cidade. Assim, no exercício de texto eles teriam não apenas a análise racional, mas também a dimensão afetiva do que um evento terrível como esse significa. Um adendo poderia ser incluir outras opções como o artefato terrorista ou a Tsar Bomba, como variações.

Eu fiz esse exercício apenas mentalmente e foi tão mórbido quanto didático. Não é nada legal imaginar as pessoas que você gosta sendo vaporizadas, queimando ou sofrendo uma morte lenta e agonizante por radiação. Seria algo parecido com o que propus na resenha do jogo This War of Mine. Se algum professor resolver tentar essa idéia me conte como foi (citar a fonte também seria legal e correto). Eu adoraria ver os resultados com estudantes de final do fundamental ou nível médio.

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