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O SBT Brasília publicou uma matéria sobre o trabalho dos voluntários da Abrace (Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias), oferecendo uma perspectiva mais ampla do trabalho que é feito pela entidade que eu já citei por aqui em outras ocasiões. Com destaque para o que nos motiva e o impacto do nosso trabalho junto aos pacientes e pais. Agradeço especialmente ao SBT pelo que suponho ser o foco em interessar mais pessoas em fazer trabalho voluntário (isso vale para você, leitor). Afinal, quanto mais gente fizer, melhor será para a sociedade.

Para mim foi interessante para apresentar a pequena parte que me cabe nesse latifúndio incrivelmente produtivo chamado Abrace. E me reforçou o desejo de fazer teatro ou, pelo menos, um pequeno media training.

Estou trabalhando com eles há alguns anos e ainda me surpreendo com o profissionalismo, foco e eficiência da Abrace e a recomendo para qualquer interessado pelo voluntariado. É impressionante o que um grupo de pais de crianças portadores de doenças foi capaz de fazer. Porque ter uma estrutura eficaz te apoiando faz toda a diferença. É o que fez uma entidade assistencial fazer parte de um dos melhores hospitais que já vi na minha vida e ter orgulho das poucas horas que dedico a esse trabalho. Mesmo que eu pegue a parte divertida, ainda é um trabalho, um compromisso e também têm seus momentos pesados, mas vale a pena e meus colegas voluntários souberam descrever isso muito bem. Trabalhar para ganhar um bom salário é algo bom e necessário, mas existe um retorno em fazer algo que te dá sentido que é incomensurável.

A matéria saiu no SBT Brasília no dia 29/12/16 e está disponível 
(acessada em 18/01/17).

Agradecimentos em especial à equipe de imprensa do Hospital por me arranjar o link tão rápido.

Uma coisa que me chama a atenção por aqui é a infinidade e variedade de grupos voluntários. Há sociedades em empreendedorismo, cultura, religião, ateísmo, literatura, teatro e várias outras. É possivel se ocupar a semana com uma infinidade de palestras e outros tipos de evento. No domingo, por exemplo assisti a uma apresentação de teatro amador em que fizeram um musical.

Não que não exista disso no Brasil, mas aqui parece haver com mais intensidade, as pessoas são incentivadas a se agrupar e organizar desde muito cedo. A idéia de empreendedorismo de que se deve assumir riscos é muito incentivada. Seja com os grupos de teatro do colégio ou a montagem de uma conferência como vou ter de fazer. Até mesmo os grupos de caridade são geridos numa abordagem mais empresarial, como as diversas instituições de caridade que funcionam como brechós ou outros estabelecimentos comerciais.

Tanto que acho interessante nós brasileiros dizermos que eles são os individualistas, por aqui trabalham em equipe até voluntariamente. A maioria das pessoas que conheço no Brasil simplesmente não vê razão para fazer algo que não tenha haver com ganhar dinheiro ou que não tenha algum retorno direto.

Das vantagens desse incentivo ao empreendedor. Vejo que as pessoas tendem a querer se virar sozinhas, sem esperar apoio externo, mesmo socialmente os benefícios são visíveis. Ter um negócio e falir no Brasil é visto como uma humilhação, aqui é uma eventualidade. O que conta é sua capacidade de se levantar. Isso ajuda a criar uma sociedade mais descentralizada e principalmente menos vertical. Aqui não há apenas desconfiança em relação ao governo, mas a qualquer organização que seja grande demais. Uma grande infinidade de pequenas empresas é mais benquista que uma oligarquia de mega-multinacionais.

Como eu ouvi dizer, Paris é uma senhora velha e poderosa. Não escapando do clichê, é uma cidade singular. As ruas do centro tem mais aparência de castelo que Londres, e os amplos espaços oferecem um tipo diferente de majestade. Em alguns momentos chega a ser algo exagerado em suas estátuas de bronze misturadas ao dourado,  ou ao tamanho simplesmente imenso de suas construções, sejam palácios ou museus. Os amplos espaços me fazem pensar de onde saiu a inspiração de Niemeyer e Lúcio Costa e agora vejo algo de francês em algumas concepções arquitetônicas brazilienses.

Se o Musee D´Orsay foi uma deliciosa batalha-maratona de um dia inteiro o Louvre é um gigante simplesmente invencível, não dá para se percorrê-lo em um dia. É um labirinto simplesmente grande demais. Paris foi uma cidade em que ao comentar com a Iana sobre estátuas e pinturas eu relembrei meu gosto e conhecimento sobre arte, relembrando as aulas de história da arte de uma UnB agora tão distante. Mostrar para ela as diferenças entre estátuas antigas, medievais e renascentistas foi uma diversão.E se os turistas de digladiam para ver a Mona Lisa, eu fui simplesmente derrubado pela grandeza de Delacroix. Não tem aula de arte que te prepare para ver o trabalho do sujeito, entre muitos outros.

Outro achado foi o Musee de L´Armee e seus imensos arsenais, com exércitos e armaduras que derrubam qualquer exibição da torre de Londres. Entre armaduras de vários tipos, épocas e culturas, saí mais novo desse museu.  E menor ao ver o imenso túmulo de Napoleão, descrevê-lo como imenso ou gigantesco não é uma definição justa. E se Londres foi uma capital de império é em Paris que está a tumba de um imperador.

Mais por sorte que habilidade consegui ficar novamente bem-localizado, o que significa que posso fazer a maioria dos trajetos interessantes a pé, o que me permite ver um pouquinho da cidade não turística. Os cafés são simpáticos ecreio que até o momento eu tenho tido uma imensa sorte com o famoso, e supostamente, funesto atendimento francês. Em contraste com as avenidas imensas também há simpáticas ruelas de dimensões quase medievais. Café com pequenas mesas e locais onde eu ficaria feliz em passar meus dias escrevendo. Realmente dá para entender porque o Paulo Coelho veio para a França, a cidade realmente é um ninho para autores, dos bons e dos péssimos.

Enfim, mais uma cidade que todo mundo tem de ir ao menos uma vez na vida, ainda que para se ver tudo sejam necessários meses e não apenas dias.

Estou fazendo por aqui algo que nunca imaginei que faria. Para conseguir que as pessoas entendam meu nome tenho pronunciado ele com sotaque inglês. Soa engraçado e até um tanto ridículo mas descobri que é uma solução eficiente para que as pessoas consigam lembrar do meu nome e pronúncia-lo de uma forma que eu seja capaz de entender que estão falando comigo.

Lembro do meu primeiro dia de aula quando eu e uma taiwanesa fomos apresentados. Ao falar “Renato” ela me olhou como se ouvisse um termo absolutamente alienígena e impronúnciavel. O que, considerada a lógica de pronúcia dela, não deixa de ser verdade. Ela olhou, repetiu insegura “Anatu?” e escreveu num inglês completamente errado, me mostrando para confirmar se era isso mesmo, e vi que era melhor jogar para meu nome para um campo mais comum entre nós, o inglês. Ao pronunciar meu nome com a elegância de um turista gringo no Rio de Janeiro os olhos da menina se iluminaram ela repetiu a versão com sotaque direitinho e conseguiu gravar o meu nome.

A minha surpresa foi quando ela se apresentou como “Lily” e pela minha cara de surpreso com um nome tão americano me explicou que esse era o seu nome ocidental. É comum chineses e taiwaneses adotarem nomes ocidentais para serem entendidos quando estão desse lado do mundo. Ela disse que dá muito trabalho explicar a pronúncia correta e quase ninguém acerta, então eles escolhem nomes mais lembráveis por nós. O resultado é que colegas de sala que atendem por “Annie”, “Lilie”, “Cloris” ou “Beatrice” só tem esse nome fora de casa ou da rodinha de conterrâneos. É interessante como a cultura que normalmente nos apóia torna-nos estranhos aos olhos do outro, recíproca verdadeira.

Nada tão surpreendente numa geração que consagra apelidos de internet em vez de nomes verdadeiros. De fato, qual será o nome mais verdadeiro, o dado pelos pais ou o escolhido pelo indivíduo?

sala de hogwarts

Reparem na quantidade de quinquilharia em cima das mesas e nas paredes

Desde a primeira vez que cheguei em Southampton uma coisa que me chamou a atenção foi como as salas são pequenas e cheias. Não de pessoas, mas de objetos, há prateleiras com livros, mapas, avisos, textos e definições espalhados pelas paredes e as mesas variam de duas a quatro pessoas. Confesso que achava que as salas de aula só eram assim e Hogwarts. Mais que isso, as salas me lembravam o jardim de infância!

Suponho que no jardim de infância a proposta é tornar o ambiente menos intimidador para a criança que está saindo do espaço familiar e se aventurando no espaço educacional. Além de usar o ambiente como um elemento motivador, estimulando a cognição do aluno e incentivando-o a interagir e experimentar.

A divisão da sala de aula no Reino Unido feita em grandes mesas, seja em duplas ou quartetos, também é interessante para facilitar o trabalho em grupo entre os alunos. Também percebi que os professores sempre que possível estimulam a participação e quando necessário encaixam o  intervalo quando seu próprio ritmo ou o da turma começam a cair, a hora de recreio é variável.

vai dizer que não é mais simpático? autoria: clique na imagem

Enfim, é um estilo bem diferente das impessoais e assépticas (ou nem tanto) salas brasileiras. Muitas são imensas, onde os alunos ficam anônimos e isolados em suas cadeiras individuais, assistindo passivamente ao professor em sua arquibanca, faltando até torcida para interagir com o professor.

O que me leva a pensar, que as melhores salas e aula do brasil ficaram distantes, no jardim de infância. Enquanto os britânicos levaram esse modelo até o mestrado. E olha que aqui nem temos tantas aulas, no sentido tradicional, assim.

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Versão inglesa: computadores, uns 3 quadros e livros no canto, mesmo vazia parece cheia.

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