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Uma referência ao livro “O Senhor das moscas” que me parece estranhamente adequada ao assunto.
fonte: A Taberna

Para um interessado por educação e jogos, entender a diferença entre a competição saudável e a nociva, também conhecida como guerra é algo essencial e, ao mesmo tempo, um enigma. O que leva um ato saudável a se transformar no desejo de destruir o outro? Entender esse processo é algo importante, afinal, isso acontece com uma certa frequência, qualquer leitor de jornal e usuário de redes sociais vê isso ocorrendo todo o dia.

Para mim é difícil entender esse processo de mudança: como atividades inicialmente pacíficas descambam para a guerra e porque isso acontece com uma certa facilidade?  Se tomarmos a internet como exemplo, a maioria das argumentações tem como objetivo produzir dano ou reafirmar uma posição, somente isso. E as brigas de torcida então? Como fatos ocorridos num campo de futebol, jogado por profissionais  se tornam o catalizador de violência que envolve multidões? Em que ponto uma discordância saudável ou um simples esporte se torna uma competição tão ferrenha que pessoas praticamente entram em conflitos  tribais?

Jogos, Debates e a tal da Guerra

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Propaganda anti-japonesa da segunda guerra mundial. Postura de primata, pele amarela, estuprador, arma mão, sorriso cruel e olhos estranhos. Uma forma de criar uma imagem desumana do inimigo.
fonte: Kid Bentinho

Para deixar as coisas mais claras é preciso diferenciar um pouco os conceitos. Eu gosto muito da definição do Rapoport em “Guerras, Jogos e Debates”.  Nos jogos um bom adversário e o respeito às regras são essenciais. Num jogo a vitória sobre um adversário fácil não tem brilho é justamente a dificuldade que torna a partida interessante, divertida e traz algum mérito. A mesma coisa acontece em debates, onde uma pessoa tenta convencer outra de sua posição. Ambas exigem astúcia, habilidade, inteligência, mas também a capacidade de entender a posição do adversário e seu pensamento. O que também levaria a ter empatia por esse e respeito à sua posição do adversário. Enquanto na guerra, o adversário é um obstáculo a ser destruído, o objetivo da guerra é causar dano, por qualquer modo possível, até a destruição do adversário. Nesse aspecto a guerra está sendo vista de seu ponto de vista essencial sem entrar no mérito das diversas variações do termo guerra. Também é preciso considerar que para se chegar à esse estado é preciso perder a empatia com o outro, desumanizar o inimigo é um dos atos padrão da propaganda de guerra.

O experimento de Sherif

Encontrei uma luz sobre o assunto em um artigo do Dr. Peter Gray  analisando um famoso experimento sobre conflitos e resolução de conflitos me ajudou a entender melhor como esse processo ocorre. Ele levantou algumas questões interessantes acerca dos aspectos saudáveis e os não tão saudáveis da competição. Uma preocupação importante para quem quer trabalhar com jogos e que já foi assunto por aqui anos atrás. E que vai ser apresentado abaixo parte tradução, parte como resenha descuidada.

O estudo foi realizado nos anos 50 em Oklahoma sendo possível por causa dos padrões de ética de pesquisa de época. Porque eu duvido que você deixaria seu filho participar desse experimento hoje em dia.  O estudo envolvia meninos de 11 e 12 anos que participariam de um acampamento de verão e seguiu três fases.

  1. dividir os garotos aleatóriamente em dois grupos distintos, dormindo em diferentes partes do campo, com atividades e músicas diferentes para que cada grupo desenvolvesse sua própria identidade de grupo.
  2. criar condições planejadas para induzir hostilidades entre os dois grupos. Os garotos não sabiam que participavam de um experimento, eles achavam que estavam participando de um acampamento normal

  3. uma vez que os grupos estivesse suficientemente hostis seria tentados vários métodos para reduzir a hostilidade.

Considerado um clássico, os resultados mostraram que a hostilidade poderia ser reduzida através do estabelecimento de objetivos comuns, desejados por ambos os grupos e que poderiam ser melhor obtidos através de cooperação. Por exemplo, os pesquisadores criaram uma falha no suprimento de água do campo. Para resolver essa crises os grupos aceitaram trabalhar em grupo e juntos exploraram a linha de água até encontrar o problema. Com essa e outras práticas as hostilidades entre os grupos foram reduzidas e no final já haviam várias amizades entre membros de grupos diferentes que surgiram de iniciativa deles.

Se o foco experimento original era pesquisar meios de reduzir a hostilidade o Dr. Gray faz uma proposta interessante ao olhar para o outro lado, os métodos utilizados para induzi-la, algo pouco discutido. Na verdade os procedimentos para isso foram razoavelmente simples. Quando os grupos foram divididos os participantes foram convidados a competir em um torneio que envolve uma série de jogos competitivos, com a equipe de adultos do campo atuando com juízes. Os vencedores recebiam prêmios e pontos eram marcados para seus grupos. E aí começam as hostilidades reais.

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Cena do filme “O Senhor das Moscas” agora o aspecto tribal ficou mais claro, não?

À medida que o torneio avançava os grupos se tornavam mais antagônicos. O fair play inicial logo começou a mudar para provocações, acusações de roubo nas partidas e roubo como retaliação. A hostilidade se espalhou pelo campo dentro e fora do torneio, e mesmo que o perfil dos garotos em ambos os grupos fosse parecido (brancos, protestantes e de classe média e eles tenham sido aleatoriamente eles passaram a ver os meninos do grupo oposto como gente muito diferente deles, essencialmente traidores sujos que mereciam uma lição. Brigas físicas ocorreram em diversas ocasiões, ataques ao alojamento do grupo adversário e alguns garotos começaram a se armar com pedras e se recusar a comer no mesmo refeitório que o outro grupo. E quando isso acontecia tensão e violência se tornavam bem prováveis, com o risco de brigas grupais no refeitório. O que começou como um torneio esportivo cada vez mais se tornava em algo parecido com duas tribos em guerra. E tudo criado por um torneio esportivo formal.

O Brincar

Agora, vamos deixar o experimento de lado e pensar com pouco sobre como garotos geralmente brincam. E onde o Dr. Gray aproveitou para diferenciar a brincadeira do esporte formal, com suas regras, prêmios e etc.

Muitas das brincadeiras de garotos envolvem batalhas, encenadas, claro. Em alguns casos essas batalhas acontecem puramente no reino da fantasia. Os meninos criam suas cenas de batalha, decidem quem vai fazer qual papel, quem é ferido, morre ou ressuscita. Algumas pessoas, que não entendem o brincar dos meninos ,confundem esse brincar com violência e tenta impedi-lo, especialmente quando a brincadeira é mais vigorosa, empolgada, ou pela maneira um tanto áspera e caótica como eles se comportam. Sim, às vezes é difícil diferenciar quando meninos estão brincando ou brigando. Mas não é necessariamente violência, é brincadeira. Deveríamos considerar esses garotos não como guerreiros, mas como pequenos atores de improviso. Eles estão usando a imaginação para criar e atuar em histórias dramáticas e emocionantes. Brincar desse modo é não competitivo e também não violento. Não há contagem de pontos, ninguém ganha ou perde, todos estão apenas atuando em seus papéis. Também não há equipes fixas em brincadeiras desse tipo. Se este tipo de brincadeira envolve exércitos de fantasia os participantes montam os exércitos de forma diferente para cada tipo de brincadeira. Brincadeiras desse tipo não criam inimigos, pelo contrário, elas cimentam amizades.

Um aspecto dessas batalhas de fantasia é a brincadeira informal, que é retirada em esportes como o futebol, basquete e cia. Aqueles que passamos a chamar de esportes, especialmente quando jogados de modo formal, com regras, campeonatos e etc. Esses esportes também podem ser vistos como batalhas de fantasia. Existem times, territórios a serem invadidos, defendidos e conquistas a serem feitas, tudo ritualizado por regras que definem o comportamento dos jogadores.  Por “brincar de forma informal” Gray considera que essas brincadeiras ou mesmo jogos informais são totalmente organizadas pelos seus participantes sem consequências fora do contexto da brincadeira. O que importa é a diversão de todos, até a organização é algo secundário. Não há troféus, prêmios, campeonatos ou placares. Os vencedores não terão fãs nem os perdedores serão depreciados. Essas brincadeiras de guerra podem ser denominadas competitivas mas na verdade seriam, quando muito, pseudo competitivas. Pode haver torcida ou mesmo um pouco de comemoração mas no final, ninguém se importa sobre quem ganhou. Os perdedores vão para casa tão felizes quanto os pretensos vencedores. Esses jogos também reforçam amizades e evitam criar inimigos.

Formal x Informal

Se os meninos do experimento tivessem participado de jogos informais, mesmo que fossem de basquete ou cabo de guerra dificilmente haveriam as hostilidades. Sem ganhos ou perdas determinados por autoridades externas os jogadores teriam se focado mais em se divertir do que vencer. Sem juízes adultos para separar vencedores de derrotados eles poderiam ter cooperado para estabelecer regras para seus jogos e julgar de forma consensual como elas funcionariam. Eles teriam que discutir e resolver suas diferenças. Roubo e provocações, se fossem longe demais destruiriam a diversão e a própria razão de ser da brincadeira. Assim, quem não estivesse se divertindo simplesmente sairia e assim o único jeito de manter a brincadeira acontecendo seria brincar de modo a garantir que o máximo de garotos se divertisse. E crianças sabem como fazer isso.

Uma experiência pessoal

Aqui, eu (o autor) atesto vi algo assim ocorrer ao observar à distância meu filho e seus colegas de escola brincando. Num certo momento meu filho ficou cansado e não conseguia mais correr atrás dos colegas. Eu já estava me preparando para entrar no meio e dar uma deixa para ele sair e descansar um pouco sem parecer que estava desistindo. Afinal eu sou um adulto competitivo, masculino, hétero, mais ou menos branco, o mal encarnado em forma de gente e no fundo não queria que meu filho desistisse de brincar. Mas, para minha surpresa, um de seus colegas simplesmente se aproximou e disse para ele: “Ok, você me pega e a gente continua”. E assim o novo pegador saiu correndo atrás dos outros e deu alguns segundos para meu filho recuperar o fôlego, sem interromper a brincadeira de todos. Eles arranjaram uma excelente solução e o objetivo deles de continuar brincando foi cumprido com muito mais fair play e eficiência que o adulto aqui, agindo no papel de lei, agente regulador ou Estado, poderia ter inventado.

Conclusão

Voltando ao Dr. Gray, ele acredita que como esses jogos informais acabam envolvendo mais cooperação, seria razoável supor que tais jogos teriam tornado os grupos mais próximos. Batalhas de fantasia e esportes informais são brincadeira pura e esse brincar cria amizades e não inimigos. Enquanto os esportes formais e seus torneios estão fora do que seria considerado brincar livre porque são controlados por entidades externas, nós adultos. E tais jogos têm consequências claras fora do contexto do jogo, o que altera totalmente a atitude dos jogadores.

Assim, os esportes formais ocupam um espaço entre a brincadeira e a realidade e, dependendo de uma vasta gama de fatores, um jogo formal se equilibra entre o real e o fantasioso. Quando esse equilíbrio se inclina demasiadamente para a realidade uma derrota torna-se uma derrota real e os derrotados passam a ver os competidores como inimigos reais. O estudo de Sherif aparentemente encontrou uma forma de transformar esportes formais em estopins para batalhas reais. Ter consciência desses gatilhos, especialmente de como evitá-los é algo importante para manter saudáveis quaisquer experiências de aprendizagem que envolvam algum tipo competição.

Bibliografia

Gray, P. (2009) A New Look at the Classic Robbers Cave Experiment: . (online) disponível em http//www.psychologytoday.com/blog/freedom-learn/200912/new-look-the-classic-robbers-cave-experiment (acesso janeiro/2017)

Rapoport, A. (1974) Fights, Games, and Debates. University of Michigan Press

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fonte: VisitBritain/Britain on View | Getty Images

Recentemente li no Linkedin uma matéria sobre a abertura de uma escola para clientes de altíssima renda que vai ser aberta em São Paulo. A escola é americana e vai para o Brasil depois do sucesso da Graded School em São Paulo. Para ilustrar os custos de uma escola desse tipo: a taxa de matrícula de é 40 mil reais e as mensalidades podem ser de até 8 mil reais. Sorry periferia. O foco da matéria não foi educação, mas o mercado de luxo. Então, o foco foi maior nas instalações, matérias oferecidas e objetivos. Não seria justo exigir muita coisa em termos de pedagogia.

Por um lado, acredito que as pessoas que podem bancar esse custo devem ter direito a escolher a escola que preferirem, diversidade de opções não é necessariamente um problema. E a existência de escolas de elite não é exatamente novidade, ainda mais num país desigual como o Brasil. Na verdade, há quem considere nossas universidade públicas e gratuitas bem elitistas, como esse artigo e esse outro. Mas esse já é assunto para outro tópico.

As armadilhas

Por outro lado, além do artigo sobre as caras instalações da escola, com direito à lagosta no almoço,  alguns bons comentários deram o que pensar. Um dos raros casos em que valeu a pena ler a parte de comentários, parabéns ao Linkedin. O primeiro foi esse do José Finocchio Jr que levanta uma questão pertinente.

“Visitei uma escola de elite em moema, não tinha um único estudante negro. UM. eu disse UM. Não sou comunista muito pelo contrário, mas esse isolacionismo nunca, nem por sonho formará lideres do mundo. Vai formar sim crianças mimadas que vivem numa bolha. Graças a Deus ainda não inventaram inteligência comprada, e o menino pobre …paupérrimo super inteligente detona todas essas crianças mimadas. Não existe maior estimulante intelectual que a dificuldade. (…)”

O fenômeno da ausência de negros que ele observou não é algo incomum e uma possibilidade provável no caso dessa nova escola em São Paulo ou qualquer outra de alta renda ou mesmo de classe média. Eu mesmo tenho uma conhecida que tirou os filhos de uma escola particular porque eles eram os dois únicos alunos negros da escola, o que rendeu os problemas esperados. O que não é nada mais que um reflexo do nosso triste quadro de desigualdade e mostra como a classe social não necessariamente os protege do racismo. Talvez até os deixe ainda mais expostos, por serem poucos em determinado ambiente ou por eventualmente aparentarem estar “fora de seu devido lugar” na visão de algum racista de plantão.

O que também mostra um outro risco desse “efeito bolha”. Além do racismo observado por Finnochio há o isolamento em um ambiente uniforme, com pouca diversidade e que pode eventualmente limitar as percepções de mundo dos estudantes. Fazendo com que eles achem que “todo mundo é como a gente”. Assim a escola se tornaria uma “enlatadora de crianças” de classe mundial que vai entregar alunos com ótimas notas no PISA, toneladas de conteúdo na cabeça mas eventualmente com pouca autonomia, criatividade e bagagem emocional e/ou cultural. Coisas que também são trazidas como consequência de lidar com as diferenças e geralmente obtida fora de ambientes assépticos e 100% seguros.

Nesse aspecto mesmo as caras faculdades de elite do mundo, como Havard ou Oxford, também são mares de diversidade, com gente de todo o mundo e bolsas para manter pessoas não tão abastadas, mas provavelmente muito inteligentes, que possam contribuir com a universidade e o ambiente acadêmico. É preciso lembrar que aprendizagem está mais ligada a interação com outros seres humanos do que com as instalações da escola ou o equipamento utilizado em sala de aula. A criatividade frequentemente vêm com o contato com diferentes visões de mundo. O que explica muito certas metrópoles cosmopolitas como Nova York, Londres ou Tóquio caraterizadas por sua diversidade.

As soluções

Por outro lado, apesar de considerar o efeito bolha um risco real. Também li um belíssimo contraponto em outro comentário, de Marcia Catherine Wright, sobre a formação dela numa escola Britânica  e como a instituição evitou esse “isolamento de casta” entre seus alunos de forma magistral.

“Sou estrangeira e por isso estudei na Escola Britânica não mencionada no artigo talvez porque hoje em dia a mensalidade para os adolescentes gira em torno de RS$18mil/mês. Naquela época não seguíamos a grade brasileira porque o objetivo era oferecer a mesma formação que era oferecida na Europa a quem estava no Brasil. Alem de filhos de diplomatas, haviam filhos de expatriados e bolsas pra gringinhos cujos pais não podiam pagar. Afinal era uma extensão da cultura da comunidade o que incluiria a 1a igreja protestante, a Anglicana, casa de repouso pros gringos idosos, etc. Ser sócio-responsável e abraçar causas passando o dia com outras crianças atendidas por projetos sociais era prática comum e regular pra não criar uma geração alienada mesmo que num país onde do lado de fora da escola, amigos não faziam isso. Muitos de meus colegas, como eu, até hoje são voluntários regulares e é com alívio que não mais somos criticados por sermos diferentes e nos misturarmos naturalmente com “subordinados”, “gentalha” e outros termos que ouvíamos dos brasileiros que quando não racistas (tínhamos africanos, orientais etc na classe) discriminam outros seres humanos por sua condição sócio-econômica, optam pelo assistencialismo sem envolvimento psico-emocional (doações em dinheiro, roupas, brinquedos, etc) ao invés de compartilhar conhecimento e afeto e transformar vidas, como hoje vemos virou “chic” abrir ou fazer parte de Ongs. Por mim, pouco importa em qual berço o voluntário nasceu(porque isso tb é discriminação), sendo relevante o fato de ao invés de reclamar, coloque o coletivo acima de ideologias e interesses pessoais e priorize seu tempo para compartilhar valor com quer “menos favorecido” trabalhando pro bono, moldando a sociedade desejada por todos. Isso se aprende em casa e se reforça na escola, ainda pequeno mas requer não “propostas” e sim que seja um valor cultural , uma prática considerada natural. Aqui quando o gringo faz isso porque tá na veia dele – permanentemente ou periodicamente enquanto em casa come lagosta (e isso é assunto privado, outra coisa que se respeita)- é chamado de “louco” só porque o faz com amor.”

Conclusão

Sim, o risco da bolha existe e acho que parte da classe média e alta no Brasil sofre disso. Mas, como demonstrado pela Márcia, isso está longe de ser inevitável. Como observado na Escola Britânica, não foi apenas uma questão de fazer obras assistenciais, mas promover um ambiente diverso e criar vínculos entre os alunos e as pessoas atendidas pela escola através do trabalho. Nem toda a criança rica precisa se tornar mimada. Na verdade seu desenvolvimento vai refletir muito mais os valores da escola e da família dos estudantes do que seu nível sócio-econômico. E espero que essa nova escola, a Avenues, seja capaz de produzir os líderes mais humanos e capazes que o país e o mundo precisam.

P.S.

Para quem pensa no status de ter os filhos em uma escola de ricos aproveito para lembrar um detalhe interessante: Nos países que permitem o ensino em casa alguns desses bilionários estão trocando as escolas por tutores. A criança terá 100%  de atenção do tutor, e a logística de deslocamento é reduzida, especialmente porque filhos de ricos são alvos de sequestro e eles gastam uma nota em segurança.  Porém, mesmo as empresas de tutoria, que devem ser muuito mais caras, não recomendam o uso de tutores por tempo integral por muito tempo. Justamente porque os alunos perdem em desenvolvimento de certas habilidades sociais ao conviverem a variedade de colegas oferecida por uma escola. Então, menos preocupação com exclusividade e mais foco no resultado.

I was studying the context of education and innovation this morning and thought of my last course on Distance Education that I took last year. It is funny because I thought about many texts, essays and articles talking about how the evolution of information and communication technologies shaped the current view of distance education. From a distance education based on printed material or one-way technologies, standardized and mass-production oriented to the current web enhanced learning. This last option is much more flexible, modular, individual-oriented.

However few texts talk about the social demands which shaped these changes in education. Things like reflexivity, our ability to think about us and our actions and concepts. Plus the effect of knowledge about such actions and concepts. The risk society and our anxiety about changes, opportunities and risks. Soros (George Soros, the businessman) commented about how the individualization of high modernity obliges individuals to choose from different lifestyles, subcultures and identities. Biographies are becoming reflexive nowadays. Therefore, the traditional school based on standardized curriculum “mass production of students” become obsolete to face the new demands. People require solutions that are more flexible in content, avaiabilty and assessment, thus individual-oriented solutions. Individualized and reflexive people require a student-centered education more than old teacher or content-based education.

If the technology revolution has offered the tools, our society and modernity have demanded the educational changes.

Como estou sendo obrigado a pensar deveras em inglês segue o meu primeiro post em língua bretã. Mas assim que tiver tempo vou traduzí-lo.

tradução

Eu estava estudando o contexto da educação e da inovação, esta manhã, e lembrei do meu último curso, em Educação a Distância ano passado. É engraçado, porque eu me lembro muito de textos, ensaios e artigos falando sobre como a evolução das tecnologias de informação e comunicação moldaram a visão atual da educação a distância. De um ensino à distância baseado em material impresso ou tecnologias padronizadas e orientada para produçãos em massa para a o ensino via web atual. Esta última opção é muito mais flexível, modular, orientada para o indivíduo.

No entanto poucos textos falam sobre as demandas sociais que formaram estas mudanças na educação. Coisas como reflexividade, nossa habilidade de pensar sobre nós, nossas ações e conceitos e o efeito do conhecimento sobre essas mesmas ações e conceitos. Sobre a sociedade de risco e nossa própria ansiedade sobre essas mudanças, oportunidades e riscos. Soros (George Soros, o empresário), comentou como a individualização da  modernidade nos obriga a escolher entre diferentes estilos de vida, subculturas e identidades, Biografias também estão se tornando reflexivas. Portanto, a escola tradicional, baseada no currículo padronizado de produção em massa  ficou obsoleta para enfrentar as novas demandas. Pessoas requerem soluções mais flexíveis no conteúdo, disponibilidade e avaliação. Enfim, soluções  orientadas para o indivíduo. Pessoas individualizadas e reflexivas exigem um ensino centrado no aluno em vez da opção anterior  de educação baseada centrada no professor ou no conteúdo.

Se a revolução das tecnologias ofereceu as ferramentas, a nossa sociedade e a modernidade exigiram as mudanças educacionais.

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