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Encontrei um artigo do blog The Stick Chick que descreve bem os prazeres a agruras de praticar artes marciais na meia idade, com algumas dicas úteis. Não em termos técnicos, mas especialmente sobre como deve ser a atitude de quem está começando. E Jackie Bradbury, a autora, pode falar com propriedade do assunto já que começou a treinar aos 39 anos, é faixa preta de segundo grau e professora de Arnis Moderno no Texas. As 5 primeiras dicas são dela e a última é minha,  as imagens são do artigo dela.

1. Saiba lidar com os desafios físicos

Geralmente cursos de artes marciais são planejadas considerando adolescentes ou adultos jovens (vinte e poucos anos), especialmente a parte de capacidade física.


Provavelmente você vai sentir que não pode, ou não deve, reduzir a carga. Como, por exemplo, fazer menos repetições por exercício. Afinal, ninguém quer parecer incapaz ou menos esforçados que os mais novos.


Porém, a verdade é: você já não é mais um jovem e se exigir como se ainda fosse um aumenta o risco de ferimentos desnecessariamente (como agravante veja a dica 2). E a atividade escolhida já tem suas chances de ferimento o suficiente para você não precisar forçar a barra.


Flexibilidade é um bom exemplo. Têm gente que nasceu flexível e consegue colocar a cabeça no teto sem problemas. Porém para a maioria dos mortais isso é algo que leva tempo para ser desenvolvido e é rapidamente perdido quando se o aluno parar. Portanto não se pode pegar o coleguinha de 20 anos que pratica desde os 6 anos de idade como termo de comparação justo.


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2. Demora mais para se curar

Em qualquer atividade física existe o risco de lesões. Porém, quando você fica mais velho, aquelas pequenas coisas que antes seriam resolvidas com um pouco de gelo e uma noite de descanso passam a demandar um tempo bem maior para serem curadas. Assim, o hematoma ou dolorido que some após dois dias num adolescente pode durar mais de uma semana em um quarentão.


3. Aceite gente (bem) mais jovem te ensinando

Isso é algo que algumas pessoas podem considerar incomum ou mesmo incômodo: ter pessoas bem mais jovens em posição de autoridade. A solução: supere, aceite e acostume-se. Se a academia é boa o instrutor-com-idade-para-ser-seu-filho tem uns bons anos de experiência no assunto em questão e têm competência para te corrigir e instruir.


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Peito no chão e paga 20!

Eventualmente ele pode ser muito experiente tecnicamente mas nem tanto como instrutor. Didática é algo que melhora com a experiência. Nesse caso, seja um bom aluno, aceite seu instrutor (com a mesma deferência que teria por um instrutor mais velho) e trabalhe com ele  para entender os exercícios e as posições corretamente. Isso vai ajudar ele a entender suas necessidades e melhorar sua didática, ensinar é uma via de mão dupla. Existe uma diferença clara entre o questionamento produtivo e não confiar na competência do instrutor. Portanto, não seja um velho mala e trabalhe de forma construtiva. A outra vantagem é que isso também diminui o risco de ferimentos causados por exercícios feitos de forma errada.  Em determinadas posições uma diferença de alguns milímetros ou graus é o que separa um exercício saudável de algo que vai causar dano cedo ou tarde.


4. Você não está liberado da necessidade de praticar

Na verdade, muito pelo contrário. Acredito que gente mais velha precisa praticar ainda mais para acompanhar os mais novos. Como disse James Garr, um comentarista, é preciso aceitar seus diferenças. Além da vantagem física, gente mais nova costuma a aprender mais rápido. Assim, é preciso aceitar que alguém mais velho vai ter de se esforçar mais.  Encare como uma maratona e não 100 metros rasos, os resultados podem demorar mais um pouco comparando com os alunos mais novos, mas eles virão e valem a pena.


O que é agravado pela falta de tempo da vida adulta. Filhos, trabalho e outros compromissos já deixam a vida cheia o suficiente. Ainda assim, é importante arranjar algum tempo, por menor que seja para praticar um pouco, mesmo que sejam apenas movimentos básicos. E, por mais tentador que seja, falte apenas quando necessário. Tudo bem que você não vai perder nada que não possa ser reposto em outro aula, mas é uma oportunidade de prática a menos numa agenda que já é naturalmente apertada. Lembre-se que correr uma maratona é mais uma questão de ritmo e constância do que de velocidade.


Nesse aspecto volto a um outro conselho da Jackie. Não deixe de treinar se você se machucar levemente, mesmo que seja para pegar leve. Afinal, se a cura total leva mais tempo, continuar treinando vai fazer com que não se perca o ritmo.


5. Não se preocupe com o que os outros vão pensar

Nesse aspecto a Jackie comenta sobre as próprias dúvidas. Como é ser a pessoa mais velha numa classe de gente bem mais nova. O que outras pessoas pensariam do seu hobby? Achariam esquisito uma adulta ganhando hematomas como diversão, a essa altura do campeonato?


Creio que essas dúvidas dela já ficaram para trás. Como ela mesmo diz jornada essa jornada é pessoal e cada um têm sua trajetória. Se você descobriu artes marciais só após os 40 é assim que vai ser. Mesmo que você seja uma minoria na academia, muita gente também começou tarde e não se arrependeu. Você pode ser incomum, mas não é estranho e não está sozinho. Convenhamos, o que importa a opinião dos outros? Vai te fazer bem, te deixar mais saudável e é divertido. Isso já é motivo o suficiente.


Pessoalmente, eu creio que tive sorte nesse ponto. Não sou o cara mais velho da minha turma, mas estou longe de ser o mais novo. Meu Guro na Magka-Isa tem mais de 65 anos e trata todo mundo igual, independente da idade.  Eu já treinei, lutei, ganhei, perdi, aprendi e ensinei várias pessoas por lá, seja de gente nova demais para tirar carteira ou de gente bem mais velha. Por exemplo, aprendi muito com uma simpática senhora de 61 anos, dona de uma segurança inspiradora. Tanto no que estava disposta a fazer quanto no que não estava. De vez em quando treino com um senhor de uns 69 anos e se eu estiver com 80% da disposição e força dele quando chegar a essa idade já vou estar para lá de satisfeito.


+1. Os incomodados que se retirem

Essa é minha dica e considero até uma vantagem em não ser mais tão jovem: a de não sentir necessidade de me testar ou provar algo para alguém. Se você se sentir incomodado com algo ou que a experiência de treinar não está sendo boa, a melhor solução pode ser procurar outro lugar. Sinta-se livre para usar essa opção.


A melhor arte marcial é aquela que funciona para você. Até distância da academia e horário de aula são fatores a serem considerados. Ainda mais com o tempo apertado da vida adulta.



A solução é muito pessoal e vai envolver, entre outras, variáveis como: o professor, a turma e o estilo que se adequar melhor às suas necessidades e limitações. Bruce Lee em seu Tao do Jeet Kune Do dizia que é o estilo que deve ser adaptado ao corpo e não o contrário. O que é especialmente interessante quando nossa capacidade física está começando a diminuir como efeito da idade. E em termos de lidar com limitações, certas artes, como o Arnis Kali, podem apresentar casos inspiradores.


Portanto, se a primeira opção não for a melhor não há nenhum problema em se tentar de novo. Inclusive, é comum que as pessoas pratiquem várias artes diferentes ao longo da vida.

(Nota do tradutor) Antes de mais nada, FMA significa Filipino Martial Arts (Artes Marciais Filipinas) dentre as quais podemos encontrar o Arnis Kali, Pekiti Tirsia, Kali Silat e outras com origem nas Filipinas. Uma de suas peculiaridades é o combate com armas brancas, inclusive para iniciantes.

Logo abaixo segue mais uma das minhas traduções descuidadas. No caso um interessante artigo de Jackie Bradbury: praticante de artes marciais, professora, mãe e autora do blog The Stick Chick. As fotos e ilustrações vieram do blog da autora.

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Eu vou a vários seminários e treino com um monte de gente, não apenas na região de Dallas-Fort Worth, mas em todo Texas e nos Estados Unidos. Não é incomum para mim ser a única mulher na sala quando estou treinando. Mesmo em seminários pode se ver apenas uma ou duas outras mulheres em uma multidão de homens.

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Evidência A.

Isso não é algo exatamente incomum no mundo das artes marciais: mulheres serem a minoria no grupo. É algo que você tem que se acostumar quando você é uma mulher que gosta de praticar a violência como um hobby. Embora seja uma dessas, eu com certeza gostaria que pudéssemos ter mais mulheres para as artes marciais filipinas, porque é tão… Assim, feito para nós, sabe?
Aqui estão algumas razões:

 

As armas são um grande equalizador

Na realidade, em uma situação de autodefesa, 99% das pessoas vai preferir estar armada a desarmada. Uma arma de qualquer espécie é uma grande vantagem contra alguém desarmado. E isso é especialmente verdadeiro para as mulheres em situação de autodefesa contra um homem.
Eu já estou ouvindo alguns de vocês perguntando: “Quem anda por aí armado com um pedaço de pau?” (e talvez um riso ou dois).

 

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Não me faça ir até aí!

O bastão é um substituto para outra coisa . Pode ser um guarda-chuva, uma bengala, uma mochila ou bolsa, uma caneta, uma faca, um facão, uma barra de ferro … qualquer ferramenta, realmente.
A nossa metodologia de treinamento se presta muito bem para armas improvisadas,e a maioria de nós anda por aí com algo, qualquer coisa que pode ser usada na hora de um aperto!

 

A força não é o principal fator

Ser forte é, claro, sempre uma vantagem em combates ou em situações de defesa pessoal. O FMA não é diferente. Mas ser forte não é, em si, o principal fator para ser bom no FMA Timing, velocidade e precisão (mira) são. Força é útil, é claro, mas o tempo, velocidade e precisão são as coisas que as mulheres podem desenvolver tão bem quanto os homens.
Assim, no FMA  as coisas ocorrem num nível mais mais igual para as mulheres.

 

Ser mais baixo não é necessariamente um problema

Todos concordam que, se outras coisa forem iguais, ser alto e ter um longo alcance é definitivamente uma vantagem quando se trata de situações violentas. Nenhuma discussão nesse ponto.
No entanto, no FMA aprendemos a trabalhar com o que nos é dado (e a forçar o adversário a nos da o que queremos). Isso significa que nós aprendemos quais alvos são bons para acertar, não importa quem estamos enfrentando e como nos é apresentado. Eu tenho um aaltura de cerca de um metro e cinquenta e oito centímetros. Quando treino geralmente sou um dos adultos mais baixos no local. Assim, em vez de tentar acertar a cabeça de pessoas altas, tenho aprendido a tomar o braço (mão, punho, cotovelo, sob o bíceps), o tronco (alvos demais nessa parte para listar aqui), o pescoço, parte baixa do queixo, parte interna da coxa e as pernas como alvos contra pessoas mais altas. Eu entro dentro na guarda da pessoa e então …
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É bastante impressionante .
Espero que mais mulheres escolham o FMA como uma arte marcial para praticar. Porque, como você pode ver, eu acho que é bem adequado para a artista marcial feminina média.O que você pensa sobre o FMA para as mulheres? Ou que outras artes marciais são legais para as mulheres e por quê? Eu gostaria de ouvir o que você pensa!

 

(Outra Nota do tradutor) Lembro que essa última pergunta foi da autora, mas sinta-se à vontade para comentar por aqui ou, se preferir e souber inglês, também pode falar direto com a autora na parte de comentários do artigo original.

Baseado no artigo Reaction vs. Anticipation de Brian Johns. Que  começa falando sobre o desafio que todo estudante de Kali, e de artes marciais em geral, tem para entender a diferença entre “antecipar” e “reagir”. E considera comum tentar se antecipar os movimentos do oponente, frequentemente com resultados ruins.


fonte: http://bamboospiritmartialarts.com

Para deixar mais claro, nesse caso,”antecipar” pode ser entendido o ato de observar como acreditamos que o adversário vai agir, a tentativa de prever os movimentos dele de forma objetiva e racional, agindo antes dele. Enquanto reação seria algo mais intuitivo, baseado na leitura da movimentação do adversário e na reação, algo mais reflexo e fluído, sem muito raciocínio consciente.

Se pensarmos no movimento corporal, nas manobras que praticamos, como um linguagem é possível observar que, com a experiência, o estudante vai aprendendo a “ler” essa linguagem. Porém, é preciso não apenas a prática para conseguir decodificar a linguagem corporal, também é preciso manter um certo “silêncio” mental, a calma necessária para perceber os sinais demonstrados pelo oponente e deixar os seus próprios reflexos reagirem de acordo. Nesse aspecto a antecipação seria algo como um exagero, uma tentativa de perceber e agir antes do oponente que, pode facilmente cair numa reação exacerbada e limitada em termos de opções e flexibilidade. Essa reação exacerbada (over-reaction) pode refletir nosso próprio preconceito sobre determinada situação e criar mais problema que solução.

Em essência, a diferença entre antecipar e reagir seria principalmente de modo de pensar: A antecipação envolve o consciente, a mente tensa, controle e a dureza; enquanto a reação seria algo relacionado à calma, mais flexível, inconsciente e fluído. Talvez seja por isso que várias artes marciais asiáticas prezem tanto a meditação, o controle das emoções, a concentração e a fluidez.

Por exemplo, se a situação for uma luta na academia: você pode estar acostumado a certos movimentos de um colega. Já se lembra das experiências anteriores, sabe como ele manobra e, de antemão, já está com toda a sua estratégia pronta. Basta que, nessa vez, ele resolva fazer algo diferente, como uma nova finta ou um simples mudança em seus ângulos para essas tentativas de antecipação simplesmente desabarem. Ao mesmo tempo, numa situação de luta já existe uma tendência natural a sermos menos flexíveis e nos ater apenas o que conhecemos. Assim, uma antecipação ao movimento adversário pode te expor muito mais do que espera.  A mente fica presa ao operacional, fazendo uma “microadministração” do corpo, pensando em cada golpe  ou esquiva. A antecipação te leva a reagir em exagero, o que demanda mais energia e acaba te tornando lento e previsível.

No aspecto físico, a reação exige muito mais treinamento que a antecipação. É preciso que os movimentos e golpes já estejam tão internalizados que não dependem mais de pensamento consciente, já teriam adentrado o reino dos reflexos, do instinto. Acredito que seja o que o mestre Dada descreve como memória muscular. Ao mesmo tempo se a mente consciente não precisa mais cuidar do operacional fica liberada para pensar num cenário mais amplo, na tática e estratégia. Em pensar em como se está lutando ou mesmo se vale a pena lutar. Essa última questão é especialmente importante numa situação de defesa pessoal, na rua.

Se a mente está mais livre e reativa seria possível usar melhor os sentidos e o corpo. Os exercícios de Balintawak apresentados pelo guro Tales no Sama-Sama de 2015 trabalham muito com o tato para entender os movimentos do adversário, algo corroborado na apresentação do guro Alessandro, no mesmo evento, quando falava do uso das mãos como “antenas” para detectar o movimento adversário. Não se trataria de antecipar, controlar os movimentos imprevisíveis do adversário, mas de entender seus movimentos e usar as oportunidades que a situação oferecer. Reagir, nesse contexto seria algo como, desapegar de idéia de controle.

Por exemplo, no meu último exame de faixa vi isso acontecer comigo na parte da luta. Numa luta anterior eu estava tão preocupado, e afobado, em atingir o adversário primeiro que perdi por ser atingido várias vezes na mão que segurava o bastão. Caí feito um pato em praticamente todas as fintas que estava tentando antecipar. Já no meu último exame de faixa eu estava consideravelmente mais seguro e calmo. Assim, na fase da luta eu não apenas consegui evitar algumas armadilhas como também criar minhas próprias sequências de contragolpe, sem planejamento, apenas deixando a situação fluir e aproveitando oportunidades que surgiram. Em outras palavras, reagindo. Em alguns casos eu mesmo só entendi certos movimentos que fiz quando vi a filmagem.

Usando um exemplo mais amplo, o autor demonstra como a antecipação e a reação exagerada podem nos colocar em problemas na rua e as reações podem resolver. Não é apenas algo aplicado ao corpo, mas também um modo de pensar. Ele contou sobre um pequeno incidente em que buzinou para um sujeito que o fechou no trânsito e, depois de ter descido do carro, o sujeito foi atrás dele questionando se ele havia buzinado. Automaticamente ele abaixou a tensão da situação ao responder que não sabia do que o sujeito estava falando. O sujeito aceitou a resposta ou simplesmente decidiu que piorar a situação não valeria a pena e foi embora.  Na visão do autor, buzinar para externar a raiva desses folgados no trânsito foi uma antecipação raivosa que gerou um problema e a resposta foi uma reação calma e firme que desarmou uma provável briga de rua antes que ela começasse. Como ele disse, às vezes uma reação limitada (under-reaction) é melhor que uma reação exagerada (over-reaction). Como vi uma vez no SHTF blog: A primeira regra de sobrevivência é se manter longe de problemas.

O termo “marcial” é latino e se refere ao Deus Marte, o deus da guerra. Assim, uma arte marcial, por mais que tenha o seu aspecto saudável, esportivo, espiritual e artístico também possui uma raiz guerreira, militar. Sendo assim, por mais que o treinamento seja importante o treino de luta em si não deve ser ignorado. É o momento em que se “coloca os dados e roda o sistema”, sendo possível observar o que já está aprendido e o que deve ser melhorado. A avaliação de aprendizagem é um elemento muito importante, é a validação de treinamento e dentro desse contexto uma das melhores modalidades de  avaliação será a luta. O treino sem avaliação pode se tornar uma armadilha, criamos vícios que podem ser trabalhosos para limpar no futuro. E existem certos aspectos que só poderão ser observados na luta. Mirar errado é um dos erros mais comuns, as pessoas treinam para não acertar o alvo e acabam se viciando em fazer isso. Muitas vezes o erro é sutil e só será percebido numa luta.  Aprendemos muito por interação e o treino de luta é muito, mas muito, interativo.

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fonte: ArteFilipina.com

A luta não precisa ser necessariamente de contato total. Quanto mais próximo do real melhor, mas existe uma relação custo x benefício a ser considerada. Regras e o uso de proteções como luvas ou capacetes são úteis para fazer com que essa relação compense. Até o MMA tem limites para garantir a integridade dos atletas. E mesmo assim, muitas lutas já foram canceladas porque os atletas se feriram em treinos mais pesados. Afinal, estamos falando de um trabalho físico extremo que provoca ferimentos. Assim, o realismo exagerado é pouco prático, gente quebrada não treina mais, em algos casos de forma definitiva. O que é ainda mais válido quando se treina com armas. Eventualmente uma luta mais “leve” pode ser até mais interessante para se praticar golpes ou manobras recém aprendidos e abrir espaço para uma auto avaliação. Sem a preocupação exagerada em vencer o praticante vai perceber o que funciona e o que não funciona na hora.

Observei isso por conta própria num treino de luta um dia desses. Havia um juiz estávamos com equipamento de proteção e bastões acolchoados. O juiz acompanhava a luta o dava pontos para quem conseguisse acertar o adversário. Não que isso me alegre muito, mas após um começo empatado eu perdi e de goleada, não marquei pontos. Mas apesar desse nunca ser um resultado desejado a derrota ensina. A grande maioria dos golpes que levei foi na mão. Se fosse um combate real minha mão provavelmente seria quebrada no primeiro ou segundo golpe e eu certamente não conseguiria segurar um bastão, ou qualquer outra coisa, por um bom tempo. Depois da luta o colega que fazia o papel de juiz, um faixa marrom, me explicou que o meu erro é que eu não estava recuando o braço para bater novamente, eu havia deixado ele exposto e o meu adversário usou isso a seu favor.

Alguns dias depois, treinando com um grande amigo e antigo parceiro de kung fu. Após comentar com ele sobre o treino de luta ele observou que eu praticamente não estava usando a ponta do bastão para golpear. Geralmente eu estava batendo na metade ou mesmo próximo da base, onde estava a minha mão. Era o tipo de detalhe que eu já devia estar fazendo há tempos, especialmente nas defesas. Meu amigo, que também é fisico, comentou que batendo com a ponta do bastão o golpe certamente ficaria mais forte, haveria mais transferência de energia cinética para o alvo.

Ele também observou outra coisa: que o reflexo de se defender com as mãos é algo básico, instintivo e como a maioria dos praticantes de artes marciais atua de mãos vazias e isso molda nossos reflexos. Porém no Arnis Kali e outros estilos Filipinos usam-se armas. Treinamos com elas até que se tornem uma extensão de nosso corpo. O alcance de um indivíduo armado geralmente é bem maior que outro desarmado. Com o detalhe que é muito, mas muito complicado usar as mãos para se defender de um ataque armado. E no Arnis treinamos com armas desde o início. O resultado é que a noção de alcance do praticante de Kali começa diferente dos que treinam outras artes. As armas vão diminuindo com o passar do tempo até finalmente chegar na extensão original do braço.

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Reparem que a extensão do braço esticado é quase o dobro.
Fonte: http://martialartstimes.net/baton-francais/

Dentre os efeitos dessa diferença pode-se notar que praticantes de outras artes que treinam Arnis podem a ter uma dificuldade a mais, pois estão acostumados a usar as mãos na defesa e no ataque. Sendo que esse é justamente um dos primeiros alvos a ser atingidos com o bastão ou a faca. A mão é a “cabeça da cobra” segundo o Mestre Dada. A mão atingida é uma ameaça a menos. E conversando com outros praticantes, que já praticaram karatê ou jiu-jitsu, eles também já haviam observado essa peculiaridade do Arnis Kali em comparação aos estilos desarmados.

Para evitar a velha armadilha do “minha arte é melhor que a sua” lembro que a arte ou estilo escolhido é apenas uma parte de uma complexa equação que, entre outras coisas, vai envolver: professor/ treinador, afinco no treinamento, tempo empregado para treino, equipamento e a própria afinidade física e mental do praticante. Não existe arte perfeita, existem as que funcionam.

Em nosso último episódio eu comentei sobre o combate aproximado. Que começou com uma breve apresentação histórica do Balintawak Escrima, apresentado pelo guro Tales. Em seguida ele mostrou uma série de exercícios interessantes, feitos com o punho encostado ao do oponente Afinal, quando se está perto demais é preciso de outros sentidos além dos olhos para entender o que esta acontecendo, simplesmente não há tempo hábil para tática.  O seu punho colado ao do adversário funciona como um antena. O que converge com o explicado pelo guro Lucas sobre consciência corporal. Ainda assim a distância é tão pequena que se o adversário não “telegrafar” o golpe você mal vai saber o que te atingiu. Se um combate já é algo rápido, no combate aproximado a velocidade, e o risco, são elevados ao quadrado. Não há tempo para pensar, a defesa deve ser um simples reflexo. Assim, acaba sendo também um excelente exercício de concentração.

Outro ponto alto foi a aula de Pekiti Tirsia, aplicado pelo lakan Guro Waldevir Júnior. O próprio professor já é uma figura marcante. Se o Wolverine saísse dos quadrinhos para ensinar certamente iria se parecer com ele. Apesar de ser extremamente profissional e tão técnico quanto os outros professores, ele tinha uma abordagem diferente dos outros, algo mais passional . Foi uma aula muito diferente do que eu estava acostumado, geralmente algo mais filosófico ou esportivo, enquanto nesse caso foi mais militar. Até porque o Pekiti Tirsia vêm sendo muito usado para capacitar militares e policiais e seu foco está na sobrevivência urbana. Se eu pudesse definir o que apreendi do estilo numa palavra ela seria “ousado”. Como o guro observou: num combate com faca, ganhando ou perdendo você vai se cortar. Não é uma situação em que você deseje estar mas, se estiver é melhor saber o que está fazendo. O que me reforçou a impressão que o combate aproximado é algo desconfortável, arriscado e rápido. E agora entendo porque dentro do Arnis as facas são ensinadas apenas a partir de um nível mais avançado. Elas são menores e mesmo as de treino são mais perigosas, tanto para o alvo quanto para quem empunha. Como diz o mestre Dada “o bastão procura o osso, as facas procuram a carne”. O nível de dano e de força necessária são inversamente proporcionais. E parece existir algo psicológico, a faca inspira algo diferente, mesmo sendo menor ela assusta mais que o bastão. E isso vale até para as de facas de treino, mesmo elas não devem ser usadas de forma leviana. Tanto que passei à usar os óculos de proteção com mais frequência. pekiti-tirsia

Além do uso de lâminas outra das bases da modalidade está no triângulo, que faz parte até do seu símbolo. A movimentação em relação ao oponente deve seguir essa idéia do triângulo. Você não avança direto para o adversário, ainda mais usando uma lamina, mas se desloca pela diagonal para flanquear e contra-atacar o oponente. E é importante não recuar, evitando que o adversário ganhe espaço ou velocidade. O movimento me lembrou muito a posição do gato, algo que meu antigo professor de kung fu ensinava muito bem. O que mostra que a física e o bom senso valem para todos.

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fonte: Arnis Kali RS

Nessa aula pude observar o uso da agressividade como um recurso didático para instigar o aluno a entrar no modo de pensar adequado para o estilo e as situações onde ele deve ser empregado. Por exemplo, após uma breve demonstração da função da voz de comando ele disse que nós devíamos gritar durante os exercícios. Inicialmente eu pensei que fosse pelo aspecto físico. Gritar, fazer barulho na hora de golpear potencializa a força, o Muai Thai é um bom exemplo. Mas à medida que fomos trabalhando fui percebendo outros efeitos. Você passa a se sentir mais atento, o processo de gritar, de bater os antebraços com força e sacudir o oponente e de ser alvo dessas coisas parece alterar um pouco a gente. Mesmo que essa agressividade seja aplicada de forma controlada como estávamos fazendo era possível sentir a adrenalina atuando. Logo eu estava fazendo coisas que não achava ser possível, como levantar um sujeito faixa-preta e bem mais pesado do que eu e esfaquear ele nas costelas sem que ele pudesse segurar a minha mão. A impressão que eu tenho é que o trabalho do guro não estava focado apenas em desenvolver inteligência motora, mas em alcançar de algumas características da arquitetura do cérebro. A gritaria e agressividade, os puxões, a voz de comando. Tudo isso parece estimular o chamado cérebro réptil, a parte mais primitiva do nosso cérebro, responsável por atividades básicas como lutar e fugir.  É de onde vêm o instinto de sobrevivência e a capacidade de lidar com violência. Pode não ser nosso lado mais bonito, mas certamente é algo necessário. Algo que me lembrou o que vi no Game Jam sobre essas diferentes partes do cérebro.

Outra aula foi com o tuhon Daniel Barros, sobre o Latosa Escrima, da família Latosa e muito difundido na Europa e EUA. O sistema  tem pontos bem legais, como a idéia da “caixa”. Que, pelo que entendi, define uma área entre a cabeça, ombros e barriga do adversário onde a maior parte dos golpes deve ocorrer. O que pode ser relacionado ao boxe. O que talvez seja explicado pelo fato que o Grande Mestre Rene Latosa já atuou como boxeador da força aérea americana. O detalhe, ele nunca teve treino formal como boxeador, mas isso realmente não parece ter sido um problema. Um aspecto particularmente interessante é a questão de equilíbrio, especialmente de controle. Não que outras artes não tenham isso, mas há uma preocupação mais visível. Não existe preocupação em girar o bastão ou qualquer coisa assim para ganhar força, a idéia são muitos ataques rápidos, sem longos movimentos para voltar o bastão para trás e ganhar força. Nesse aspecto o uso correto do próprio peso, desde as pernas e o consequente equilíbro necessário para isso explicam essa preocupação. O resulta me parecem ser golpes curtos e ao mesmo tempo fortes.

No geral, outro aspecto interessante nas artes filipinas que já havia reparado é a questão da acessibilidade, o que talvez seja característico de artes voltadas para a defesa pessoal. Suponho que o Krav Maga também entre nessa lista, mas não conheço o suficiente dele para afirmar. Por acessibilidade quero dizer que são estilos que não dependem de um tipo físico ou nível atlético específico. Em alguns treinos eu também fui levantado feito um boneco de pano por gente 15 kg mais leve que eu. O que lembra a idéia filosófica do Jeet Kune Do de Bruce Lee de que não é você que deve se enquadrar no estilo, mas o estilo que deve ser capaz de ser adaptado para a sua capacidade física. O que obviamente não exime o praticante de treinamento esforçado e constante. O que também é reforçado pela capacidade do Arnis complementar outros estilos. O que é mostrado pela variedade de praticantes no evento que também pratica outras artes.

Foi um aprendizado riquíssimo do tipo que você sai um tanto mudado. Ainda quero entender o efeito que ser torcido, puxado, esfaqueado e derrubado em treinamento têm sobre a amizade, mas parece ser positivo. Conheci um casal que treina junto e eles dizem que simplesmente não brigam em casa porque gastam a energia treinando. E como diz o mestre, gritamos no treino para não precisar gritar em casa. No mais, não foi um momento de dominar, mas de conhecer técnicas novas e ver os efeitos físicos e psicológicos de um treinamento prolongado. Também foi uma oportunidade de treinar com gente de tipos físicos e habilidades muito diferentes da galera da academia que estamos acostumados. Gente mais alta demanda uma abordagem diferente de gente mais baixa, assim como os agressivos são diferentes dos cautelosos.

No mais foi um evento variado que contou até com a participação do cônsul-geral das Filipinas e creio que um dos raros diplomatas que também é faixa-preta e praticante de Arnis.

O último ponto que não poderia deixar de citar foi a comida. Confesso que fiquei triste quando soube que ia passar o fim de semana sob regime vegetariano, mas tive um grande surpresa com a comida do Tarcísio. Além de deliciosa, realmente me deixou me sentindo melhor do que quando cheguei. Talvez essa conversa de “detox” tenha algum valor. Enfim, a experiência como um todo foi algo que certamente planejo repetir.

Creio que o nome acima vem do idioma filipino tagalog e significa “Encontro”. Nesse caso o termo descreve um evento de Artes Marciais Filipinas (FMA) ocorrido no final de 2015. Esta descrição não será cronológica mas apenas um apanhado de alguns aspectos que pude observar.

O evento foi um encontro de praticantes e Guros (mestres) organizado pelo Grão-mestre Dada Inocalla, com praticantes vindos de vários estados do país. Ele também foi um campo de treinamento, onde pude fazer workshops e conhecer outras técnicas ou estilos que me mostraram que as FMA são ainda mais ricas do que eu imaginava.

Se trocarmos o termos “arte marcial” por “literatura”posso dizer que eu estava participando de um sarau onde poderia conhecer diferentes modalidades, da crônica tradicional, passando pela prosa e chegando à poesia e ao soneto. A diferença é que a prosa usava chaves para travar as articulações como ombro, cotovelo e pulso, a poesia envolvia o uso de facas e os sonetos tinham versos que atingiam 12 diferentes pontos da anatomia do oponente. Pode soar engraçado, mas se considerarmos que existem diversos tipos de inteligência, dentre elas a motora que  envolve o controle sobre o corpo, noções de espaço, distância e profundidade, creio que é justo dizer que eu estava assistindo à uma demonstração do estado da arte em termos de FMA no Brasil.

Um dos primeiros pontos que me chamou a atenção foi a diversidade. Como o sistema Inocalla é algo estruturado, com um currículo básico. Mas ao conhecer os outros participantes fui observando a diversidade de experiências. Haviam mestres que começaram em Jiu-jitsu, praticantes de Wing Chun e Krav Maga, mestres de Hapkido, policiais, militares e outros.

Como já comentei antes o uso de armas é um dos diferenciais das FMA, com um especial interesse por armas improvisadas. Assim, começamos exercitando o uso de objetos pequenos objetos perfurantes, como canetas. Também fizemos um treinamento de sarong, o uso de tecido, como lenços e cachecóis, como armas para fazer chave articulares e imobilizar um oponente. Achei o uso desses materiais é particularmente difícil mas abre um mundo de possibilidades, qualquer pedaço de tecido de um tamanho razoável já serve. Nesse ponto tive o prazer de treinar com o guro Cravo do Rio Grande do Sul. Como também é um experiente praticante de jiu-jitsu  ele estava muito “confortável” lidando com as chaves e mais ainda para ensinar o seu uso. O guro Cravo é uma daquelas pessoas que quebra alguns estereótipos de artes marciais. Um sujeito sereno, humilde e um também um professor centrado, profissional e meticuloso. Em alguns momentos ele chega a ser quase paternal, sem ser paternalista e nem um milímetro menos casca-grossa que os outros. De qualquer forma, simplesmente não vi como não gostar dele, e olha que em boa parte desse tempo ele havia feito voltas de tecido em torno do meu pescoço e pulso que não eram nada confortáveis. Mas, como o Cravo me explicou: criar um desconforto controlado é uma forma eficiente de tornar um oponente mais submisso e reduzir a necessidade de se realmente machucar a outra pessoa. É um exemplo de um pacifismo diferente do senso comum, mais pragmático mas ainda assim autêntico.

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Sim, é um pano comum, sendo usado como arma. Fonte: Arnis Kali RS

Claro que para o treino de sarong funcionar houve antes um treino prévio sobre as tais chaves articulares ou  Ipit Pilipit, com o guro Alessandro Lucas. Nesse ponto, vimos o resultado do complexo trabalho do guro em conectar sua experiência na arte coreana do hapkido, as técnicas do Arnis e sua experiência.  Essa aula mostrou bem o significado da frase “grandes poderes levam a grandes responsabilidades” algo enfatizado pelo guro ao demonstrar as possibilidades que as chaves oferecem: indo desde a simples imobilização até a morte de um adversário, sem fazer muita força. Nesse ponto ele detalhou até a anatomia humana para mostrar porque é preciso usar essas habilidades de forma responsável. Bastam cinco quilos (o peso de um saco de arroz) sobre a cervical para quebrar um pescoço, um empurrão mantendo o pé no lugar certo danifica os tendões do tornozelo e joelho, permitindo que você fuja sem ser perseguido e um pinçamento de nervo na mão pode levar a uma dor paralisante.

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fonte: Arnis Kali Maharlika RS

Dentre outras coisas, ele me ensinou algo que eu nunca havia pensado: que nesse trabalho a dor é um elemento didático necessário para que o praticante saiba se o trabalho está ou não funcionando. Como ele diz, sem não um pouco de dor não há como saber se uma técnica foi adequadamente empregada.  A dor é um componente de avaliação. E isso é muito diferente de machucar ou fazer alguém sofrer por simples sadismo ou se mostrar poderoso. Novamente, vemos a questão da responsabilidade.

Para se trabalhar inteligência motora como estávamos fazendo o corpo do colega e o seu próprio são as ferramentas. Algo demonstrado pela imensa noção de consciência corporal do guro Lucas quando ele explicou que pelo posicionamento do tronco, braço ou pernas do adversário é possível perceber o que ele vai fazer ou qual o melhor golpe a ser aplicado. Esse foi outro momento pude ver a criação, o aspecto mais artístico do Arnis,  quando ele demonstrou o uso dos bastões em curta distância como pontos de alavanca para reforçar as chaves e comparou com o hapkido.

Outro elemento didático digno de nota é o sparring, nesse caso a pessoa que vai fazer o papel de alvo. Afinal, seria simplesmente impossível entender esses movimentos sem que eles sejam aplicados em alguém. Uma tarefa que coube ao guro Vanderlei, que com tranquilidade e estoicismo foi torcido, estrangulado e derrubado para nos ensinar. Ser “alvo” não é apenas algo para calejar, mas necessário para entender como se processam os movimentos e o que você está infligindo à outra pessoa. Devemos ser muito agradecidos à pessoas como o guro Vanderlei por fazer esse papel, é um dolorido exercício de aprendizagem e humildade que alguém está fazendo para ajudar você a aprender (Ed e Miguel, isso vale para vocês também). Sim, ser “alvo” também é uma forma de aprender, como o guro Vanderlei me mostrou depois ao aplicar chaves em mim.

Inclusive foi onde eu vi claramente os limites atuais da minha consciência corporal, eu sou simplesmente um desastre com as chaves, como já havia observado nos exercícios de desarme agaw. Mas com a ajuda, e paciência, do guro Tales eu consegui avançar. Ele também mostrou um pouco arte do combate próximo. Algo que sempre achei complicado, ainda mais com bastões. Uma outra experiência muito interessante que vou deixar para o próximo post.

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