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No final de 2016 foi aprovado o projeto Popularizando Conhecimentos sobre sobre os Recursos Naturais do Bioma Cerrado através do Jogo Educativo Ambiental “Desafio no Cerrado”. Encarnações anteriores desse projeto foram temas dos artigos “O fracasso também ensina” e “E a sorte está lançada, sem contar com a sorte“. Enfim, é algo que venho trabalhando há algum tempo e agora finalmente começa a vir à luz.

E ontem tive duas reuniões para apresentar o jogo. (Sim, o jogo que tanto falo que esse citado no título do projeto) inicialmente para colegas de trabalho que fazem parte do projeto e estão na parte logística e estratégica do trabalho e futuros participantes, como facilitadores do jogo nas escolas que vão fazer o operacional, o chão de fábrica do trabalho e eventuais parceiros externos que tem interesse em apoiar o projeto.

Depois de tanto tempo trabalhando com o público-alvo, adolescente, crianças e companhia foi interessante observar a reação de adultos e relembrar que o jogo é recomendado “a partir” dos 11 anos de idade e não “apenas para” 11 anos. Mas principalmente foi uma oportunidade para relembrar porque escolhi esse trabalho.

Apesar da equipe do projeto ter uma boa idéia do que era o jogo. Para eles era apenas mais uma ferramenta de aprendizagem que simula um ecossistema e tem algum potencial de aprendizagem a ser avaliado e não muito mais que isso.  Eles ainda não haviam participado da melhor forma de se conhecer um jogo, que é jogando. Nesse aspecto, um jogo pode ser uma excelente forma de se observar a riqueza de um trabalho multidisciplinar. Um dos participantes é um pesquisador e biólogo com larga experiência em botânica, especialmente sobre os recursos naturais do Cerrado. Enquanto outra, também pesquisadora, é psicóloga com experiência em métodos de coleta e avaliação de dados em treinamento, desenvolvimento e educação.

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Sim, o trabalho multidisciplinar é legal, mas como descrito acima também tem seus riscos. Fonte: o blog Invisible Flame Light

As leituras que os dois fizeram da experiência de jogo eram absolutamente diferentes, complementares e ao mesmo tempo riquíssimas. Nosso biólogo falou que inicialmente era um esforço mental para ele “puxar o freio de mão” da visão de biólogo e aceitar que o jogo é uma simulação simplificada do  Cerrado que possa ser operada por estudantes de nível fundamental, o público-alvo. E segundo ele isso já é um esforço natural, mas ainda assim compensador ao ver que os conceitos básicos estavam presentes. Como a descrição dos corredores ecológicos ou o fato de que os buritis realmente aparecem em áreas com muita umidade como veredas e próximo aos rios. Por outro lado, nossa psicóloga observou que, o jogo funcionava como uma ambiente de aprendizagem onde os conceitos e informações sobre Cerrado e meio ambiente são operados. O que,do ponto de vista cognitivo, funcionada como a construção de um andaime, uma estrutura cognitiva na mente do estudante onde ele passa a organizar, assimilar e ser capaz de organizar as informações que ele têm ou vai passar a ter no futuro sobre esse tema. O que é proposta de aprendizagem através de jogos sob a visão das teorias cognitivistas de aprendizagem, (como a do Piaget). Ao mesmo tempo o jogador também aprende ao observar a experiência do outros jogadores interagir com eles e com os materiais do jogo (peças, peões e placares) que só fazem sentido dentro do contexto de jogo.

Mais tarde tive outra reunião, dessa vez com possíveis futuros participantes que vão atuar na aplicação nas escolas. E foi outra experiência, mas ainda assim muito rica. A experiência teórica deu lugar a prática com crianças e estudantes e a experiência de jogos em si, que é bem mais comum mas gerações mais novas. Eles imergiram mais na experiência de jogo e fizeram perguntas muito mais diretas e próximas das que iremos encontrar com os alunos. Eles também fizeram uma análise crítica do jogo, como o da primeira reunião, mas com uma forte preocupação em também manter a dinâmica do jogo funcionando, até porque esse é um elemento que também deve ser analisado. Como comentei com eles, e a literatura técnica concorda: Jogo educativo pode ser como comida saudável, pode até te fazer bem, mas o gosto for ruim ninguém vai querer comer. Algo que acontece com frequência em jogos educativos que têm um lindo conteúdo teórico embalado dentro de um jogo chato. Essa preocupação foi observada por eles que também sugeriram uma fase especial para explicar as regras. O que concordou e reforçou a idéia sugerida por nossa psicóloga de que precisamos fazer uma primeira partida como tutorial, um jogo curto com peças escolhidas para explicar as regras do jogo. Na fase inicial toda a concentração dos estudantes estará em entender as regras, só depois disso eles conseguem observar estratégias, funcionamento do ecossistema e etc. Não é possível conseguir um resultado total com apenas uma partida. O que observei em outra oportunidade. Enfim, é algo muito legal ver a mesma idéia ser proposta por fontes absolutamente diferentes e isso ainda bater com a sua própria experiência.

O outro aspecto muito legal é observar o efeito do jogo nos jogadores, independente do perfil e da reunião. Acredito que um jogo novo atua como um desequilíbrio cognitivo controlado, o que força a criação de estruturas cognitivas para assimilar essa novidade, algo corroborado por nossa psicóloga. E com a dimensão social e física de uma mesa de jogo de tabuleiro isso é aumentado, algo que ouvi num dos Game Jam que participei. Assim, o jogo atua como um “catalizador cognitivo”. As pessoas são obrigadas a aprender algo, testar e empregar no mesmo momento. O que desperta sua concentração, deixa elas mais falantes e animadas. Algo que, a meu ver, bate totalmente com a idéia de hard fun do Papert.

Se conseguirmos criar nos alunos o mesmo entusiamo que consegui observar na equipe significa que todo esse trabalho realmente valeu a pena.

E novamente fui para a Agrobrasília, a grande feira internacional dos Cerrados, do tamanho de uma pequena cidade e que me rende algumas toneladas de trabalho nas semanas anteriores. Trabalho com várias peças de sinalização que vão para o estande da Embrapa e, como designer, é sempre interessante visitar para entender melhor como o material é empregado e como ele funciona no mundo real, além do ambiente de escritório de sempre. Por exemplo, uma faixa de 5 metros tem um peso muito maior que a tela de computador consegue descrever. O reflexo do sol, o vento, o público interagindo, tudo interfere o material. Sair do escritório e ver o seu trabalho pronto no ambiente real não é apenas uma massagem de ego para o designer gráfico, mas um feedback in loco e essencial.

Quanto à minha outra razão para visitar a feira, posso dizer que é um evento em que minha participação já está se tornando tradicional.  Afinal, participei dele em 2014 e 2015 e até tive visita de gente que veio nos anos anteriores. Levar um jogo sobre o Cerrado para uma feira internacional sobre agricultura no Cerrado continua sendo uma boa experiência.Esse foi mais um ano de aplicações do que descobertas: continuei a minha parceria com a UnB, o que me rende um público com perfil muito mais próximo do estou procurando que o público frequentador do estande da Embrapa; chamadas na rádio interna do evento também fazem maravilhas em termos de divulgação, eu que presto pouca atenção ao rádio sempre fico surpreso com isso.

Infelizmente estamos num ano de crise e essa também cobrou seu preço por lá, os estandes foram um pouco menores e eu mesmo trabalhei só por um dia dessa vez. Mas, ainda assim, a experiência continua valendo a pena. Tive uns 21 jogadores, de adultos a crianças de 5 anos e todas gostaram da experiência. O que demanda um bom grau de flexibilidade do facilitador e também é um bom exercício para meus projetos futuros.

Baseado nas experiências anteriores e lembrando que dessa vez não teria os bolsistas que tive no ano passado tomei cuidado para não dar um passo maior que as pernas como facilitador. Atender mais gente que o devido acabava limitando a experiência, o que era muito desgastante para mim e tornava o jogo menos interessante para os jogadores. Assim, trabalhei com dois grupos de jogos: um de 5 pessoas e outros de 2. Houve apenas um momento em que atendi 7 pessoas de uma vez, mas as coisas funcionaram muito melhor do que se tivesse que atender até 12 pessoas de uma vez. Ironicamente foi o momento em que também tive mais pessoas assistindo, o que reforça a necessidade de se trabalhar em grupo e não apenas solo, mas creio que aproveitei bem, porque a descrição do que acontecia no jogo acabava funcionando como uma aula expositiva informal. O que só confirma minha impressão de que a melhor propaganda de um jogo é ele sendo jogado.

E assim se seguiram minha manhã e tarde, acabei almoçando apenas um pastel rápido e passei a maior parte do tempo em pé e bebendo muita água para compensar a garganta secando de tanto falar. Sim, é cansativo, já está na hora de assumir afazeres mais complexos mas eu confesso que adoro fazer esse trabalho. Seja pela aprendizagem, pela diversão, pelo networking ou simplesmente pela oportunidade de ver tanta gente diferente. Ver a faísca da aprendizagem funcionando é o meu inseto recém descoberto se fosse entomologista, minha nova estrela se fosse astrônomo, minha nova proteína se fosse bioquímico. Mas ainda assim, espero curioso pelo ano que vem e as descobertas que o projeto deve trazer. Se tudo der certo minha participação na Agrobrasília e em outras feiras deve ter algumas mudanças importantes no futuro.

2015-09-09 13.38.18O dia 11 de setembro é o Dia Nacional do Cerrrado, essa savana que ocupa 24% do território brasileiro e é “apenas” o segundo maior bioma brasileiro. E como eu trabalho no centro de pesquisas da Embrapa sobre o Cerrado participei de uma exposição sobre o Cerrado no Conjunto Nacional de Brasília, entre os dias 8 e 11 de setembro de 2015. Que também foi tema de matérias da EBC, do programa Brasil Caipira (a partir dos 14 minutos) e do jornal local da Rede Bandeirantes.

A exposição abordou vários itens como a flora, fauna e rochas do cerrado. Bem como apresentou uma pequena amostra cultivares e tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, como o maracujá BRS Pérola do Cerrado, que estava sendo exposto com a Aprofama, as cultivares de mandioca que devem ser lançadas ainda em 2015 e as pesquisas sobre o uso de rochas na agricultura.

A minha parte nesse latifúndio foi novamente conduzindo o meu jogo sobre o Cerrado. Especialmente quando chegassem os estudantes de nível fundamental que visitariam a exposição. Após uma palestra sobre o Cerrado apresentada por uma pesquisadora da Embrapa eles teriam uma visita guiada pela exposição e, por fim, uma sessão de jogo.

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Aquela parte com as cadeiras azuis foi o meu escritório durante essa semana

Para cumprir essa parte dessa vez eu tive o apoio de outros facilitadores e, pela primeira vez em um bom número. O que evitaria casos estressantes como o do aniversário do Parque da Água Mineral, onde tive mais mesas que conseguia gerenciar. Graças à Universidade de Brasília tive o apoio de 7 bolsistas de nível médio. Assim, minha parte do trabalho começou na semana anterior com o treinamento dos bolsistas. Dessa vez apliquei uma técnica diferente de treinamento. Em vez de uma chata apresentação coloquei eles para fazer um campeonato informal. Assim, eles jogaram várias vezes e enquanto jogávamos eu ia explicando características do jogo e falando um pouco das minhas experiências com eles. Isso deixou o treinamento muito menos chato e permitiu que os bolsistas ganhassem não apenas conhecimento, mas que começassem a adquirir um certo nível de domínio do jogo. O que faz toda a diferença para quem vai atuar como facilitador. Um ponto que ajudou muito foi a própria atitude deles, os bolsistas se engajaram, demonstram iniciativa e interesse e isso fez toda a diferença. Mesmo quando não havia ninguém para atender eles simplesmente se sentavam a continuavam jogando, mesmo que fosse apenas para passar o tempo, não deixava de ser um treinamento útil. Admito que conhecer eles me fez um pouco mais positivo em relação ao futuro. Com a idade deles eu nunca me imaginaria atuando como bolsista ou promovendo a educação sobre o Cerrado. Considerando como eles já são hoje imagino onde estarão daqui a alguns anos.

2015-09-11 11.21.41A presença dos facilitadores tornou atividade com os jogos muito mais produtiva. Apesar do pouco número de mesas fomos capazes de atender até 12 estudantes de uma vez. Após a explicação das regras os bolsistas ajudavam os jogadores. E no caso dos grupos grandes a versão gigante das regras em flipchart foi muito útil. A fase das regras é um momento tenso, a explicação das regras tende a fazer o jogo mais difícil do que realmente é, sendo algo um tanto intimidador para quem não costuma a jogar jogos de tabuleiro. Porém, como já descrito pelo Aldricht, essa parte 100% instrucional é importantíssima para garantir que o jogo funcione, seja ele um jogo sério ou divertido. É o que eu chamo de tensão superficial dos jogos. É obrigatoriamente uma fase que temos de superar dentro da experiência de qualquer jogo e, como dito por um amigo meu, muitas vezes os textos das regras não ajudam em nada. No meu caso eu até percebi até que um ou outro aluno já desistiu nessa fase. Algo que antigamente me preocupava, mas hoje em dia não considero como um problema, se forem poucos. Por enquanto é melhor que meu jogo permaneça como uma atividade voluntária. Prefiro um desinteressado assistindo do que jogando e interferindo no círculo mágico do resto do grupo. E confabulando com professores das turmas entendi que vários dos desistentes apresentavam problemas de déficit de atenção.

Quanto partimos para os jogos em si a carga de trabalho foi dividida muito bem com os bolsistas. O que me liberou para lidar apenas com os casos mais complicados e cuidar da parte estratégica, como mostrar aspectos do processo para os professores. O que me abriu espaço para lidar com as partes que me fazem gostar desse trabalho. Por exemplo, eu gosto de observar as curvas de aprendizado individuais, aprender um jogo novo deixa elas evidentes e ver como alguns dominam o jogo mais rápido que outros. Ver os jogadores tentando adequar as regras do jogo ao que já entendem, o que Piaget chamaria de adequar o novo conhecimento adquirido no jogo às estruturas cognitivas preexistentes e, no meu caso, ver com prazer quando eles assimilam o conhecimento novo e passam a usar as regras de formas que nem eu mesmo imaginaria.

Outro aspecto divertido é ver a aprendizagem coletiva gerada pela interação dos grupos, um típico caso de que o todo e mais do que a soma das partes. Ter grupos jogando o mesmo jogo lado a lado também oferece a possibilidade de comparar as diferenças e considero isso tão interessante quanto ver um raro tipo de coral ou uma aurora boreal.

Ser facilitador num jogo desses também me lembra muito o processo de se narrar, ou mestrar, um jogo de RPG. Uma história contada a partir das ações dos jogadores. E tendo os facilitadores para cuidar das regras pude me dedicar, com afinco, a criação dessa narrativa. Criando um estória a cada jogada e discretamente ressaltando as situações de aprendizagem do jogo a partir das ações deles. Alguns casos foram interessantíssimos, como os grupos que quase acabaram com o jogo por excesso de degradação ambiental e a oportunidade de mostrar como isso foi consequência da ação dos jogadores. Em vários casos estudantes que optaram por não jogar pediram uma chance para fazer isso depois e por uns 50 minutos conseguimos prender toda a atenção daqueles que aceitaram participar.

Apesar de cansativa a experiência é muito estimulante, além dos estudantes é sempre possível conhecer gente interessante: Como o presidente da Aprofama, um sujeito engajado, tão entusiasmado em apresentar seu trabalho para o trabalhador mais simples como falar do mesmo assunto em uma entrevista da TV. Assim como a mãe engenheira florestal querendo mostrar que o mundo vai muito além do que a paisagem urbana oferece e até mesmo um funcionário do shopping de terno que também é skatista e está criando hortas urbanas junto à pistas de skate para envolver adolescentes e afastá-los das drogas.2015-09-11 11.07.23

Enfim, foi como a experiência com a Agrobrasília desse ano, só que expandida. A melhora no treinamento e a atitude dos bolsistas me abriu novos espaços. Os erros do passado melhoraram muito o processo e com os recursos corretos é possível oferecer uma experiência interessante para os jogadores. Resta agora mensurar o quanto se aprende a partir dessa experiência.

E lá fui eu para a Agrobrasília 2015. Dessa vez eu trabalhei  no estande da UnB. A parceria com a UnB, especificamente com o pessoal do Projeto Aquaripária que estava me “hospedando” também rendeu outras oportunidades, como a de trabalhar com mais gente.  Além de jogos, mesas e cadeiras de sempre, dessa vez eu tive estagiários me acompanhando. O que me permitiu acompanhar mais de uma mesa ao mesmo tempo, com resultados bem legais, Jhennyfer e Bruno ajudaram muito e tiveram uma experiência legal, espero eu. A mudança de local também serviu para testar a hipótese de atrair um público mais interessado em jogos educativos que os produtores e pesquisadores que geralmente frequentam o estande da Embrapa.

Se o primeiro dia foi algo frustrante, com poucos interessados, Bastou a Carmen, meu contato com a UnB, incluir uma chamada na rádio interna do evento e me recomendar distribuir algumas filipetas e eu fazer um arranjo mais chamativo das mesas. Nesse aspecto, foi um bom aprendizado pessoal por me mostrar como é mais dura a vida de quem empreende ou lidera projeto. É preciso aprender a pensar mais taticamente, eu preciso deixar o “conforto” de ser apenas operacional. Apenas um pouco de divulgação, nada complexo, e a situação mudou da água para o vinho.

Sendo a Agrobrasíla um evento enorme, mesmo o estande da UnB rende um público bem variado: dos estudantes e professores universitários até alunos de escolas urbanas e rurais. Tive desde grupos de até 10 jogadores ao mesmo tempo, até jogar com outro jogar enquanto apresentava o jogo, com algo em torno de 12 jogadores por dia. O que rendeu um mosaico interessante de casos: Como a experiência que tive em jogar com um agrônomo que trabalha na região do Cerrado e tem experiência em jogos de tabuleiro. Ele observou as similaridades com o bioma que o jogo deve simular e percebeu o potencial educacional com uma profundidade que vi em poucos educadores, ou a professora que não quis jogar, mas fez questão de assistir a partida de duas crianças para analisar como o jogo funcionava e ficou bem satisfeita.

Foto: Liliane Castelões

Foto: Liliane Castelões

Outro caso foi o grupo de 4 garotas que jogou com uma das facilitadoras. Elas estavam preocupadas em acertas as combinações e conseguir um marcar pontos. Nesse meio tempo elas simplesmente esqueceram de recuperar áreas e espertamente a facilitadora deixou acontecer. De repente vem uma chuva, uma série de enchentes, o termômetro ambiental estoura e o jogo termina. As garotas ficam surpresas, aceitam o resultado, mas uma diz que se sente mal de ter terminado o jogo desse jeito. Eu explico e mostro que o que ocorreu foi resultado das ações de todos os jogadores ao longo do jogo todo. Sugiro que esse tipo de coisa ocorre porque geralmente esperamos que outra pessoa faça a preservação e recuperação e o resultado é que, às vezes, ninguém acaba fazendo e todo mundo paga por isso. Elas saem com uma expressão entre o satisfeito e o frustrado. Talvez satisfeitas em jogar e frustadas com o resultado, espero eu.E eu observo novamente como o erro pode ser uma fonte de aprendizado muito mais poderosa que o acerto. Gostaria de saber se aquela partida vai ter algum impacto futuro no modo como elas encaram o meio ambiente. Um tópico para estudo futuro.

Foi um período tão trabalhoso quanto interessante. Creio que agora acertei um modelo e defini os requisitos necessários para um jogo educativo de tabuleiro funcionar em eventos. Esse modelo considera o tempo necessário, tipo de público, recursos humanos e físicos necessários e, cereja do bolo, os recursos de divulgação. Nada mal considerando experiências anteriores que sugeriam que era inviável. Observei que é preciso formar uma boa base de facilitadores, eles são essenciais e o treinamento não é tão simples quanto pode parecer. Existe a atitude certa para ser um bom facilitador, mas também é preciso muito treino para lidar com o jogo e todas as suas situações de aprendizagem. Não é apenas questão de conhecimento, mas de domínio do jogo e flexibilidade para lidar com o imprevisível que a experiência de jogo cria. Mesmo que as regras sejam as mesmas a interação dos jogadores com o jogo e entre si rende um resultado diferente a cada partida. O que corrobora minha idéia que a utilização efetiva de um jogo educativo requer a a capacitação de multiplicadores. Que devem ser bem selecionados para encontrar gente com a atitude adequada para um facilitador e bem treinado para conseguir fazer as situações de aprendizagem propostas pelo jogo funcionarem.

Ainda resta muito a fazer, mas essas experiências me rendem um expertise que vai ser bem útil na hora em que eu partir para um estudo sistemático da aplicação do jogo e avaliação de seu impacto.  Sem contar o ótimo networking que isso rende, como algumas proposta de parceria e os vários pedidos de compra.

A frase embaixo significa “O único filme que começou como comédia e está se tornando um documentário”. Pode não ser do filme original, mas eu achei uma excelente observação.

Eu tenho vários motivos para me lembrar desse filme, e não gosto da maioria deles, mas são evidências inegáveis. Como os cortes de gastos governamentais abatendo o orçamento da educação; o trato com professores  que se tornou um assunto policial; o absurdo desenconhecimento sobre ciências na américa latina; saber que 70% dos brasileiros passarem um ano inteiro sem ler um livro; a preocupante situação das escolas no Brasil e no mundo afora; e observar de forma quase sintomática o debate raso das redes sociais que ilustra como vivemos sob a ditadura do senso comum, tornando senso crítico algo praticamente clandestino. Eu até poderia elencar outros motivos para achar esse filme pertinente mas ficaria deprimido. Considerando essas tristes evidências achei que seria importante pensarmos no que o cinema pode nos sugerir para o futuro. Esse filme foi uma da minhas influências na decisão de estudar educação, uma comédia que sugere como seria o mundo se , como dizia Nelson Rodrigues, os idiotas dominassem o mundo por uma simples questão de superioridade numérica.

Idiocracy (Idiocracy, de 2006) é uma comédia de ficção científica, e de humor negro, que recomendo para qualquer um que se importa com o tema educação, independente de suas preferências políticas. A trama é a história de um cidadão médio e põe médio nisso, o cabo Joe Bauers (Luke Wilson) e a prostituta Rita (Maya Rudolph) que foram cobaias num experimento militar que acaba sendo esquecido. O que era para durar um ano acaba deixando os dois hibernando por mais de 500 anos. Quando eles acordam descobrem que o futuro tornou-se algo inesperado. A humanidade tornou-se infantil, egocêntrica, extremamente anti-intelectual e mentalmente preguiçosa devido a dependência das máquinas feitas no passado,  a nossa época. Eles conseguem usar máquinas, só não fazem idéia de como elas funcionam. Mesmo não sendo um gênio Joe não consegue se adaptar bem à essa nova sociedade. Entre outras coisas porque agora ele é o homem mais inteligente do mundo. Em compensação Rita, que me parece um tanto mais esperta, se adapta sem o muito problema.

Essencialmente, viramos um grande bando de retardados onde tudo foi simplificado/emburrecido para atender os anseios de uma sociedade que trocou a busca por inovação, a curiosidade e o avanço (interno e externo) por qualquer coisa mais fácil e barata. O desejo de descobrir e de aprender, simplesmente acabou. O filme é o inverso das ficções utópicas onde nos tornamos uma sociedade mais avançada e também uma ironia ácida com as distopias apocalípticas. Até então ninguém havia pensando num Mad Max burro como uma porta.

Esse não foi um filme de sucesso, mas ainda assim é marcante. Na verdade o corpo mole da distribuidora do filme explica seu insucesso e até sugere a qualidade inquietante do filme. Não foram exibidos trailers nos cinemas, críticos não receberam cópias do filme, ele nem passou nos cinemas brasileiros, indo direto para os DVD’s, um raro caso de anti-promoção de um filme.  Segundo a wikipedia, existem duas hipóteses: o filme não foi bem recebido em sessões-teste ou a distribuidora temia ofender seu público-alvo (esse argumento é praticamente uma piada pronta).  Para mim, o filme descreve um mundo em que todos os esforços para instigar o senso crítico, iniciativa, inteligência e humanismo caíram por terra.  Sério, zumbis antropófagos são um passeio no parque comparado com isso.  Idiocracy é a perfeita representação do que seria apocalipse para os educadores. É pior que o Ragnarok dos Vikings porque não é uma batalha eterna, mas a derrota final.

Enfim, se você ver esse filme e rir como todo mundo mas também engolir em seco pensando onde nós vamos parar e se dispor a fazer algo sobre isso. Meus parabéns, você faz parte da resistência.  Lutemos para que a Idiocracia seja apenas um filme. Inclusive, como no filme, não existe uma solução mágica e rápida, não se pode voltar no tempo ou sonhar com algo melhor, é preciso lidar com o que temos.  Essa é uma batalha de décadas, na qual a maioria dos que lutaram não será lembrada por isso. Mas a alternativa é horrenda demais para ser aceita impunemente, ainda que seja engraçada.

E participei de novo do dia de campo na Fazenda Santa Brígida em Ipameri. Como antes meu trabalho era aplicar o jogo entre os participantes do dia de campo enquanto eles esperavam sua vez de visitar as estações de demonstração ao longo da fazenda.

Um fator que pegou um pouco dessa vez foi o tempo. Saímos de madrugada para ir até a fazenda, mas o tempo ruim acabou nos atrasando e acabei chegando com o evento já iniciado. O que me rendeu uma preparação para lá de complicada, pois eu tive de praticamente batalhar as minhas mesas para conseguir dispor o jogo. Mas apesar disso logo eu consegui me instalar. Logo consegui confirmar que o ocorrido no ano passado não foi uma exceção, mas a regra. A experiência em Ipameri novamente foi uma das melhores em termo de aplicação de um jogo de tabuleiro educativo em eventos. Atuar como facilitador em duas mesas é cansativo, mas gratificante. Os universitários agiram do mesmo modo do ano passado e alguns chegaram a jogar umas 3 ou 4 rodadas até serem lembrados que o grupo deles tinha de ir para as estações.

Das surpresas foi que dessa vez o jogo atraiu alguns produtores. Nada como uma mesa de jogo cheia para atrair outros jogadores. Foi uma experiência interessante pois um ou outro não era muito seguro em termos de leitura, uma situação nova que me demandou ainda mais tato como facilitador para não criar uma situação constrangedora. Mas nesse ponto o jogo demonstrou funcionar bem por depender muito mais de raciocínio espacial e sensibilidade visual do que necessariamente leitura e memorização. No mais a recepção foi boa, as pessoas perguntaram onde poderiam comprar, como sempre ou se eu poderia lhes dar alguns, como sempre também.

As mesas funcionaram até o final do evento, como esperado e não fiquei ocioso em momento nenhum desde que me instalei. O que me falta agora é tentar um evento maior, algo com outros facilitadores que atendesse grupos grandes, de até uns 25 por vez. Num evento de 600 pessoas eu imagino que consigo garfar um público desses, só me falta desenvolver mais infraestrutura, especialmente em termos de recursos humanos.

635653Estou lendo o Método Soma, de Carlos Albuquerque. O método é uma ferramenta educacional cuja sigla significa: S de sistêmico, O de objetivos claramente definidos, M, monitoramento  e A de avaliação. O que me parece algo bem convergente com a proposta de método lógico que estudei ano passado.

Apesar da experiência e conhecimento do autor o texto não cai na armadilha do prolixo que é tão comum em textos acadêmicos. Na apresentação o autor seus objetivos ressaltando seu aspecto instrumental para municiar educadores no papel de capacitar as pessoas do campo. Para tanto o autor sugere que se observem vários aspectos além do técnico, como o social. O que me parece de acordo com a idéia das diversas esferas da sustentabilidade: social, ambiental e econômica.

Na sua contextualização, onde descreve as mudanças que estão ocorrendo no mundo, o autor descreve a importância da agricultura para a economia brasileira. Porém apesar dessa importância ele não deixa de mostrar que vivemos em uma sociedade distorcida, desigual e que os pequenos agricultores formam um dos grupos mais afetados por essa estrutra socioeconomica disfuncional. Ao mesmo tempo muitas mudanças ocorreram nessa sociedade que começou históricamente agrária e se tornou urbana. A produção agrícola que era tradicional está se tornando cada vez mais científica e tecnológica. Devido a complexidade dessa contextualização o autor criou um quadro comparando as mudanças de paradigmas e as tendências e necessidades que essas mudanças acarretam.

Em seguida temos uma análise do perfil dos agricultores, onde o autor se mostra claras as dificuldades que qualquer um que deseje trabalhar na área de TT e TD&E terá que enfrentar, especialmente para quem está acostumado com o ambiente urbano. O autor também elenca algumas características necessárias, como a paciência e fé no potencial humano especialmente se considerarmos a dificuldade em colher resultados concretos no curto prazo. As notas e boletins de escola fazem pouco sentido nesse ambiente, portanto é preciso criar indicadores específicos para cada caso, com foco nos resultados e não apenas na atividade de capacitação. Também é possível observar as fragilidades conceituais, metodológicas e estruturais da prática atual que devem ser corrigidas:

  • a avaliação da capacitação em si é essencial, especialmente para observar eventuais gargalos na didática e metodologia dos próprios educadores;
  • a frequente ausência de análise das necessidades de aprendizagem e características do público-alvo;
  • a falta de monitoramento do impacto do processo educacional; precariedade geral do ensino rural etc.

As críticas aos aspectos metodológicos convergem com o que é proposto em outras abordagens como modelo lógico, design instrucional e teorias de aprendizagem. Considero um bom sinal ver o eco de outras áreas de conhecimento.

Por outro lado o autor também observa alguns tímidos avanços, como a flexibilização do currículo do MEC, que abre espaço para se trazer a realidade do agricultor para a sala de aula; e o uso de meios de comunicação de massa, como TV, sessões rurais nos jornais impressos e o interesse de instituições públicas e privadas em produzir material didático sobre assuntos relacionados ao campo e, especialmente, o crescente interesse de uma parcela dos próprios agricultores em auto capacitação.

Nas característica da educação de adultos eu gostei da importância que o autor dá ao uso de métodos de ensino variados, especialmente os que privilegiam a interação, como aqueles em que é possível se discutir e executar algo. Como apresentado, os alunos retêm apenas 10% do conteúdo lido, por outro lado, são capazes de reter até 90% do que foi discutido e praticado. Acho que isso é especialmente importante por mostrar o espaço que existe para as técnicas de aprendizagem interativas e como as abordagens centradas na simples transferência de conhecimento são limitadas. Muito do que o autor fala está 100% dentro do que se espera para a educação do século XXI.

Outro aspecto abordado foi o da resistência do público alvo, devido ao fato de estarem longe da escola há muito tempo, ou mesmo por terem uma lembrança ruim da escola, as técnicas de apredizagem tradicionais de sala de aula podem ser especialmente problemáticas nesse contexto. Nesse aspecto é preciso concordar que especialmente os pequenos agricultores são ao mesmo tempo a parcela mais carente de capacitação e também a mais resistente justamente por não estar preparados para lidar a competição existente no setor agrícola.

Em Processo de aprendizagem o autor observa aprendizagem do ponto de vista behaviorista da mudança de comportamento. Porém o autor evitar cair na armadilha de uma abordagem behaviorista restrita em excesso, observando principalmente os aspectos instrumentais para a aprendizagem que essa abordagem oferece. Aspectos como experiência anterior e afetividade também devem ser considerados. O aprendizado não é frio, estático ou linear, mas multidimensional, envolvendo diversos aspectos da inteligência e experiência anterior, moldado pelas necessidades e percepções dos alunos, o que toca na especial importância da motivação. Inclusive observando que o erro pode ser uma rica fonte de aprendizagem.

Assim, detalhando mais a sigla, SOMA pode ser entendido como:

  • Sistêmico: O que importa são os resultados, o sistema é orientado por eles
  • Objetivos: definidos de forma clara e mensurável
  • Monitoramento: deve ser constante para avaliar a evolução das pessoas em capacitação de forma a ajustar o sistema para cumprir os resultados esperados
  • Avaliação, os trabalho executados são constantemente avaliados e o aperfeiçoamento do sistema é feito ao longo do processo (confesso que não entendi bem a diferença entre monitoramento e avaliação).

Em diagnóstico, o autor critica os diagnósticos exaustivos por serem longos e retirarem o produtor rural de seu local de trabalho. O que certamente vai tornar o público resistente. Em contrapartida ele recomenda especial foco no nível de conhecimento específico sobre os temas da capacitação. Assim o diagnóstico seria algo mais gradual, começando com um diagnóstico preliminar e sucinto sobre os aspectos que podem ser resolvidos por meio de capacitação. Um opção seria se basear mais em testes piloto de curso do que em questionários. Isso significa admitir que serão necessários pelos menos 3 testes até o curso estar razoavelmente validado. Nesse ponto os objetivos claros e mensuráveis serão essenciais para validar o curso. O conteúdo é estabelecido em função desses objetivos, a taxonomia de Bloom pode ser bem útil nesse aspecto.

Ainda que o planejamento e execução dos cursos estejam centrados no instrutor é preciso considerar a participação dos alunos. Eles devem ser estimulados a contribuir com sua experiência e a fazerem um feedback construtivo para a qualidade do curso, mesmo que isso signifique mudanças nas técnicas de ensino e conteúdo. Afinal, comunicação é uma via de mão dupla. Se os alunos perceberem que são realmente agentes ativos no curso ficaram mais motivados e oferecerão insights mais significativos, terão melhor participação e melhor aprendizagem.

O autor é favorável ao desenvolvimento de indicadores para medir os resultados do curso, mais como uma forma de tornar o desenvolvimento da capacitação mais objetivo. No entanto, considerando que o objeto da ação de capacitação são as pessoas é preciso aceitar a individualidade e o fato de que as reações e tempos de resposta dos alunos pode se desdobrar de forma inesperada. O que denota a necessidade de humildade e diplomacia da parte de quem planeja e implementa a intervenção.

Nos capítulos seguintes o autor explica melhor seu método e apresenta cases de uso.

Passei os últimos dias entre Caldas Novas e Ipameri, a trabalho. E foi especialmente interessante participar do Dia de Campo sobre ILPF na fazenda Santa Brígida em Ipameri.

O evento contou com a participação de centenas de produtores rurais, extensionistas, profissionais do setor agropecuário e estudantes de cursos como engenharia florestal, agronomia, zootecnia etc. Além de autoridades como um ex-ministro da agricultura, o presidente da Embrapa, o presidente da John Deere etc.

E no meio daquele monte de gente lá estava eu com algumas unidades de jogo. Os participantes, que eram umas boas centenas foram divididos em grupos e caminhavam entre diversas estações dentro da fazenda onde conheciam as tecnologias que estavam sendo aplicadas lá e algumas outras de interesse dos patrocinadores. Especialmente as soluções relacionas à iLPF. E enquanto os grupos esperavam sua vez para irem para as estações eu estava com algumas mesas para eventuais interessados.

As primeiras pessoas olhavam aquelas pecinhas dispostas na mesa perguntavam algo, olhavam mais um pouco e iam embora. Aquilo é o que eu chamos de tensão superficial antes do jogo. A fase de estranheza inicial que afasta a maioria das pessoas. Enquanto ninguém está jogando existe uma certa reserva em “ser o primeiro”.

Para minha sorte essa fase não demorou muito. Logo um pequeno grupo se aproximou e fez as perguntas de sempre. As quais eu respondi e convidei a se sentarem para jogar. A tensão superficial bateu de novo, mas eu assegurei que não só explicaria todas as regras como também estaria próximo para tirar qualquer dúvida.

Assim os 4 ouviram as regras e começaram a jogar e logo o sistema começou a pegar embalo. Como sempre as primeiras rodadas são as mais exigentes para o facilitador, mas logo eles estavam construindo jogadas, discutindo quais as melhores estratégias e muitas vezes negociando entre si jogadas que poderiam ser de interesse mútuo ou que, pelo menos não prejudicassem a jogada de um ou outro.

Com pessoas na mesa o “sistema” jogo realmente passa a funcionar e atrai mais atenção que qualquer explicação minha ou banner poderia fazer. As pessoas se aproximam, observam e fazem perguntas. Logo a outra mesa é ocupada e lá vai uma nova batelada de explicações, mas ajudados pelo que observaram da mesa anterior essa segunda mesa embala bem mais rápido.

Assim, lá estou eu acompanhando duas mesas de jogo. O que já defini que é o limite máximo para um facilitador conseguir apoiar com eficiência. Nesse aspecto é claro que o nível cultural dos participantes reduz muito a carga de trabalho do facilitador. Dessa vez não estou lidando com crianças mas com adultos. Depois que eles quebram o preconceito inicial de estarem numa atividade “infantil” eles se engajam plenamente na atividade.

Grupos de jogadores entram e saem, eu explico regras, tiro dúvidas e comparo o que acontece dentro do sistema do jogo com o mundo real. Usando meus parcos conhecimentos em educação ambiental ajudo eles a conectarem a experiência dentro do jogo, as consequências ambientais de suas decisões e o que pode acontecer uma ou duas jogadas à frente.

As pessoas geralmente saem felizes, algumas desistem rápido mas também temos aqueles que realmente se engajam. Alguns estudantes começam a pedir para continuar na mesa e logo tenho novatos sendo auxiliados por esses “veteranos”. Uma pequena e transitória comunidade de aprendizagem se forma em torno do jogo, eles estudam as regras e aprendem sobre meio ambiente enquanto tentam competir melhor. Alguns jogam tanto que quase se esquecem de ir para as estações. Vários jogadores e espectadores me perguntam onde conseguir o jogo.

Enfim, foi um relativo sucesso, consegui encaixar o jogo dentro de um ambiente diferente. O foco era produção agropecuária, o público não era de estudantes de nível médio, muito pelo contrário. Afinal só vi um participante que devia ter menos de 18 anos. E tudo funcionou, a recepção foi boa, não houve resistência e o jogo se adequou ao resto da estrutura do evento. Acabo de abrir um novo espaço de aplicação.

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