dsc0439Essa é uma resenha e tradução descuidada de um artigo da Jackie Bradbury sobre a escolha de uma arte marcial para crianças. Além de ser uma faixa preta em Arnis Moderno, com um certo gosto por armas brancas, ela também tem dois filhos e o marido que praticando artes marciais.

Assim, espero que também o artigo seja útil para os pais falantes da língua portuguesa que desejam colocar os filhos pequenos numa escola de artes marciais e não sabem por onde começar.

A escolha de uma academia e estilo de arte marcial deve ser analisada com calma. Afinal, o ensino para crianças tem características diferentes do que é feito para adolescentes e adultos.

1. Proximidade, horários e preço

Sejamos honestos, o mais prático é escolher uma escola perto de casa. Agenda ocupada e restrições de orçamento são preocupações importantes. Vários alunos promissores desistem do treino devido à conflitos de agenda. A dificuldade pode ser alinhar essa e outras atividades que as crianças tem. Por isso é importarte considerar outros esportes ou atividades em que a criança também esteja interessada (como inglês, esportes, teatro etc.)

Em termos de preço, a mais cara não necessariamente é a melhor, nem a mais barata e olhe que os preços podem variar muito de um lugar para outro. A questão é considerar o custo x benefício. Outra coisa é saber todos os custos desde o início, é comum existirem outras taxas além da mensalidade, como uniforme, equipamento, testes e etc. Descubra o que é opcional e o que é obrigatório para a atividade. 

2. Defina por que você quer seu filho fazendo artes marciais

Em outras palavras, defina seus objetivos e, como pai, saiba o que esperar de uma criança praticando artes marciais. Os benefícios para as crianças são variados como: aprender disciplina; trabalhar a coordenação motora (o que vai servir para outros esportes); fazer um bom exercício e ganhar preparo físico;  melhorar habilidades sociais; construir auto estima de uma forma positiva; aprender valores éticos e morais e prevenir o bullying e vários outros. Nem toda a escola vai cobrir todos esses tópicos, por isso é importante os pais definirem quais a prioridades e isso é totalmente subjetivo, ignore o que as pessoas digam que é “certo”, ninguém conhece sua família mais que você.

É possível saber se uma escola atende suas necessidades conversando com outros pais que tem filhos na escola e observando as aulas (um ponto que eu considero essencial).  Jackie considera escolas que não demonstrem interesse em dar referências ou não aceitem que os pais observem as aulas como um péssimo sinal, eu concordo. Ela já cortaria tal escola da lista de opções.

Crianças normalmente tem dificuldades em aprender habilidades em aulas antes dos seis anos de idade, por isso que o ensino formal se inicia depois dessa idade. Algumas conseguem antes outras depois, considere como uma média. Existem aulas para crianças de 3 anos, mas o nível de exigência é totalmente diferente (o foco está no lúdico) e depende muito da habilidade do professor. O trabalho de um professor de educação infantil tem demandas bem específicas e requer conhecimentos e habilidades adequadas, não subestime a importância desse tipo de profissional.

Crianças novas não conseguem manter foco num assunto por muito tempo, assim as classes para crianças de 3 até 5 anos costumam a ser curtas, em torno de meia hora. Crianças mais velhas costumam a ter aulas entre 45 minutos e uma hora.

3. O estilo não importa tanto

Sei que soa estranho, mas concordo com ela, que para crianças, essa realmente não é uma questão prioritária. É normal que um professor insista que o estilo que ele ensina é o melhor. Porém, para uma criança o estilo e sua “efetividade nas ruas” não é o mais importante. Capacidade de combate para uma criança não é exatamente um objetivo a ser procurado. E se for isso que os pais estão procurando eu recomendo pensar, com muita calma, se realmente é uma boa idéia.

Portanto, não se preocupe demais se o melhor é jiu-jitsu, kung fu ou karatê. A qualidade do professor e método de ensino adequado para a idade são mais importantes e a transição para outro estilo será mais fácil quando a criança crescer. Isso se a criança continuar querendo praticar, depois de uma certa idade muitas não querem. Acredito que professores experientes são as melhores pessoas para avaliar quem está na idade certa para praticar determinado estilo. Se bem me lembro, o mestre Dada Inocalla sugere o Arnis a partir dos 10 anos de idade. O que não impede nenhum pai de brincar de espada com seu filho.

(+1) Risco e segurança

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É importante entender que não existe risco zero e brincadeiras arriscadas são importantes para o desenvolvimento infantil. Escoriações e pequenos hematomas podem acontecer em qualquer brincadeira, até mesmo no parquinho. Risco é algo a ser gerenciado.

Ainda que crianças não sejam exatamente geniais para fazer avaliação de risco, espera-se que os adultos responsáveis por elas sejam. Eu já vi casos bons, repare nas roupas acima, e outros nem tanto.

Por exemplo, uma vez assisti uma aula em que crianças entre 8 e 10 anos faziam exercícios com bastões longos e o professor deixou eles praticando enquanto ia observar outro grupo. Eram treinos de forma, elas não estavam lutando entre si, apenas aprendendo movimentos com o bastão. Porém, como era um local fechado e bastões demandam muito espaço achei que havia um risco maior que o razoável de um aluno  acertar o outro por acidente, o que acabou acontecendo. Provavelmente foi um incidente isolado, no geral a equipe me pareceu cuidadosa, mas armas demandam cuidados específicos, mesmo as de treino. O importante é ter professores preocupados em equilibrar risco e benefício. A questão a ser observada é: Existe risco da criança se machucar seriamente ou a academia faz um trabalho sério para reduzir esses riscos?

Portanto, é importante observar se o professor e a escola trabalham para gerenciar os riscos inerentes a atividade e se o ambiente da aula é adequado. Se há espaço suficiente para o número de alunos, se é necessário o uso equipamento de proteção, como luvas e capacetes, se o piso é preparado para absorver quedas. Por exemplo, os tatames são ótimos nessa função.

A questão essencial

Após as aulas iniciais o item principal a ser observado é: Seja lá qual for o estilo, as crianças estão se esforçando e se divertindo no tatame? Ela sai feliz e cansada da aula? Para essa idade, essas preocupações já estão de bom tamanho.

Não se apegue a performance (vencer lutas, movimentos acrobáticos etc.) a infância é um bom momento para desenvolver atributos, como flexibilidade, coordenação motora, preparo físico e a tal da inteligência corporal sinestésica se você acreditar na teoria das inteligências múltiplas e, não necessariamente, fazer um salto mortal com chute giratório.

Se a escola trabalha com crianças a partir de determinada idade, provavelmente existem boas razões para isso. Se o professor considera que determinada criança não está pronta para uma atividade, isso não é uma ofensa. Cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento. Quem é rápido em uma coisa pode ser lento para aprender outra e não há nada de errado nisso.

Exigir demais de uma criança é meio caminho andado para ela odiar a atividade no futuro. Brincar é a atividade mais essencial para o desenvolvimento infantil. Aprender algo é bom, mas aula não substitui brincadeira.

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Portanto, de acordo com a idade, eu acredito que se as crianças lutarem assim já está ótimo.

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Assim como a Jackie, eu também acredito que a prática de artes marciais é boa para praticamente qualquer criança na terra. E enquanto elas estão praticando os pais podem tentar também. Todos os benefícios também são válidos e existem famílias onde pais e filhos aprendem juntos. O que era uma necessidade de uma criança pode se tornar uma descoberta para os pais. Divirtam-se.

Referências:

3 Tips For Parents to Choose a Martial Art. Blog The StickChick

Para saber mais:

Como ensinar artes marciais para crianças.

PS: Não sei porque, mas as imagens estavam se distorcendo quando eu coloquei as legendas. Portanto, basta clicar para saber a fonte das imagens.

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