Sobre uma das minhas diversões de férias, o trabalho que ela dá e a aprendizagem que proporciona.


Uma das minhas atividades lúdicas das férias de 2017 foi dar trabalho ao simpático telescópio que dei de presente para meu pai num natal anterior. Dizem alguns que foi umvpresente em causa própria, mas em minha defesa digo que meu pai também faz uso dele é o citado foi um belo avanço em relação aos binóculos que ele já tinha. Os quais, diga-se de passagem, me parecem ser tão astronômicos quanto uma lupa. De qualquer modo foi a experiência dele que me ensinou a extrair mais do equipamento que as tentativas anteriores. Sinal de que o presente teve uso.

E foi debruçado ou deitado sob esse telescópio que passei parte das minhas noites em um algum lugar da Serra da Mantiqueira. Curtindo o céu noturno sob uma temperatura que podia estar abaixo dos 10 graus Celsius. Meu primeiro alvo obviamente foi a grande lua cheia no céu. Naveguei feliz pelo mar da tranquilidade observando o acidentado relevo lunar enquanto imaginava como deve ter sido imenso o impacto que formou as crateras. E, obviamente, chamei toda a família para ver os resultados do meu trabalho em acertar e ajustar o dito cujo.

Em outra noite parti para um alvo mais ousado, como Saturno, que já ia mais alto no céu e demanda mais ajustes. Acertar o alvo com a lente 10mm era um custo e depois de um tempo o planeta teimava em fugir. Que universo é esse que não para de girar? Pelo menos a lente 25mm dava conta do recado. Parecia ínfimo e quase sem cor, mas era possível parecer seu anel e um leve tom avermelhado.

Em outra noite fui atrás de Júpiter. E encontrei ele no céu noturno da área de serviço. Entre árvores, roupas penduradas no varal e muitos ajustes consegui colocar o senhor do olimpo na minha mira. Também não era exatamente imenso, mas era real.

Meu pai me avisou que próximo ao nascer do sol surgia uma ótima oportunidade para encontrar Vênus. Um planeta menor, mas muito mais próximo. Porém eu declinei da tentativa, ou simplesmente fracassei em acordar. O universo pode não ter limites, mas eu tenho e acordar cedo nas férias é um daqueles que eu não desejo superar.

E por que se esticar sobre um instrumento como esse, longe do calor da lareira e no meio da noite fria, é algo tão interessante? Porque é uma oportunidade para colocar as coisas em perspectiva. Para ver o universo do mesmo ângulo que Galileu e Kepler. Para entender a incrível genialidade dos astrólogos da antiguidade que mapeavam constelações à olho nu. Bem como dos navegadores antigos e modernos que eram capazes de se guiar nos oceanos usando estrelas como guia. Por muito tempo esses navegadores encararam um mar que certamente lhes parecia tão imenso quanto nós achamos o universo atual. Eram os astronautas antigos.

Sob um telescópio é possível entender melhor como o universo é imenso. A estrela mirada e ampliada sob todas as lentes que tinha disponíveis continuava pequena e muito distante. Mas também é possível ver que ao lado dela existem milhares de outras invisíveis à olho nu. Em alguns momentos há tantas estrelas que o céu noturno se torna uma textura. Isso mostra como somos pequenos em relação ao universo, mas também mostra como somos incríveis por sermos capazes de perceber isso.

Observar o céu noturno oferece diversas oportunidades de aprendizado. De astronomia, física, mitologia, história, navegação e tecnologia. É uma excelente oportunidade para exercitar o cérebro.

Para alguns podem ser meros pontinhos no céu, mas são os mesmos pontos vistos por Galileu, Copérnico, Kepler, Carl Seagan ou Stephen Hawking. É como ver o mundo sobre os ombros de gigantes.

Os resultados podem até parecer pífios se comparados ao esforço e ao investimento, mas esse é um daqueles casos em que o processo ensina mais que o resultado. O que trabalhei para mapear o céus, mirar, ajustar e etc. me fez aprender muito mais que uma simples bolinha luminosa na noite. E, certamente, isso oferece uma boa perspectiva.

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