tecnologiaUm dos mistérios frustrantes que observei na educação ambiental é que apesar de toda a pesquisa sobre a importância do meio ambiente, as tabelas, análises de campo, publicações, folders, filmes da Disney e o meu próprio jogo é muito difícil observar o que realmente importa, as pessoas começarem a agir diferente. Não é que as pessoas não prestem a atenção nas informações, não as entendam ou não concordem. Mas o que realmente importa é observar elas fazendo algo a partir das informações que receberam. E obter isso é algo muito mais difícil do que se imagina.

Como diz uma genial colega minha: os educadores tem de assumir que, no fundo, o que desejamos é mudança de comportamento sim. Não importa se o aluno chorou de emoção quando aprendeu algo, ainda que seja gratificante, o que queremos é que ele use isso na vida dele.

Mas para tanto, não basta considerar apenas a transferência de conhecimento. Se o aluno demonstra ter memorizado o conteúdo apresentado na escola através de um teste. O mundo vai além das questões de ensino e aprendizagem que ocorrem dentro das paredes da escola. É preciso considerar também as crenças do público e suas eventuais motivações. No caso da tecnologia é preciso considerar a motivação (querer usar); conhecimento (saber usar) e capacidade (poder usar), que vai envolver condições e/ou estrutura. E no aspecto motivacional entra justamente a teoria ação racional de Ajzen e Fisher (2010).

Segundo ela para conseguir esse comportamento é necessário se chegar a uma intenção comportamental, que é influenciada de três fatores:

  • motivação pessoal: a predisposição da pessoa, as crenças inicais do indivíduo, a atitude. São crenças já instaladas na pessoa que raramente são questionadas, em princípio são consideradas corretas e são a base para a formação de novas crenças. Portanto essas, são difíceis de mudar e suponho que geralmente tenta-se não entrar com conflito com elas
  • motivação social: são crenças baseadas em normas, especialmente sociais, comportamentos que são aceitos ou não dentro de um grupo. São as crenças de uma pessoa sobre o que o seu grupo acha que ele deve ou não desempenhar
  • motivação situacional: seriam crenças de controle, baseadas nas experiências passadas e nas circunstâncias do momento. Quanto mais recursos e oportunidades as pessoas pensam que bem e menos obstáculos percebem maior será sua sensação de controle para poder fazer determinado comportamento. Seria algo como: “Isso é legal, mas será que eu consigo fazer, ou será que o que eu consigo fazer faz alguma diferença?”. Percebe como isso vai influir a motivação do sujeito?

Dependendo as crenças observadas e da intensidade os indivíduos vão estar mais suscetíveis ou mais resistentes à adotar algo novo, seja um conhecimento ou um produto.

Esse também é um dos nós de quem trabalha com C&T, especialmente com o T de tecnologia: não basta pesquisar ou desenvolver. Também é preciso que essa tecnologia, produto ou conhecimento, seja efetivamente adotada pelo público-alvo, que ela passe a fazer alguma diferença. E para saber se isso realmente aconteceu é preciso ter uma mudança em um indicador observável. E nesse caso o mais provável é que esse indicador seja uma mudança de comportamento.

Assim, mesmo que você trabalhe com astrofísica, engenharia aeronáutica, rocket science ou mesmo pesquisa agropecuária, na hora de avaliar se suas tecnologias estão sendo adotadas seu objeto de análise será essa esfinge chamada comportamento humano. Um indicador de que seus planos funcionaram é se o público-alvo passou a usar a tal tecnologia ou passou a agir de forma diferente. O que requer observar se essa mudança foi causada pelo uso dessa nova tecnologia e não por qualquer outra coisa, a tal da falsa causalidade.

Foto: Photobucket.com

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