E novamente fui para a Agrobrasília, a grande feira internacional dos Cerrados, do tamanho de uma pequena cidade e que me rende algumas toneladas de trabalho nas semanas anteriores. Trabalho com várias peças de sinalização que vão para o estande da Embrapa e, como designer, é sempre interessante visitar para entender melhor como o material é empregado e como ele funciona no mundo real, além do ambiente de escritório de sempre. Por exemplo, uma faixa de 5 metros tem um peso muito maior que a tela de computador consegue descrever. O reflexo do sol, o vento, o público interagindo, tudo interfere o material. Sair do escritório e ver o seu trabalho pronto no ambiente real não é apenas uma massagem de ego para o designer gráfico, mas um feedback in loco e essencial.

Quanto à minha outra razão para visitar a feira, posso dizer que é um evento em que minha participação já está se tornando tradicional.  Afinal, participei dele em 2014 e 2015 e até tive visita de gente que veio nos anos anteriores. Levar um jogo sobre o Cerrado para uma feira internacional sobre agricultura no Cerrado continua sendo uma boa experiência.Esse foi mais um ano de aplicações do que descobertas: continuei a minha parceria com a UnB, o que me rende um público com perfil muito mais próximo do estou procurando que o público frequentador do estande da Embrapa; chamadas na rádio interna do evento também fazem maravilhas em termos de divulgação, eu que presto pouca atenção ao rádio sempre fico surpreso com isso.

Infelizmente estamos num ano de crise e essa também cobrou seu preço por lá, os estandes foram um pouco menores e eu mesmo trabalhei só por um dia dessa vez. Mas, ainda assim, a experiência continua valendo a pena. Tive uns 21 jogadores, de adultos a crianças de 5 anos e todas gostaram da experiência. O que demanda um bom grau de flexibilidade do facilitador e também é um bom exercício para meus projetos futuros.

Baseado nas experiências anteriores e lembrando que dessa vez não teria os bolsistas que tive no ano passado tomei cuidado para não dar um passo maior que as pernas como facilitador. Atender mais gente que o devido acabava limitando a experiência, o que era muito desgastante para mim e tornava o jogo menos interessante para os jogadores. Assim, trabalhei com dois grupos de jogos: um de 5 pessoas e outros de 2. Houve apenas um momento em que atendi 7 pessoas de uma vez, mas as coisas funcionaram muito melhor do que se tivesse que atender até 12 pessoas de uma vez. Ironicamente foi o momento em que também tive mais pessoas assistindo, o que reforça a necessidade de se trabalhar em grupo e não apenas solo, mas creio que aproveitei bem, porque a descrição do que acontecia no jogo acabava funcionando como uma aula expositiva informal. O que só confirma minha impressão de que a melhor propaganda de um jogo é ele sendo jogado.

E assim se seguiram minha manhã e tarde, acabei almoçando apenas um pastel rápido e passei a maior parte do tempo em pé e bebendo muita água para compensar a garganta secando de tanto falar. Sim, é cansativo, já está na hora de assumir afazeres mais complexos mas eu confesso que adoro fazer esse trabalho. Seja pela aprendizagem, pela diversão, pelo networking ou simplesmente pela oportunidade de ver tanta gente diferente. Ver a faísca da aprendizagem funcionando é o meu inseto recém descoberto se fosse entomologista, minha nova estrela se fosse astrônomo, minha nova proteína se fosse bioquímico. Mas ainda assim, espero curioso pelo ano que vem e as descobertas que o projeto deve trazer. Se tudo der certo minha participação na Agrobrasília e em outras feiras deve ter algumas mudanças importantes no futuro.

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