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Black Stories é um jogo de cartas traduzido e distribuído no Brasil pela Galápagos Jogos que conheci graças ao BoardGame em Casa. Criado pelo designer de jogos Holger Bösch, que se define um fã de histórias de terror e, nesse caso, um contador de histórias. Essencialmente, é um jogo de mistério que deve ser resolvido pela habilidade dos jogadores em fazer as perguntas certas para resolver casos que são histórias de suspense ou terror.

Em contraste com os jogos de tabuleiros complexos, caros e detalhados. Black Stories chega a ser minimalista em sua simplicidade. Até as ilustrações das cartas não tem mais que três cores, considerando o branco do papel. O jogo sequer chega a ter um placar, que não chega a fazer falta. Ainda assim, vários dos elementos formais dos jogos estão lá: existe um objetivo claro, descobrir o mistério; regras, isso deve ser feito através de perguntas; procedimentos, descobrir apenas através de respostas como “sim” e “não”; competição, entre quem deve descobrir o mistério e quem conta a história; consequências, o caminho para se chegar ao resultado esperado é imprevisível e em vários momentos parece bem improvável. O jogo cai perfeitamente bem como um party game, um jogo para ser jogado com várias pessoas em festas e de forma despretensiosa. O tempo de aprendizagem é baixíssimo e em grupo acaba sendo um jogo muito envolvente. Além de que mais gente significa mais insights e mais chances de descoberta. Joguei num final de churrasco e ele harmoniza bem o dueto carne e cerveja, os outros participantes gostaram tanto que me perguntaram onde comprei. Como limitação é um jogo de baixa rejogabilidade, algo característico de jogos de mistério. Afinal, depois de resolvido fica até meio óbvio. O que por outro lado é compensado pelo fato de já existirem duas expansões do jogo, adicionando novos casos.

Em termos de aprendizagem, o jogo é um exercício de pensamento não linear e para os adultos que vivem em seu mundinho corporativo-profissional como eu é uma forma de “acordar” a mente embotada por procedimentos operacionais padrão para o questionamento e para a busca de possibilidades “fora da caixa”. Até o momento, dos mistérios que já descobrimos nada foi dentro das possibilidades mais prováveis. O que acaba sendo um exercício de criatividade e determinação. Porque ao mesmo tempo a experiência também ajuda a se acostumar com a idéia de desorientação, passa-se boa parte do tempo com uma vaga noção se está perto ou não de resolver um mistério, uma habilidade útil para gerência, eu suponho. Creio que existe algum prazer cerebral muito básico de fechar as lacunas, organizar um padrão que parece, à princípio, totalmente desorganizado e fazer com que ele faça sentido. Mais que uma atividade competitiva esse jogo é uma forma de contar histórias.

Acabamos adaptando o jogo para crianças fazendo uma versão para o meu filho. No caso algo bem mais leve e casual que as histórias de terror de original, onde ele deve descobrir quem foi o vilão de desenho animado que roubou o banco ou que dinossauro passou pela floresta. Obviamente o nível de dificuldade é menor, mas a diversão é similar, tanto que virou uma opção comum para longos trajetos de carro em família.

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