Essa é uma frase que eu gosto de dizer. Ainda que seja algo bem agridoce quando acontece com você. Já faz algum tempo que venho trabalhando numa proposta de projeto no trabalho. O processo já havia sido apresentado publicamente e algumas alterações foram feitas. Fiz algumas articulações com colegas de outras unidades, bati com a cara em algumas portas e depois disso a proposta foi enviada para avaliação por um comitê, o que inclui o parecer de dois avaliadores externos (ad hocs, algo muito parecido com o que a FAPESP usa)

Desafiador porque trabalho numa área com processos de trabalho particularmente amadurecidos que funcionam razoavelmente bem. É como trabalhar em trilhos, as coisas fluem, temos vários procedimentos-padrão e afora um ou outro problema logístico a vida segue sem muitas surpresas.

Mas meu projeto sai totalmente desses trilhos. Nele tudo está a ser criado e passo não apenas a depender dos outros, os outros só vão se envolver se eu fizer um trabalho de articulação que é uma dessas habilidades que a escola não ensina, mas a vida real sim. E o mundo fora da zona de conforto é como uma selva inexplorada: bonita, perigosa, atraente e assustadora

Criar um projeto do zero é como ser um náufrago numa ilha deserta, é preciso imaginar e executar toda a infra-estrutura e ainda por cima se ater a todos os detalhes. E olha que sou só um cara com idéias incomuns, me ater a todos os detalhes não é algo muito praticado. Eu sou bom em me ater aos detalhes que já domino, detalhes novos nunca imaginados são um tanto mais difíceis. Mas para o mundo real, o quanto estamos preparados faz pouca diferença.

Inclusive o sistema para carregar as propostas do projeto é pesado e complexo, me lembra o sistema de declaração do imposto de renda. Mas ao mesmo tempo é muito bom para se estruturar a proposta, só o processo de mexer com ele já foi um tremendo aprendizado.

Me preparei tão bem quanto o possível, dentro do meu desconhecimento e limitações. Mas a empresa não é um parquinho e não se arrisca dinheiro com aprendizado alheio. Lendo o parecer sobre meu projeto parece que o pior problema não foi de mérito, mas de pouca consistência. A ironia é que para todas as questões levantadas eu tenho resposta, só não estão no papel. Em vários pontos me parece que o avaliador não entendeu totalmente a idéia, mas era interpretações possíveis.

O que corrobora o parecer desfavorável.

O processo de submissão de projetos é uma liturgia complexa, uma concorrência entre diferentes propostas. Pelo que entendi minha proposta não é ruim, mas ainda não foi boa o suficiente. De qualquer modo, a vantagem é que a crítica foi tão contundente quanto construtiva. Agora eu tenho um critério mais claro para trabalhar, o agridoce prazer do feedback.

Não que eu tenha tempo para corrigir a proposta, mas o aproveitamento do tempo foi consequência das minhas decisões e minha responsabilidade. Seu eu tivesse sido mais efetivo isso ainda poderia ser feito, mas eu não fui.

Agora é hora de por a bola para frente, se não vai por esse lado vai por outro.

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