Devido à uma agenda cada vez mais restrita mudei meus dias de voluntariado para o sábado. E confesso que se eu soubesse que a mudança seria tão boa já teria feito isso a mais tempo.

Por mais que eu negasse, trabalhar depois de um dia inteiro de expediente era um esforço a mais. Mesmo que o trabalho seja simplesmente levar jogos de tabuleiro para crianças e adolescentes jogarem. E para os pacientes, jogar ou se distrair depois de um dia inteiro de tratamento também não é mole. Mas só observei isso quando começei a trabalhar nas manhãs. Os dias são bonitos, eu começo a trabalhar descansado e os pacientes estão muito mais dispostos. Tanto que o número de negativas diminuiu muito. Os pacientes estão muito mais dispostos nesse horário.

E essa mudança também teve seu preço. Logo observei que mal conseguia atender os pacientes interessados. O tempo disponível simplesmente voa. Ainda mais quando é preciso higienizar o material a cada sessão de jogo. O que deixou ainda mais patente a necessidade de mais gente fazendo esse trabalho, temos uma demanda represada para lidar.  Além da internação agora também posso atender os pacientes e acompanhantes que estão esperando atendimento, um grupo diferente do que eu geralmente atendo mas que já me rendeu boas surpresas, sem contar que o cenário do hall é ótimo.

Ao mesmo tempo é muito legal não estar totalmente sozinho, pois agora eu consigo encontrar outros voluntários, como a turma do Reiki que também trabalha por lá. E também tive o prazer de descrever meu trabalho para três interessados. Foi algo interessante observar a quantidade de conhecimento que ganhei com a experiência e ver que a ação de natal rendeu frutos. Um dos meus objetivos era justamente angariar possíveis voluntários. Como o grupo é criterioso com a entrada de voluntários eles devem passar pelo curso de formação de voluntários e entrevista no próximo semestre.

Outra mudança foi nos jogos. A variedade de crianças e adolescentes demanda jogos diferentes. Assim, comprei um pequeno dominó de figuras geométricas e cores e consegui um simpático jogo da memória com dicas de trânsito do DER-DF. O qual ficou viável para o meu uso graças à doação da Orgutal, com as cartas dentro dos sacos plásticos eu não preciso me preocupar com a higienização. Alcool 70% pode ser cruel para a durabilidade das cartinhas. Já o meu jogo de Damas sofreu um triste acidente numa noite chuvosa (não consegui resgatar a maioria das peças pretas) e ainda vou substituir, os adolescentes gostam e não é preciso enfrentar aquele momento complicado de se explicar as regras. Damas é como calça jeans, sempre funciona. Já deixei o jogo para pai e filho ficarem jogando enquanto eu ia atender outro quarto.

Mas ainda assim vou fazendo meu trabalho de formiguinha. Não vai mudar o mundo, mas se trouxer um sorriso e alguma distração para pacientes e familiares durante o meu turno eu já me dou por satisfeito.

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