E lá fui eu para a Agrobrasília 2015. Dessa vez eu trabalhei  no estande da UnB. A parceria com a UnB, especificamente com o pessoal do Projeto Aquaripária que estava me “hospedando” também rendeu outras oportunidades, como a de trabalhar com mais gente.  Além de jogos, mesas e cadeiras de sempre, dessa vez eu tive estagiários me acompanhando. O que me permitiu acompanhar mais de uma mesa ao mesmo tempo, com resultados bem legais, Jhennyfer e Bruno ajudaram muito e tiveram uma experiência legal, espero eu. A mudança de local também serviu para testar a hipótese de atrair um público mais interessado em jogos educativos que os produtores e pesquisadores que geralmente frequentam o estande da Embrapa.

Se o primeiro dia foi algo frustrante, com poucos interessados, Bastou a Carmen, meu contato com a UnB, incluir uma chamada na rádio interna do evento e me recomendar distribuir algumas filipetas e eu fazer um arranjo mais chamativo das mesas. Nesse aspecto, foi um bom aprendizado pessoal por me mostrar como é mais dura a vida de quem empreende ou lidera projeto. É preciso aprender a pensar mais taticamente, eu preciso deixar o “conforto” de ser apenas operacional. Apenas um pouco de divulgação, nada complexo, e a situação mudou da água para o vinho.

Sendo a Agrobrasíla um evento enorme, mesmo o estande da UnB rende um público bem variado: dos estudantes e professores universitários até alunos de escolas urbanas e rurais. Tive desde grupos de até 10 jogadores ao mesmo tempo, até jogar com outro jogar enquanto apresentava o jogo, com algo em torno de 12 jogadores por dia. O que rendeu um mosaico interessante de casos: Como a experiência que tive em jogar com um agrônomo que trabalha na região do Cerrado e tem experiência em jogos de tabuleiro. Ele observou as similaridades com o bioma que o jogo deve simular e percebeu o potencial educacional com uma profundidade que vi em poucos educadores, ou a professora que não quis jogar, mas fez questão de assistir a partida de duas crianças para analisar como o jogo funcionava e ficou bem satisfeita.

Foto: Liliane Castelões
Foto: Liliane Castelões

Outro caso foi o grupo de 4 garotas que jogou com uma das facilitadoras. Elas estavam preocupadas em acertas as combinações e conseguir um marcar pontos. Nesse meio tempo elas simplesmente esqueceram de recuperar áreas e espertamente a facilitadora deixou acontecer. De repente vem uma chuva, uma série de enchentes, o termômetro ambiental estoura e o jogo termina. As garotas ficam surpresas, aceitam o resultado, mas uma diz que se sente mal de ter terminado o jogo desse jeito. Eu explico e mostro que o que ocorreu foi resultado das ações de todos os jogadores ao longo do jogo todo. Sugiro que esse tipo de coisa ocorre porque geralmente esperamos que outra pessoa faça a preservação e recuperação e o resultado é que, às vezes, ninguém acaba fazendo e todo mundo paga por isso. Elas saem com uma expressão entre o satisfeito e o frustrado. Talvez satisfeitas em jogar e frustadas com o resultado, espero eu.E eu observo novamente como o erro pode ser uma fonte de aprendizado muito mais poderosa que o acerto. Gostaria de saber se aquela partida vai ter algum impacto futuro no modo como elas encaram o meio ambiente. Um tópico para estudo futuro.

Foi um período tão trabalhoso quanto interessante. Creio que agora acertei um modelo e defini os requisitos necessários para um jogo educativo de tabuleiro funcionar em eventos. Esse modelo considera o tempo necessário, tipo de público, recursos humanos e físicos necessários e, cereja do bolo, os recursos de divulgação. Nada mal considerando experiências anteriores que sugeriam que era inviável. Observei que é preciso formar uma boa base de facilitadores, eles são essenciais e o treinamento não é tão simples quanto pode parecer. Existe a atitude certa para ser um bom facilitador, mas também é preciso muito treino para lidar com o jogo e todas as suas situações de aprendizagem. Não é apenas questão de conhecimento, mas de domínio do jogo e flexibilidade para lidar com o imprevisível que a experiência de jogo cria. Mesmo que as regras sejam as mesmas a interação dos jogadores com o jogo e entre si rende um resultado diferente a cada partida. O que corrobora minha idéia que a utilização efetiva de um jogo educativo requer a a capacitação de multiplicadores. Que devem ser bem selecionados para encontrar gente com a atitude adequada para um facilitador e bem treinado para conseguir fazer as situações de aprendizagem propostas pelo jogo funcionarem.

Ainda resta muito a fazer, mas essas experiências me rendem um expertise que vai ser bem útil na hora em que eu partir para um estudo sistemático da aplicação do jogo e avaliação de seu impacto.  Sem contar o ótimo networking que isso rende, como algumas proposta de parceria e os vários pedidos de compra.

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