Em 19/12/2014 participei da melhor ação com jogos do ano. Dentre as que eu montei, claro. Em conjunto com o LC da Orgutal, planejamos uma atividade com jogos de tabuleiro no fechamento da Semana de Natal do Hospital da Criança.  A atividade foi basicamente o que meus amigos fãs de jogos chamam de “jogatina”, juntamos vários jogos diferentes para que as pessoas simplesmente joguem, sem placar geral ou apostas.

A tarefa parece algo bem prosaico, mas exige um certo grau de planejamento. Nas nossas jogatinas informais sempre tem alguém que já conheça o jogo e está disposta a ensinar aos outros, ao mesmo tempo todo mundo tem interesse em aprender. No nosso caso o público-alvo eram pessoas de idades variadas, desde pacientes, crianças e adolescentes de até 18 anos, acompanhantes, geralmente os familiares dos pacientes e outros voluntários e funcionários do hospital. O que levou a pensarmos numa seleção adequada para a situação. Jogos mais casuais e despretensiosos, do tipo que mesmo crianças não teriam problemas em jogar. Mas considerando que era um hospital havia um outro complicador: deveriam ser jogos que pudessem ser higienizados antes do uso. Ficaríamos no hall do hospital, um local por onde passam diariamente centenas de pessoas.

A diferença mais legal para meus “Embalos de terça à noite” é que dessa vez eu não estava sozinho. Juntamos um pequeno, porém intrépido, grupo de voluntários que toparam passar sua tarde de sexta jogando. Vários já tinham feito trabalho voluntário,  e em comum todos tinham a disposição de trabalhar e  experiência em jogar. Um erro que eu cometi foi não fazer uma reunião de briefing adequada para preparar os voluntários, mas eles se viraram muito bem apesar disso. Após uma rápida explicação das regras de cada jogo eles foram assumindo mesas e atendendo quem chegasse para jogar. E depois disso as mesas ficaram cheias até o final.

Ao chegarmos no local começamos por higienizar as mesas e jogos. Para isso eu levei 1 litro de álcool 70% e um borrifador que me acompanha nas minhas noites de visita. Só esse trabalho nos rendeu uma “pequena multidão de pequenos curiosos” em torno das mesas perguntando o que aconteceria. Um deles reconheceu uma versão de tabuleiro de Plants vs Zombies e praticamente grudou na mesa, achei que só sairia de lá depois de jogar ou com uma espátula. O jogo fez tanto sucesso que um pai que estava esperando o filho sair do tratamento acabou se tornando voluntário e ficou na mesa para ensinar e jogar com as crianças.

Creio que chegamos a ter uns 6 ou 7 jogos acontecendo ao mesmo tempo. Alguns em grupo e outros apenas em duplas. E logo os pais que assistiam seus filhos jogarem também começaram a tomar seus lugares. No caso do jogo de Cerrado eu jogava ou acompanhava os jogadores, mas quando o processo pegou embalo eles pediam os jogos e jogavam entre si.

A mesa de Dixit foi um sucesso. O jogo é um exemplo de elegância pela simplicidade, sendo fácil de aprender e ao mesmo tempo instigante, funcionando bem com crianças e adultos. Os outros voluntários adoraram e tivemos várias rodadas.  Zoo Panic foi algo mais trabalhoso, sendo um jogo mais complexo quem trabalhou com ele adaptou as regras para as crianças e em vários momentos lidou com alguns que só queriam mesmo andar de carrinho. Glamour, da Oca Studios, fez sucesso entre as meninas, rendendo várias adaptações por parte de quem cuidou do jogo. Quoridor, funcionou muito bem, as partidas duravam em média 15 minutos e as crianças jogavam muito concentradas. Tanto que uma das voluntárias admite que levou uma surra no jogo. Eu mesmo levei uma no jogo de Damas.

No geral o processo correu livre e com um leve tom de caótico, o qual estava sendo tirado de letra pelos voluntários. Eles tomavam a iniciativa e não parecem ter tido constrangimento em lidar com as crianças. Alguns jogavam de brincadeira ou mesmo adiantavam o final do jogo quando viam que o oponente estava se desinteressando. Enquanto outros ralavam para oferecer uma competição razoável. Pacientes de 8 a 10 anos viravam competidores vorazes e alegres, enquanto cada jogo era uma incógnita para os voluntários. Em alguns casos os pais tiveram de buscar os pacientes na mesa e jogo e houve quem dissesse que estava adorando estar no hospital. E o que era para ser uma atividade que pensada para terminar por volta de 16h30 foi até o final do expediente.

Confesso que não saiu exatamente como eu havia planejado, foi melhor.

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