Participei da 6a Feira de Negócios e Inovação promovida pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília, novamente levando o meu jogo para um evento. Mas confesso que eu ando um tanto cético em relação ao uso do jogo em eventos. Acabo ficando muito tempo no local e atendendo poucas pessoas. Ainda que essas pessoas gostassem da experiência o processo estava longe de ser efetivo em termos de custo x benefício.

Assim, dessa vez optei por mudar a abordagem, em vez de simplesmente ocupar um espaço eu iria num horário específico, minha participação seria anunciada ficaria apenas pelo tempo necessário, sem ficar horas esperando por um público eventual.

Explicando o jogo durante a feira
Explicando o jogo durante a feira foto: Lívia Carolina Machado/NPDC/CDT

E assim, alguns minutos antes das 15 horas minha mesa estava pronta, bem como um cavalete com as instruções. Eu preferia um datashow, mas o espaço exíguo e a luz do estande não recomendavam seu uso. Com a ajuda do Júnior da coordenação do estande minha participação foi anunciada e ele pessoalmente fez propaganda da minha atividade. O resultado é que em minutos eu tinha um grupo razoável para jogar. A partir daí as coisas começaram a funcionar como esperado. Regras explicadas e pessoas jogando, eu me segurando para falar apenas o necessário e evitar controlar demais o processo de jogo. Após mais ou menos 15 minutos eles estão totalmente envolvidos. Os dois mais novos ainda estavam inseguros mas jogavam com independência. Eu me concentro em tirar dúvidas, incentivando os jogadores resolverem os problemas sozinhos. É possível observar as diferentes curvas de aprendizado, o que é notado por eles também. O jogo funciona com estudantes do fundamental, mas ele funciona muito bem mesmo é com estudantes universitários, eles começam a incluir suas próprias idéias: como negociarem entre si para ganharem mais pontos; alguns apostam na grande jogada de muitos pontos; enquanto outros vão ganhando poucos pontos de cada vez. Certos elementos como o dano ambiental vão sendo gradativamente esquecidos, até que uma catastrófica chuva estoura o nível de degradação ambiental: acaba o jogo com todos eles perdendo. Apesar da surpresa com o resultado todos concordam plenamente com o ocorrido e ainda assim ficam satisfeitos com a experiência. Dois gostaram tanto que ficam para mais uma rodada.

O efeito de se ver um jogo ser jogado é que isso tem muito mais apelo que peças espalhadas sobre uma mesa e um pobre-coitado como eu convidando passantes para jogar. Pessoas que visitam a feira param, observam com interesse e algumas tomam seus lugares assim que uma sessão de jogo termina. O que era para ser uma mesa de jogo de 1 hora se espalha em sessões de jogo até as 17 horas. Ter o Júnior como apoio fez toda a diferença: ao final de cada sessão ele novamente convida mais pessoas da feira a conhecer o jogo e até me arranja copos de água, muito necessários para alguém falando o tempo todo. Estudantes de biologia e engenharia florestal ficam muito interessados, o que rende boas conversas pós-jogo e fotos da sessão correm uma lista de jogadores de jogos de tabuleiro no whatsapp.
Recebi convites para participar de projetos, fiz contatos bem legais e ofereci uma experiência diferente para os participantes do evento. Em termos de networking valeu a pena e finalmente consegui uma solução melhor para tornar o jogo viável para aplicação em eventos. Se me convidarem com certeza vou de novo.

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