Dia 27 fui para a Escola Classe do Incra 06, uma escola pública de período integral que funciona na zona rural de Brazlândia, no Distrito Federal. Fui junto com o pessoal da UnB para apresentar o jogo para os professores da escola, o projeto Aquaripária pretende desenvolver um trabalho de educação ambiental em conjunto com a escola.
Minha primeira impressão foi boa, fiquei até um tanto surpreso. Afinal, geralmente quando se fala de escolas públicas o se vê são histórias sobre violência, crime ou sucateamento. E essa não parecia ter nada disso. O espaço era simples, mas bem cuidado. Os alunos eram atenciosos e respeitosos com suas professoras e as paredes estavam repletas de fotos e desenhos. Me pareceu um daqueles pequenos pedaços de Brasil que funciona e ninguém quer notar. Visitar um local desses sempre me dá uma certa sensação de reverência. Minhas atribulações de escritório parecem algo irreal na comparação. É de lugares desse tipo que todo mundo fala, do comentarista retardado de internet até a sumidade internacional, todos dizem que educação é a solução. É em lugares como esse que o futuro é realmente construído.

Minha visita tinha dois objetivos. O primeiro era apresentar o jogo para os professores da escola e, principalmente, discutir sobre como o jogo poderia ser empregado em ambiente de sala de aula. Esse aspecto para mim era estratégico, afinal quem realmente entende do assunto são os profissionais que fazem isso no dia a dia. Como bônus, a reunião ainda teve a participação de uma diretora de outra escola classe e outra que trabalha com alunos superdotados. Seria interessante observar como o jogo é visto pelo pessoal que trabalha na “ponta”, os professores e também ver como uma partida pode ser diferente de outra.

Porque também era interessante ter algumas pessoas observando. No total foram duas sessões de jogo, uma com os professores da manhã e outra com os da tarde. Para deixar as coisas mais interessantes ambas foram completamente diferentes. O primeiro grupo foi mais cuidadoso e cooperativo, enquanto o outro se arriscou, e errou mais, foi mais competitivo e se engajou profundamente no jogo. Tanto que a primeira partida durou 45 minutos enquanto outra durou mais de uma hora, com direito a debates acalorados. Enquanto os professores/jogadores competiam eu ia mostrando diversas características da aprendizagem baseada em jogos para os espectadores, era possível ver as estratégias de aprendizagem adotadas, as diferenças de perfil e até mesmo a diferença de velocidade apresentada tanto por indivíduos como pelo grupos. 

Ao final de ambas as sessões os jogadores ficaram muito satisfeitos e eu mais ainda. Para os observadores foi possível ver os diferentes perfis e tempos de aprendizagem, o complexo balé entre competição e colaboração e as diversas reflexòes que surgem ao longo de uma partida. Mostrei esses pontos elenquei as possibilidades de uso de jogos para diagnóstico sobre estilos de aprendizagem e atitudes. As professoras de educação infantil acharam o nível de dificuldade alto para seus alunos, enquanto outros professores recomendaram para as turmas de quinto ano. O que batia com o que eu já havia observado. A maioria demonstrou interesse em jogar mais vezes e foram claros em dizer que é necessário ter um bom domínio do jogo para aplicá-lo em sala de aula.

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