Demorei um pouco para escrever sobre o assunto. Não é um tema comum neste blog, mas considerando a magnitude do fato eu não poderia deixar de observá-lo nesta pequena vizinhança.

Para a família deve ser algo extremamente doloroso, ainda mais uma família grande e que parecia ser unida e certamente teria transformado o palácio do planalto num lugar bem diferente e um pouco mais humano caso ele se tornasse presidente. E não existem pêsames no mundo que sejam suficientes para suavizar essa dor deles

O outro motivo que me faz lamentar é para o país. Eu achava improvável, mas não impossível sua vitória nesta eleição. E superar o improvável foi algo comum na carreira desse pernambucano que no dia 13/08/14 deixou a vida para entrar na história. Infelizmente isso não ocorreu nem no tempo nem na forma que se esperava.

Ariano Suassuna o definia como o político mais brilhante que conheceu e em 90 anos de vida ele deve ter conhecido um monte deles. E acredito que ele poderia ser uma oxigenação a muito necessária na política brasileira. Eu achava que ele poderia ser o homem capaz de juntar o melhor do PSDB e PT nos últimos anos e, quem sabe, se livrar das “alianças” que foram muito mais perniciosas que qualquer governo da vez nos últimos 20 anos. Sem contar que ele foi um dos poucos que conseguiu quebrar essa velha polarização entre os dois partidos.

Sim, ele era um político e, como tal, estimulava uma boa dose de ceticismo. Mas ainda assim, as alternativas à política são ainda piores. Considero a situação do Egito, Iraque e Síria, como uma ilustração do que acontece quando faltam políticos habilidosos a um país. Sem alguém capaz de equilibrar tensões e fazer com que grupos contrários se tolerem o que sobra é o caos. É para isso que um político habilidoso serve e acabamos de perder um.

Muitos dizem que ninguém é insubstituível. Acredito que a resposta é sim e não. É verdade que existem outros líderes brilhantes, mas a individualidade tem seu impacto. Certas contribuições são únicas, especialmente a dos líderes, porque a liderança é muito mais uma questão de talento e atitude do que de estudo ou treinamento. A Inglaterra de 1939 sem um Churchill teria sido bem diferente nos 4 anos que se seguiram, outros líderes teriam buscado outras soluções. A independência da Índia teria tomado outra forma se não fosse a presença de um Gandhi. E Israel talvez fosse bem diferente se não fosse a articulação de um certo diplomata brasileiro chamado Oswaldo Aranha Obviamente que novas lideranças vão surgir, mas essas levam tempo para se formar e sabe-se lá para que direção as atuais vão nos levar. E sim, acho que ele poderia nos levar para um bom caminho. O sujeito tinha 5 filhos, tinha toda a razão do mundo para se preocupar como o país estaria daqui a 50 anos.

Talvez como o país mais civilizado que desde 1988 tentamos criar na base da canetada.

Mas o destino não nos sorriu dessa vez. Como disse Delfim Neto, agora só nos resta imaginar como teria sido o Brasil com ele e sentir saudade de um Brasil que não conheceremos. 

Para a família, ficam os pêsames de mais um brasileiro enlutado.

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