Voltando a velha polêmica sobre a influência dos jogos violentos, surgiu um artigo interessante do Dartmouth College. O artigo sugere que adolescentes que jogam jogos adultos que glorificam o risco e comportamento anti-social tendem a se envolver em outros comportamentos além da agressividade, como uso de alcool, fumo, delinquência e sexo de risco. Tais jogos, especialmente aqueles como o Grand Theft Auto ou ManHunt, afetariam a visão que os adolescentes tem de si mesmos.

Supondo que os avatares que criamos em jogos tem muito mais envolvimento nosso do que outros tipos de personagem, a idéia me parece fazer sentido. O modelo escolhido afetaria as atitudes e valores, incentivando os jogadores a serem mais rebeldes e buscarem emoção.

Gostei especialmente da frase de Kurt Vonnegut “Nós somos o que fingimos ser, assim devemos ser especialmente cuidadosos sobre o que fingimos ser”. O que para mim bate com o discurso inserido em um jogo e o seu potencial retórico. Assim como o cinema ou a literatura jogos estão surgindo com suas próprias concepções de “herói” com a diferença  que nos jogos o grau de imersão é bem maior, afinal o jogador realmente se torna o personagem.

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O que me leva a pensar se os modelos de “herói” seriam uma forma eficaz de influenciar atitudes e, em última instância, o comportamento. Nesse aspecto outro texto interessante sugere 6 motivos pelos quais o desenho Meninas Superpoderosas poderiam ter substituído sua aula de estudos de gênero. Mostrando várias situaçòes em que o desenho quebrou paradigmas de gênero, especialmente os relacionados ao feminino. Possivelmente de uma forma mais suave e eficaz que o pessoal de estudos de gênero conseguiria imaginar. Mas isso é algo a ser confirmado, seria um tema de pesquisa interessante. O que ressalta a importância de observarmos os diversos discursos que estão contidos em desenhos, livros ou jogos. Sendo que esse último campo já observado com especial atenção pelo Ian Bogost.

E voltando à relação entre comportamento de risco e jogos, obviamente essa tendência também é muito agravada pela conduta de certos pais. Um artigo de um vendedor descreveu bem seu incômodo em vender jogos a crianças que estavam abaixo da idade adequada para um determinado jogo, sob a benção omissa de pais incompetentes.

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