Ontem joguei o interessante 1000daysofsyria. O jogo pode ser definido como um newsgame, que seria um jogo baseado em notícias reais. uma tema jornalística apresentado na forma de um jogo a. Seria uma forma diferente de se introduzir um assunto para o leitor, um meio termo entre o jornalismo e o entreterimento .

A idéia me parece bem de acordo com os princípios dos Jogos Persuasivos proposto por Ian Bogost de jogos que mostram uma nova perspectiva sobre determinado assunto e concordo que ele que há um poderoso aspecto retórico que pode ser demonstrado através de jogos.

Nesses aspecto 1000 days of Syria, Mil dias de Síria, é uma forma contundente de se relatar a tragédia que se tornou a guerra civil na Síria. O jogo é resultado do trabalho de Mitch Swenson um dos bravos que ainda tem coragem de entrar no país e o jogo foi uma forma de mostrar o que ocorre lá. No jogo é possível assumir o papel de diferentes personagens, como uma mãe de dois filhos em Daara ou um soldado rebelde em Aleppo. O jogo é brutalmente simples, textos, algumas fotos e decisões que mudam o caminho da narrativa. Ainda assim, devido à qualidade do texto o jogo é um uma jornada sofrida, tocante e, em alguns momentos, aterrorizante sobre a vida de pessoas que perderam tudo. Eu até consegui sobreviver aos 1000 dias de síria, mas sinceramente ficou claro que foi mais sorte do que coragem ou habilidade. E esse é um dos aspectos assustadores, a desesperadora falta de alternativa das pessoas que estão lá.

A idéia, ainda que interessante abre espaço para muita controvérsia. Como demonstrado pelo Bogost jogos são uma forma de discurso, com seu próprio potencial persuasivo e isso considerando que jogos geralmente trabalham com ficção. Como será quando eles tratarem sobre fatos reais, a “verdade”?. Algo entre o imoral e o futuro do jornalismo?

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