Feiras agropecuárias são eventos bem diferentes dos educacionais e ambientais que já trabalhei. De certa forma isso baixava um pouco minhas expectativas, acreditanto que um jogo ambiental educativo certamente não estaria tão “em casa” numa feira como a Agrobrasília 2014

Em termos de limitação, o grande gargalo para o uso do jogo em eventos é a janela de tempo onde o jogo se assenta. Geralmente os estudantes estão em excursão, são dezenas que ficam em torno de 20 minutos em cada local. Afinal, um bom evento é grande e pleno de opções. Porém esse tempo é curto demais para que um jogo educativo e a necessária reflexão sejam efetivos.

Outro aspecto a considerar é o ambiental. O estande era uma área aberta, na qual ventava muito de manhã e vez ou outra eu tinha de sair correndo para catar peças que saíram voando. Uma versão masi pesada, em um material diferente do papel como madeira ou mesmo algo magnético seria o ideal para essa situaçao. Mas mesmo sem esse tipo de material surgiu uma idéia interessante. Um dos técnicos, um sujeito com anos de experiência em eventos e estandes como aquele me sugeriu colar os guias rápidos na mesa. O resultado foi bem interessante, eles não só liberaram as mãos dos estudantes como também acabaram sendo mais usados. Ao mesmo tempo o papel colado não interferia na montagem do mosaico.

Em termos de tipo de público, felizmente o assunto sustentabilidade está criando um campo em comum onde o agronegócio e a preocupação ecológica possam dialogar. Assim, mesmo numa feira agropecuária eu consegui atrair um certo número de interessados. As pessoas com perfil de produtor raramente se interessavam, mas seus filhos, os estudantes de nível médio, técnicos rurais e universitários de áreas como agronomia, ecologia e etc se dispunham a participar. Nesse aspecto achei os estudantes de áreas rurais mais interessados e com insights mais interessantes que os estudantes comuns. Nesse aspecto realmente esse é um jogo melhor para adolescentes que crianças. Realmente a faixa ideal dele é de 12 anos em diante, pois demanda muito menos trabalho do facilitador e esses realmente conseguem aprender e se divertir, com interesse até para fazer uma segunda rodada ou mesmo comprar o jogo e ensinar para os colegas. Nesse aspecto todos participantes disseram que após uma sessão de jogo se sentiam capazes de ensinar alguém a jogar.

Enfim, foi uma pequena participação, mas fiquei satisfeito em fazer parte de um evento de 95 mil visitantes.

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