O termo círculo mágico foi cunhado por Johan Huizinga em Homo Ludens. Esse círculo seria o espaço físico e conceitual onde o jogo ocorre. Um mundo imaginário e temporário onde as regras do jogo são consideradas como uma descrição correta e adequada da realidade, apoiada pelo comum acordo com os jogadores. Seria esse círculo mágico que faz com que mover as torre em linhas retas no tabuleiro seja a forma correta de se mover a peça em vez de se jogar a peça no nariz do adversário. É dentro dele em que se torna aceitável a idéia de que as regras podem ser uma descrição correta do funcionamento de um sistema real, fora do círculo mágico. Como, por exemplo, as peças de Ticket to Ride que definem a criação de ferrovias ou a sequência de mercado de energia de Power Grid. Esse atributo do círculo seria o que combina competição e colaboração do jogo e explica as características motivantes dos jogos.

Nesse aspecto observei que o círculo é muito mais frágil de se manter do que eu gostaria. O primeiro ponto é que jogos, especialmente quando jogados pela primeira vez tem algo de intimidador e a maioria das pessoas simplesmente não gosta de se sentir intimidada ou ameaçada. É… meio decepctionante, mas extremamente humano não? Especialmente numa situação pública como um jogo de tabuleiro.

Esse círculo que parece tão forte quanto ferro quando os jogadores estão animados pode ser delicado como cristal em sala de aula. E é justamente esse um dos grandes complicadores para o uso de jogos nesse ambiente. Se Gee (2003) e cia advogam o poder dos jogos para fins de aprendizagem, esse poder está completamente ligado a se manter esse círculo, que é baseado no comum acordo dos jogadores.

Para evitar que o círculo se desfaça é importante lembrar que o círculo mágico não vai se formar no vácuo. Como todos os seres humanos alunos têm suas próprias experiências, traumas e relações entre os colegas. O círculo mágico não vai apagar isso, mas vai se formar dentro desse contexto. E se ambos, contexto e círculo, colidirem certamente o círculo vai se quebrar em mil pedacinhos.

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