Passei os últimos dias entre Caldas Novas e Ipameri, a trabalho. E foi especialmente interessante participar do Dia de Campo sobre ILPF na fazenda Santa Brígida em Ipameri.

O evento contou com a participação de centenas de produtores rurais, extensionistas, profissionais do setor agropecuário e estudantes de cursos como engenharia florestal, agronomia, zootecnia etc. Além de autoridades como um ex-ministro da agricultura, o presidente da Embrapa, o presidente da John Deere etc.

E no meio daquele monte de gente lá estava eu com algumas unidades de jogo. Os participantes, que eram umas boas centenas foram divididos em grupos e caminhavam entre diversas estações dentro da fazenda onde conheciam as tecnologias que estavam sendo aplicadas lá e algumas outras de interesse dos patrocinadores. Especialmente as soluções relacionas à iLPF. E enquanto os grupos esperavam sua vez para irem para as estações eu estava com algumas mesas para eventuais interessados.

As primeiras pessoas olhavam aquelas pecinhas dispostas na mesa perguntavam algo, olhavam mais um pouco e iam embora. Aquilo é o que eu chamos de tensão superficial antes do jogo. A fase de estranheza inicial que afasta a maioria das pessoas. Enquanto ninguém está jogando existe uma certa reserva em “ser o primeiro”.

Para minha sorte essa fase não demorou muito. Logo um pequeno grupo se aproximou e fez as perguntas de sempre. As quais eu respondi e convidei a se sentarem para jogar. A tensão superficial bateu de novo, mas eu assegurei que não só explicaria todas as regras como também estaria próximo para tirar qualquer dúvida.

Assim os 4 ouviram as regras e começaram a jogar e logo o sistema começou a pegar embalo. Como sempre as primeiras rodadas são as mais exigentes para o facilitador, mas logo eles estavam construindo jogadas, discutindo quais as melhores estratégias e muitas vezes negociando entre si jogadas que poderiam ser de interesse mútuo ou que, pelo menos não prejudicassem a jogada de um ou outro.

Com pessoas na mesa o “sistema” jogo realmente passa a funcionar e atrai mais atenção que qualquer explicação minha ou banner poderia fazer. As pessoas se aproximam, observam e fazem perguntas. Logo a outra mesa é ocupada e lá vai uma nova batelada de explicações, mas ajudados pelo que observaram da mesa anterior essa segunda mesa embala bem mais rápido.

Assim, lá estou eu acompanhando duas mesas de jogo. O que já defini que é o limite máximo para um facilitador conseguir apoiar com eficiência. Nesse aspecto é claro que o nível cultural dos participantes reduz muito a carga de trabalho do facilitador. Dessa vez não estou lidando com crianças mas com adultos. Depois que eles quebram o preconceito inicial de estarem numa atividade “infantil” eles se engajam plenamente na atividade.

Grupos de jogadores entram e saem, eu explico regras, tiro dúvidas e comparo o que acontece dentro do sistema do jogo com o mundo real. Usando meus parcos conhecimentos em educação ambiental ajudo eles a conectarem a experiência dentro do jogo, as consequências ambientais de suas decisões e o que pode acontecer uma ou duas jogadas à frente.

As pessoas geralmente saem felizes, algumas desistem rápido mas também temos aqueles que realmente se engajam. Alguns estudantes começam a pedir para continuar na mesa e logo tenho novatos sendo auxiliados por esses “veteranos”. Uma pequena e transitória comunidade de aprendizagem se forma em torno do jogo, eles estudam as regras e aprendem sobre meio ambiente enquanto tentam competir melhor. Alguns jogam tanto que quase se esquecem de ir para as estações. Vários jogadores e espectadores me perguntam onde conseguir o jogo.

Enfim, foi um relativo sucesso, consegui encaixar o jogo dentro de um ambiente diferente. O foco era produção agropecuária, o público não era de estudantes de nível médio, muito pelo contrário. Afinal só vi um participante que devia ter menos de 18 anos. E tudo funcionou, a recepção foi boa, não houve resistência e o jogo se adequou ao resto da estrutura do evento. Acabo de abrir um novo espaço de aplicação.

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