Fiquei na dúvida sobre em qual blog eu encaixava esse texto, como tive uma abordagem mais acadêmica acabou indo para meu blog profissional, ainda que tenha várias implicações familiares. Bem, um dia desses estava lendo sobre o que os americanos chamam de Terrible Twos, a descrição dele para uma “particularidade”que surge nas crianças por volta de 2 anos. Quando seu lindo e fofo bebezinho vira uma sirene de birras e parece dedicar boa parte de seu tempo para inventar modos de deixar a vida dos pais insuportável. Bem, o lado bom é que passa e faz parte do pacote, todo mundo passa por isso, pelo menos é o que dizem.

Bem, o artigo começou interessante pela seguinte comparação:

“Imagine uma criança de dois anos fazendo aquelas coisas que fazem os terríveis 2 anos terríveis, como agarrar, chutar, gritar, empurrar, socar e morder.

Agora imagine ele fazendo isso tudo com o corpo e capacidades de alguém de 18 anos.”

Assim, temos duas descrições: a de um criança normal e de um jovem criminoso violento normal. No caso brasileiro daquele tipo que vemos na televisão que faz tanta gente desprezar o ECA.

Segundo o Dr. Tremblay da University College Dublin, uma criança nessa idade é um criatura que reflexivamente usa violência para conseguir o que deseja enquanto o criminoso é aquele raro tipode pessoa que nunca aprendeu a fazer outra coisa. Assim, criminosos não seriam somente os que se tornam violentos, mas aqueles que continuaram sendo assim. E essa idéia vem sendo observada em outros estudos. Um outro estudioso da Ohio State University observou que crianças usam violência muito mais que membros de gangues. “Graças a Deus que crianças não usam armas” Interessante ouvir isso do cidadão de uma país que faz rifles para crianças de 5 anos em diante.

O artigo reforçou uma impressão que eu tinha sobre os vários casos de crime no Brasil. Sempre vi uma mórbida semelhança no sujeito que mata a esposa por não aceitar o fim do relacionamento e a criança que joga os brinquedos no chão porque vai ter de parar para almoçar. O sujeito que se joga pela janela depois de cometer um crime em casa tem algo em comum com a criança que se joga no chão porque foi contrariada.

O artigo cita vários estudos diferentes mostrando esse padrão, crianças violentas que vão se aquietando com o passar do tempo, enquanto outras continam violentas até que se tornam criminosos. De certa forma a própria violência pode ser entendida como um problema de aprendizado. A incapacidade, ou ausência de orientação, em algumas crianças para aprender alternativas ao uso de violência.

Nesse aspecto os estudos mostram um resultado otimista, a maiora das pessoas está mais apta a aprender a civilidade do que a crueldade. O outro aspecto é que o entendimento sobre o assunto aumenta a cada dia, bem como as políticas públicas para capacitar os pais para futuramente produzirmos adultos menos violentos. E também é um essencial por mostrar que, apesar do que a mídia gosta de pintar, os violentos são excessão e não regra.

Fonte: DOBBS, David. Terribles Twos Who Stay Terrible. disponível em http://well.blogs.nytimes.com/2013/12/16/terrible-twos-who-stay-terrible/

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