capa do livro

fonte:souagro.com.br

Em 2012 fui convidado a participar de uma ação de educação ambiental dentro do projeto Prospecção Domesticação e Seleção de Novas Oleaginosas para produção de Biodiesel. Era uma oportunidade inesperada, mas muito interessante como experiência e aprendizagem pessoal.

Para mim não apenas era a primeira vez que participava da escrita de um livro, também era um gênero que eu não via desde a infância. Assim, tive de fazer uma série de pesquisas sobre o gênero, tanto em termo de texto como de design e tenho a sorte de ter vários sobrinhos na idade correta para discutir o assunto e um filho com o qual vejo os mesmos filmes infantis toda a semana. Como toda boa adversidade a paternidade desenvolve uma série de habilidades na gente.

Dentro do projeto eu acabei virando um ponto de conexão entre diversas partes do projeto. Seja conversando com a Dra.  Maria Lucia Meirelles, a líder do projeto e quem concebeu a idéia do livro, pegando material técnico com o Dr. Nilton Junqueira e aprovando idéias do texto com eles, detalhando a trama e acertando objetivos educacionais com a minha colega Franscica Elijani. Com a Jani tivemos a oportunidade de exercitar uma capacidade pouco aproveitada entre os revisores da maioria das empresas. Como os conhecimentos dela sobre literatura e didática que combinamos para criar uma trama que fosse ao mesmo tempo interessante e tivesse um caráter educacional. Nesse aspecto um livro paradidático pode ser mais simples por não ter a exigência de objetividade de um livro didático, mas é ao mesmo tempo algo quase traiçoeiro (os ingleses diriam tricky) devido ao risco de se perder o foco para algum lado. Um discreto e afiado fio de navalha.

O outro aspecto desafiador foi, pela segunda vez, trabalhar como designer e ao mesmo cliente. Enquanto estava diagramando o trabalho, para reduzir custos, eu também era o contato com uma empresa de design que trabalharia na ilustração, acompanhamento gráfico e capa. Nesse ponto um houve um conflito para mim como cliente/designer que também é uma tentação para todo o cliente e, como designer, algo que eu sempre odiei: tentar fazer com que o designer, nesse caso o ilustrador, produza exatamente o que você deseja nos mínimos detalhes.

Como eu sempre gosto de dizer, designer não é uma impressora de coisas bonitinhas que reclama. Por mais que eu esteja envolvido no trabalho, em alguns momentos um visão externa pode trazer resultados ainda melhores.  Assim, sempre tentei pautar meu trabalho com a Caju Design como um diálogo, o qual rendeu muito bem. Em vários momentos o resultado não foi o que eu havia pensando, sendo muitas vezes uma solução até melhor. Por outro lado, o design era uma das peças desse imenso quebra-cabeças do qual o cliente tem uma visão mais ampla que os briefings possam oferecer. Por melhor que seja o planejamento na fase de briefing um certo trabalho de gerência sempre será necessário.

A produção de um livro, mesmo infantil, é um trabalho complexo  e multidisciplinar, como demonstrado pelos vários nomes que estão na folha de rosto e a infinidade de especialidades. Que, nesse caso, foi coroado com o lançamento no I Congresso de Macaúba em Patos de Minas.  Alguns podem se perguntar qual é a serventia de um livro infantil para a Embrapa. O que foi muito bem descrito por minha colega Jussara Arbues, da forma abaixo:

“a missão da Embrapa é “viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira” e, neste contexto, levar ao conhecimento da sociedade, seja ela representada pelos públicos-alvos citados por você ou o público infantil, não a desmerece, ao contrário, aproxima o saber científico daqueles que necessitam conhecê-lo. Uma pena que pense que crianças não são agentes críticos do saber. Num país, onde a educação é sempre relegado a segundo plano, vejo com bons olhos quando cientistas renomados e formadores de opinião se dignam a escrever para aqueles que, no futuro, serão os pesquisadores, quiçá, da Embrapa. Segundo Ivani Fazenda, “Aprender a pesquisar, fazendo pesquisa, é próprio de uma educação interdisciplinar, que, segundo nossos dados, deveria se iniciar desde a pré-escola.  […]”. É papel sim da Embrapa despertar interesse para a pesquisa e uma maneira de aproximar o jovem para este gosto se traduz na iniciativa louvável de nossos colegas. Não é só um “livrinho”, é, antes de mais nada, um instrumento de transferência de tecnologia e do saber científico.””

Eu não teria dito melhor.

Anúncios