Este texto surgiu de uma resenha do artigo:

MILL, Daniel; ABREU-E-LIMA; Denise; LIMA, Valéria Sperduti; TANCREDI, Regina Maria Simões Puccinelli. O desafio de uma interação de qualidade na educação a distância: o tutor e sua importância nesse processo. Cadernos da Pedagogia,  ano 2, v. 2, n. 04 agosto/dezembro 2008.

Creio que um dos pontos essenciais do artigo foi lembrar que a interação, apesar de ser algo aparentemente simples é, na verdade, a chave para o Ensino a Distância (EaD). Como diria Freire (2006, p.25) não há docente sem discente, mostrando que a aprendizagem surge justamente da interação.

O que também converge com as propostas de Mattar (2012) quando ele diz que tutoria envolve mais do “tirar dúvidas ou enviar avisos motivacionais”. Focando nos aspectos essenciais da interação é preciso sempre lembrar que interação é um processo de mão-dupla. Na verdade se nos basearmos em Dyke (2009 p.306) e sua descrição do processo de aprendizagem reflexiva podemos considerar até que esse processo tem algo de  tridimensional. Sendo muito mais complexo que a tradicional educação bancária descrita por Freire (2006) poderia abarcar. E dentre esses aspectos da interação o artigo aborda com especial atenção a questão do feedback, que seria onde o processo de comunicação e interação entre alunos, tutor e conteúdo se completa e se realimenta.

Nesse ponto o artigo descreve as peculiaridades e necessidades para que o feedback torne-se uma ferramenta de aprendizagem efetiva.  Como a necessidade de que esse feedback seja completo e específico o suficiente para que o aluno reflita sobre sua aprendizagem e se está trilhando o caminho que esperava. E que este feeback deve atender a um timing específico dentro do contexto do curso para que seja realmente eficaz. O tutor não deve apenas comentar ou corrigir, mas criar condições para que o aluno aprenda. O que reduz, mas não impede, a sensação de isolamento do aluno que pode levar este a sair do curso. Nesse ponto não podemos nos esquecer que o processo está centrado no aluno e não no tutor. Há limites para nossa atuação.

Um aspecto que os autores colocam e que eu já havia observado na minha própria experiência em Ead é o resgate da importância da escrita, que se torna a ferramenta básica de interação dentro dos ambientes virtuais de aprendizagem utilizados para prática de EaD atual. Apesar das críticas sobre sua suposta impessoalidade o ensino a distância mediado pelo computador oferece até algumas vantagens frente ao modelo presencial, por reduzir o impacto de fatores como aparência, sotaque, timidez e outros fatores que influenciam a comunicação verbal. Nesse ambiente “minimalista” talvez se possa atentar principalmente para o conteúdo.

Outras referências:

Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 165 p

Dyke, M. (2009) An enabling framework for reflexive learning: Experiential learning and reflexivity in contemporary modernity. International Journal of Lifelong Education. Volume 28 Issue 3.

Mattar. J.(2012.  Tutoria e Interação em Ead. blog. Disponível em http://joaomattar.com/blog/2012/08/10/tutoria-e-interacao-em-ead-2/

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