Outro tópico interessante do evento foi o Workshop de simulação militar em sua segunda edição, com diversas palestras interessantes. Onde foi possível ver as diversas iniciativas de simulação que estão sendo desenvolvidas no Brasil.

A grosso modo, há 3 tipos de simulação em que oMinistério da Defesa (MD) está trabalhando atualmente:

  • Simulação viva: os tradicionais exercícios militares, com equipamento e tropas reais
  • Simulação virtual: aquela que usa computadores para criar ambientes virtuais onde a simulação vai ocorrer, geralmente usada para o nível operacional e tático
  • Simulação construtiva: também envolve meios virtuais, mas geralmente vai envolver o nível estratégico, desenvolvimento de doutrinas etc. Essa seria especialmente beneficiada pela integração de simuladores entre as 3 forças.

Conversando com um tenente-coronel que estava no estande do Exército Brasileiro (EB), ele comentou  que o MD tem uma subcomissão de simulação e  que eles estão trabalhando na criação de protocolos comuns de desenvolvimento e modelagem de simulação para as 3 forças. Dessa forma, todas vão poder trabalhar de forma interligada e com mais profundidade. Outra proposta que ele comentou é a ligação entre simuladores. Assim, eventualmente o simulador de helicóptero em Taubaté poderia atuar em conjunto com o de tanque em Santa Maria, por exemplo. No stand do EB também foi exibido um simulador de viatura de uso geral para motoristas.

Dentre outros, na simulação virtual um dos objetivos é desenvolver a memória muscular e se afinar procedimentos. Um exemplo são os simuladores de tiro, estandes virtuais com armas reais e o recuo simulado com ar-comprimido e o resultado, o alvo, simulado por computador numa grande tela à frente do soldado. Assim, é possivel exercitar tiro diversas vezes, sem munição real, sem desgaste da arma e com menos risco para os praticantes. Os fuzileiros tem um destes no RJ. Na escola de blindados há diversos simuladores para adestramento nos sistemas do Leopard 1, os quais vão englobar desde os procedimentos básicos  até a tática. Há desde cabines de simulação para motorista até a torre de treinamento do tanque Leopard 1 permitindo treino individual ou em equipe. Assim, suponho que é possível exercitar uma habilidade muito difícil de ser ensinada por livros e aulas, que é a tomada de decisões durante situações em constante mudança, como deve ser uma guerra.

Uma das coisas que achei mais interessante é que, pelo que entendi, os militares já pensam de forma interligada: usando uma simulação para validar outra: a simulação viva fornece dados para a simulação virtual e ambas para a simulação construtiva. Assim, os resultados do exercício feitos por frações de tropa no campo alimentam dados de desempenho para simular o desempenho de grupos maiores.

Um dos simuladores de tanque. Fonte: Blog ForTe

O EB também está desenvolvendo um simulador para guerra cibernética, focando tanto em ataque como defesa cibernética, há até artigos acerca do assunto. Na marinha existem vários simuladores de passadiço, desde os usados pela Marinha Mercante até as versões militares e também foram desenvolvidos simuladores de artilharia (CFN), Periscópio, de Imersão e Guerra Eletrônica. Estão desenvolvendo também um simulador para o caça bombardeio naval AF-1. No momento, existe um simulador simplificado que serve mais para familiarizar o piloto com o cockpit da aeronave. Na parte dos submarinos também estão fazendo simuladores para  os submarinos scorpene-BR e planejam simuladores construtivos para casos de crise nuclear. O que será usado tanto para desenvolver protocolos para o novo submarino como também para validar os protocolos atualmente vigente nas usinas nucleares de Angra.

Na área de segurança pública achei interessante um simulador de multidão que estão desenvolvendo em Santa Catarina. Onde foi mostrado o case do Engenhão, onde através da simulação mostraram eventuais gargalos no movimento da multidão e o tempo que levaria para esvaziar o estádio. Existe uma exigência da FIFA de que todos os estádios devem ser esvaziados em, no máximo, 8 minutos. Assim, é possível validar a qualidade dos projetos através de simulação.

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