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Talvez seja apenas a surpresa de quem foi pela primeira vez, mas achei a SBGames 2012 bem legal. A àrea de jogos eletrônicos brasileira demonstrou ser mais variada e interessante que eu poderia imaginar ainda que exista muito para ser explorado. A produção acadêmica é bem diversa e o número de aplicações relacionadas à educação também foi alto. Intelectualmente é um ótimo exercício de networking e descoberta, ventilando a cabeça para novas e ainda mais interessantes possibilidades. E também foi minha primeira experiência apresentando um artigo completo, no caso o Desenvolvimento de Ilustrações para um Jogo Educativo sobre o Cerrado Brasileiro através de Pesquisa-ação.

nosso poster
nosso poster

Afora a Conferência em Southampton nunca havia participado de um evento desses e posso dizer que nesse caso participei de um evento enorme, com várias centenas de participantes.  Minha primeira participação foi fazer a zaga do poster que escrevi junto com o Dr. André (risos) Dados e cartas na escola: o potencial pedagógico dos jogos não-eletrônicos. A experiência de escrever em conjunto foi interessante e graças a participação dele o poster ficou muito melhor do que eu poderia ter imaginado. O que só reforça minha fé nos trabalhos em conjunto. O evento tem uma rápida apresentação dos posteres, na verdade uma propaganda de 1 minuto, que é praticamente uma piada interna do evento, mas deu uma boa noção do que iria encontrar. Ficar do lado do poster para explicá-lo foi uma experiência intelectual mais interessante que eu poderia imaginar. Você acaba se interessando pelos posters ao lado e quando se dá conta está batendo o maior papo sobre o poster do vizinho. Em vários casos encontrei referências que eu mesmo havia usado e melhor ainda referências e abordagens que eu sequer havia imaginado.  Considerando que escolhemos um tema um tanto “ousado”, discutindo jogos de tabuleiro num evento de jogos eletrônicos, a receptividade do público foi muito melhor que eu poderia imaginar.

Além das palestras creio que uma das grandes vantagens desse tipo de evento é o networking que rendeu algumas possibilidades legais: Um dos coordenadores da trilha de arte e design ficou muito curioso sobre o trabalho (esse um full paper) que apresentei na trilha de Arte e Design. Pelo que entendi, ele está fazendo um trabalho conjunto com o pessoal da computação da UnB relacionado ao desenvolvimento de jogos eletrônicos. Uma pessoa que tive o prazer de conhecer pessoalmente foi o João Mattar que, entre outras coisas, é o inspirador deste blog. Para mim Mattar tipo de acadêmico que gostaria de me tornar, por combinar uma sólida base de conhecimentos em educação e filosofia com o paixão e curiosidade por tecnologia que geralmente encontramos nos jovens. Dentre as oportunidades perdidas eu não só acabei conversando muito pouco com ele como também não levei minha edição de Games em Educação para ele autografar. Outra pessoa que, no caso, eu “re-conheci” foi o Luiz Claudio Duarte, que apresentou um trabalho bem legal sobre a importância dos jogos de tabuleiro no projeto de jogos eletrônicos, com ênfase na prototipagem. O que significa que um jogo de tabuleiro seria um ótimo protótipo para um jogo eletrônico.

Dentre os trabalhos apresentados na triha de arte e design achei interessante o projeto de redesign de um jogo para o ensino da arte, com o foco no jogo como uma experiência estética. Se já estamos redesenhando nossos jogos, significa que estamos alcançando novos níveis de desenvolvimento e principalmente análise crítica sobre o assunto. Assisti a uma interessante palestra sobre criatividade que foi bem interessante. Ele defende o que chamou de “remix” de idéias para jogos, como aproveitar as mecânicas de jogo para criar novos jogos.

também serviu para eu encontrar umas propostas de jogo bem bizarras
também serviu para encontrar umas propostas bem bizarras

Também vi vários pequenos estúdios de jogos interessante com exemplos de jogos com temáticas nacionais que vi por lá. Ironicamente numa palestra ouço de um desenvolvedor espanhol que esse é um diferencial importante no qual os brasileiros devem trabalhar: conceber jogos com temáticas nacionais/regionais. Ele enfaticamente sugeriu que em vez dos designers brasileiros continuarem recliclando temas estrangeiros que se dedicassem a explorar mais os temas nacionais. Esse seria um ponto onde poderíamos acrescentar algo único no cenário internacional. Seguem abaixo alguns exemplos legais do nordeste. Inclusive foi uma grata surpresa a variedade de desenvolvedores nordestinos, sejam paraibanos, pernambucanos, cearenses e baianos se apresentando por lá. Convenhamos, TI é uma área que sempre me pareceu típica do eixo Rio-São Paulo, mas foi um prazer estar errado.

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