Mais uma das coisas interessantes que extraí do From Sun Tzu to XBox: A controvérsia sobre o problema do exagero do jogos parece ser tão antiga quanto a idéia de se jogar em si. Na China confuncionista a prática do Go, ou Weiqui, era vista como uma arte menor, no mesmo nível da bebederia e dos jogos de azar. Porém, no turbulento período dos estados guerreiros o estado de conflito e questionamento dos preceitos confuncionistas levou a prática do jogo a um novo nível, tornando-se a ferramenta de aprendizado da elite no Oriente. Um jogo onde se preconiza o uso da inteligência e habilidade sobre a simples força bruta tem seu espaço num período como esse.

Até o nosso xadrez teve sua quota. Jovens aristocratas eram avisados a não jogar demais, avisando de que o envolvimento exagerado resultaria em apenas preocupação e ansiedade inúteis, desenvolvimente de uma habilidade que serve apenas para o próprio xadrez, o jogo tornaria-se um fim em si mesmo. Assim, uma habilidade moderada era mais útil que o domínio avançado do jogo.

Inclusive outra das controvérsias foi justamente com o aspecto militar dos jogos e outros brinquedos. Afinal, brinquedos sempre foram uma imitação reduzida das ferramentas dos adultas e, de certa forma, uma forma de um criança entender a aprender o trabalho de seu pais. Portanto, armas de brinquedo provavelmente são tão antigas quanto as armas em si. Assim, se a partir do século XVII soldadinhos de chumbo eram o objeto de desejo entre as crianças, no século XIX já havia a preocupação desses brinquedos se tornarem uma glamourização da guerra e um incentivo à violência. Em 1888 já se falava em proibir que crianças usassem armas de brinquedo e que as mães deveriam ensinar as crianças a não gostar de guerra desde a primeira infância. Que em vez de usarem capacetes e armas elas deviam ser ensinadas a usar tratores e construir pontes. Pode parecer exagero, mas muita gente liga a grande difusão de brinquedos com temática militar com a excitação belicosa que marcou a Europa e EUA no início da I guerra mundial.

Enfim, já eram os primeiros esforços para tirar o glamour das guerras e não muito diferente das críticas politicamente corretas a brinquedos que se parecem com armas hoje em dia.

 

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