Ok, a idéia soa absurda, mas a realidade pode ser muito mais divertida que o nosso senso comum imagina. Uma pesquisa de Daphne Maurer, da Universidade McMaster, no Canadá observou que pessoas acometidas na infância por catarata congênita podem ser curadas através de uma simples intervenção comportamental.  E essa intervenção é o videogame Medal of Honor. O jogo é um First-person-shooter (atirador em primeira pessoa) e obriga os jogadores a prestar a atenção em diferentes pontos da tela.

Bem, antes de mais nada vamos entender o problema: A catarata congênita é uma doença visual considerada incurável após os 7 anos de idade, mesmo intervenção cirúrgica ou uso de lentes não tinham efeito.  Crianças com a doença ter dificuldade em observar detalhes e acompanhar movimento com os olhos.

Porém a pesquisadora afirma que 5 de 6 adultos com catarata congênita tiveram melhora na visão jogando Medal of Honor, após 40 horas de jogo ao longo de 4 semanas. E ainda que o êxito do experimento não tenha sido absoluto houve uma grande melhora na visão de pacientes considerados até então incuráveis. O experimento também foi promissor para a redução de estrabismo.

Outro caso parecido foi o experimento de Dennis Levi da University of California que também obteve dados promissores usando o Medal of Honor e SimCity Societies para o tratamento da Ambliopia. Uma deficiência de desenvolvimento do sistema visual ocorrida durante a maturação do sistema nervoso central, que se completa aos 6-7 anos que geralmente resulta em baixa acuidade visual.  Os 20 voluntários do experimento tiveram uma melhora de 30% na acuidade visual com ambos os jogos e 50% tiveram melhora na percepção tridimensional.

O que parece acontecer é que os jogos estimulam o cérebro, especialmente a área visual. Assim são reabertas janelas de aprendizado que acreditava-se estarem fechadas apos os 6-7 anos de idade. O cérebro estimulado faria novas ligações e o desenvolvimento cognitivo reduzira ou resolveria os problemas visuais.

Óbvio que isso implica num uso controlado de jogos. Foram situações feitas em ambientes controlados, mas os resultados foram tão promissores que a Dr. Maurer está analisando as características dos jogos para criar versões terapêuticas (entenda-se sem tiroteio) para aplicar à crianças. Que é algo bem parecido com o que eu gostaria de fazer.

 

 

 

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