Ontem vi duas matérias sobre educação em emissoras diferentes. A Globo vêm fazendo uma série com análises de escolas. Usando os dados do Ideb eles analisam a melhor e a pior escola da cidade sorteada. Me pareceu uma matéria bem montada, onde eles são acompanhados por um especialista em educação que comenta sobre os erros e acertos de cada escola. Ainda que tenha minhas dúvidas sobre o que significa especialista em educação nesse caso parece as matérias sobre o assunto estão saindo do achismo e procurando indicadores mais decentes para analisar o ensino. Por mais problemas que o IDEB possa ter é melhor um indicador pouco preciso do que indicador nenhum e um pouco de rigor científico vai ser muito bem vindo. Tudo bem que foi o tipo de profundidade que faltou na análise do caso do livro de português do Mec, do qual vi uma das poucas boas análises aqui.

A outra matéria foi do SBT, uma daquelas matérias mundo-cão sobre o uso de drogas em escolas públicas na periferia. É interessante por mostrar a gravidade do problema e o complexo de avestruz dos administradores escolares em negar que o problema existe. E fica claro que o problema não é só de dinheiro, mas de gestão e integração de ações entre departamentos diferentes. Por exemplo, tanto o jornalista quanto o diretor fala na PM que está ou não está na porta da escola, mas ninguém comenta que se a polícia civil fizesse um trabalho de inteligência desarticulasse as quadrilhas que vendem drogas nas escola talvez houvesse um impacto muito maior.

De qualquer modo, se virmos por uma perspectiva histórica as coisas estão melhorando, ainda que num ritmo lento. O acesso a escola aumentou e a discussão sobre a qualidade do ensino é um assunto recorrente dentro da mídia e que logo vai alcançar os pais. O tópico ensino está lentamente voltando a ter sua devida importância no país, mas além das soluções de boteco parece estar se reincorporando ao pensamento do brasileiro.

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