Eu confesso que não é um bom assunto e minha analise não acrescenta nem um centavo na discussão. Mas a avalanche de matérias sobre o assunto mostra torna isso difícil. Além do horror provocado pelo massacre em si a cobertura da imprensa consegue tornar a chaga ainda mais doída. Horas de cobertura ao vivo e jornalistas em prontidão chegaram a um ponto que simplesmente não tinham mais o que dizer, mas ainda assim continuam escavando assunto.

E ao fazer isso deram aquele infeliz exatamente o que ele queria. Dezenas de artigos esmiuçando detalhes de sua vida, mostrando seu rosto e suas cartas. Especialistas tentando levantar dados a partir de suas cartas desencontradas e dão ainda mais destaque para alguém que foi um invisível em vida. Um sujeito que provavelmente nunca foi bom o suficiente para se aproximar de uma mulher resolver cometer o supremo ato de malcriação. Uma criança surtada, na verdade um fraco com armas, resolveu atingir a todos que considerava responsáveis pela sua invisibilidade já que não era capaz de assumir que chegou nessa condição por seus próprios pés. O que ele desejava era fazer algo para garantir que na morte fosse eternamente lembrado.

Por isso acredito que divulgar nome, idéias e evidências desse infeliz é dar exatamente o que ele desejava e, pior ainda, incentivar outros fracos como ele a fazer o mesmo. Seu nome não devia ser divulgado ou lembrado, suas idéias analisadas apenas para se encontrar indicadores que permitam encontrar outros como ele. De resto, uma cova de indigente e o esquecimento. Já que não dá para trazer ele de volta, para punir, ao menos que não dêem o que ele desejava.

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