Uma preocupação comum quando se fala no uso de jogos para fins educacionais é a aparente falta de seriedade de jogos. De fato Jones (1995) considera o termo jogo muito banalizado e ambivalente. Em algumas de suas experiências sobre aprendizado interativo ele sugere que os termos podem produzir reações diferentes nos participantes de uma atividade de jogo. De acordo com ele, o problema que ocorre é que a atitude dos jogadores pode mudar de acordo com o termos empregado. Jogos denotam algo divertido e pouco sério enquanto o termo simulação sugere algo mais rigoroso e profissional. O resultado é que jogadores supostamente se engajam menos na atividade do que os que estão tratando o assunto como uma simulação, por exemplo. No início do livro o autor dá um divertido exemplo disso mostrando o uso de verbo “play” na lingua inglesa, o qual está mais ligado a atividades lúdicas e artísticas do que a coisas “sérias”. Como  o autor diz: “students study biology do not play biology. A professor engages in research he doesn’t play research.” (Jones, 1988:105).

Esse aspecto faz eco com os achados de Drake (2009) em sua pesquisa junto a militares do exército britânico em que alguns dos instrutores entrevistados preferiam usar  termo simulação ao invés do termo jogo porque acreditam que o recrutas não levam os exercícios tão a sério se forem chamados de jogos. Freitas e Levene (2004) observaram a mesma tendência em sua pesquisa com instrutores e especialistas em educação.

Bogost (2008) comenta que isso resulta do fato que jogos ainda são vistos como uma mídia usada por crianças e adolescentes e que ainda é uma mídia pouco estudada. Buckingham (2006) vai ainda mais fundo e mostra que muitos dos defensores dos jogos ainda exortam o seu potencial Gee (2003)  porém como há poucas soluções específicas e análises empíricas sobre o assunto. Eu me lembro que a Katrin Becker (de quem sou fã) comentou uma vez em seu blog que já está na hora do estudo de jogos avançar e ser menos genérico também, mas confesso que não achei o artigo ou fiquei com preguiça de procurar de procurar mais a fundo.

Eu acho um tanto irônico pensar nisso quando lembro que um dos tipos de organizações que mais investiu em jogos como forma de desenvolver e afiar as habilidades são famosas por sua falta de interesse em diversão, as organizações militares. Eu poderia entrar em vários exemplos, como aquele batido do xadrez, de como eles usam jogos há séculos mas vamos variar um pouco.  Por exemplo, Prensky (2001) vai mais além e sugere que muito da atual indústria de videogames é resultado do investimento de organizações miltares americanas em simulação para fins de treinamento e desenvolvimento. Prensky considera a relação entre a indústria de videogames e pesquisas para treinamento militar quase que simbióticas.

Eu acho, para dizer o mínimo, inadequado pensar que a vantagem dos jogos está na questão de tornar o aprendizado divertido. O Resnick (2004) tem críticas contundentes a essa idéia de mistura entre divertimento e educação chamada edutainment. Acredito que o grande diferencial dos jogos está em capturar a motivação que os jogos conseguem instigar nos jogadores e observar como o aprendizado se processa dentro do ambiente de jogo. Conseguir que estudantes se engagem no aprendizado com a mesma gana que comandam exércitos, enfrentam zumbis, pulam sobre cogumelos ou administram uma cidade é, a meu ver, o real valor que os jogos podem trazer para a educação.

Referências:

FREITAS, S. I.; LEVENE, M. (2004) An Investigation of The Use of Simulations and Video Gaming for Supporting Exploratory Learning and Developing Higher-Order Cognitive Skills. IADIS International Conference Cognition and Exploratory Learning in Digital Age. [Online] Available at http://www.iadis.net/dl/final_uploads/200407L005.pdf (Accessed on: 10 December 2009)

RESNICK, M. (2004) Edutainment? No Thanks. I Prefer Playful Learning. Available in http://www.roboludens.net/Edut_Articoli/Playful_Learning.pdf (Accessed on: 8 February 2010)

JONES, K. (1988) Interactive Learning Events: a guide for facilitators. London: Koogan Page.

(depois coloco as outras)

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