E na semana passada após mais de 90 páginas e quase um ano de trabalho minha dissertação estava impressa e pronta para o envio para Southampton. Me baseando em comentários do colegas mais experientes as últimas semanas foram bem típicas de um mestrado. Como o volume imenso de pequenas correções e as alterações e questionamentos de última hora que estavam me enlouquecendo. Na fase final o texto parece se tornar algo monolítico e pouco flexível, alterações em um ponto significavam “n” pequenos ajustes para que a alteração fizesse sentido. Em alguns momentos olhei para meu texto e não conseguia imaginar como eu havia conseguido escrever aquilo, melhorar então soava ainda mais impossível. Em vários outros me flagrei descobrindo que já havia escrito exatamente o que achava que estava faltando. E apesar do inevitável grau de ansiedade tive o último e mais tranquilo tutorial com o Martin e a Zhen. Segundo eles todas as respostas estavam lá, apenas necessitando de mais ênfase em alguns casos. Mas confesso que a noção de quais conhecimentos são óbvios e quais são originais torna-se um tanto borrada.

As usual pequenos detalhes não imaginados também insistem em te pegar na traição surgindo do nada ou, pior ainda, te fazendo se perguntar por que não pensou naquilo antes. A quantidade de pequenos dados que podem dar errado é imensa e o prazo, apesar de não ser desesperador, estava se próximo do limite, ainda mais para alguém que dependeria de um correio internacional.

De qualquer forma, no final eu consegui chegar a um resultado, meu projeto além de um jogo é um instrumento de pesquisa sobre o aprendizado baseado em jogos. Além de que agora eu tenho um método sólido e iterativo de desenvolver jogos através de pesquisa-ação. E mais do que o potencial de jogos educativos tenho uma visão pouco falada pela literatura, das limitações deles. Não é nada fantásticamente inovador mais consegui comprovar a importância dos testes de jogos proposta por Fullerton, pode ser uma replicação, mas afinal é uma das coisas que uma dissertação deve fazer. Ainda que um dos aprendizados claros que tive é de que ainda não tenho a maturidade necessária para um doutorado, é algo que vou precisar dos próximos anos para desenvolver, existem várias idéias de projeto que posso desenvolver nesse meio tempo.

Enfim, consegui fazer e sobreviver ao maior projeto da minha vida e ao mesmo tempo fechar uma era pessoal. E, felizmente, termino essa fase com razões para acreditar que isso vai ser superado logo.

Basta me acostumar com o frio na barriga enquanto espero a nota.

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