Analisando os dados da última sessão surgiu uma questão interessante. Em uma certa peça os participantes conseguiram desenvolver um uso tático para atacar outros jogadores usando a tal peça, porém tivemos uma longa discussão se isso seria didático, pois eles achavam que tal peça incentiva um uso agressivo de um elemento que deve ser evitado, e considerado ruim, a todo o custo.

A questão demonstra claramente como tendemos a pensar, em termos de aprendizado, na base do prêmio x punição, que é claramente reflexo de nosso hábito de calcular nossa vida numa base de custo benefício, o que me parece apontar para as teorias behavioristas de aprendizagem. Acho o argumento deles válido, porém ele em parte colide com o modelo que aprendizagem que quero adotar. Eu não pretendo dizer aos jogadores o que é certo ou errado, mas usar o ambiente de jogo como um indutor de reflexão. Na qual o jogador aprenderia através da reflexão sobre a experiência que teve durante o jogo. Por um lado o argumento dos meus colegas bate com a idéia do Bogost sobre o uso retórico dos jogos, ou mesmo o cuidado entre a doutrinação e a educação a que o Martin se referiu tempos atrás.

De qualquer modo, fica a questão, eu não posso dizer que estou evitando de ferramentas behavioristas, em vários momentos eles aprendem durante o jogo por tentativa e erro ou mesmo recompensa e punição. Porém a ênfase nesse recurso me preocupa. Por um lado eu desejo que os jogadores usem a ferramenta para entender os efeitos do fator ambiental que esta simula, no caso um bioma. Mesmo que seja algo considerado errado pelos pesquisadores este é um erro que eu desejo que ocorra justamente para que os jogadores observem as conseqüências e reflitam sobre isso. Como diz o Jones, até os erros são uma fonte rica de aprendizado.

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