Não que a primeira rodada de análises esteja completa, mas depois de uma sessão com os especialistas em Cerrado e outra com o pessoal de Educação Ambiental era preciso avançar para um novo protótipo que incorporasse os pontos que ambas as reuniões levantaram. Então, baseado em umas 20 páginas de entrevista e mesa redonda eu tive toneladas de dados para analisar e produzir a versão 2.

Isso soa bem prosaico, mas o problema foi que ela deu chabu, observei que o jogo tinha alguns problemas que não seria mudados apenas com a alteração de regras, um trabalho mais estrutural seria necessário. O resultado foi ter de abandonar a versão dois e partir para o protótipo 3. E tudo isso sendo feitohá apenas um dia da nova rodada de testes.

O resultado foi que a sessão de hoje começou com tudo para dar errado. Requerendo pequenos ajustes, como receber os participantes e convidá-los à uma alegre e rápida sessão de terapia ocupacional para cortar as peças recém impressas e outros detalhes como foram acontecendo ao longo do processo. Mas graças ao imenso apoio, e paciência, de meus colegas conseguimos começar sem maiores problemas. Fiz uma rápida apresentação do jogo focando principalmente nas mudanças de regras e história que fiz com base nas conversas com os participantes e uma descrição de como seria esta reunião.  Um dos efeitos que inferi foi que a curva de aprendizado do jogo está mais suave. A necessidade de moderação foi menor e os jogadores começaram a se regular mais rapidamente, é impressionante observar como eles se envolvem rápido.

Baseado em minha conversa com o Martin dessa vez me preocupei menos com a questão de  organizar a pesquisa ou tratar a parte da mesa redonda como uma entrevista em grupo. Dessa forma as coisas seguiram de forma mais fluída e fiz um senhor esforço para evitar sugestões “táticas”: Como responder perguntas do tipo “qual é a melhor jogada?”. Se por um lado eu não preciso agir tanto, do outro o pequeno grau de controle que o pesquisador têm sobre o processo beira o assustador. E como eu consigo enganar bem, ouvi até elogios à minha disposição em receber sugestões e críticas de forma aberta. Mas de fato faço isso porque preciso mesmo deles tranquilos justamente para oferecer tanto feedback quando possível, por esse comentário posso entender que estou atuando bem. E para mostrar que compensou o resultado foi uma experiência rica, me pergunto se eles percebem o quando estão se engajando no processo.

Observando o jogo e a discussão depois vi o aprendizado ocorrer seguindo aquele modelo “nuclear” de aprendizado reflexivo. Eles aprendem de fontes variadas, como a própria experiência,  experiência alheia, informações do meio etc. A beleza da coisa está em ver como o aprendizado ocorre de forma indomável, não-lienar e imprevisível, há “zonas” de probabilidade, mas apenas isso.  O que reforça minha impressão de que jogos funcionam mais como ambientes de aprendizagem do que necessariamente ferramentas de aprendizagem. O jogo cria condições que incentivam o aprendizado, fazendo com que eles usem sua cognição para jogar, mas o quê, quanto e como eles estão aprendendo não são coisas sobre as quais eu possa falar no momento.

Uma das coisas que preciso tomar cuidado é a empolgação, vejo os participantes cairem na mesma tentação que me assola de vez em quando. Querer que o jogo cresça demais e leve complexidade a níveis inviáveis, é a ganância de ensinar que pode acometer esses jogos. Outro ponto que me preocupa é o desejo retórico, a vontade de enfatizar certos pontos para se alinhar às nossas crenças e visões, um aspecto doutrinário que o Martin e a Zhen haviam comentado e com o qual vou ter de aprender a lidar.

Enfim, mais um passo mas ainda há uma renca de outros à espera, outra sessão com o pessoal da educação ambiental me espera. Além de um simpático natal escrevendo e degravando dados.

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