Uma das coisas interessantes dos testes foi observar a tendência humana que temos em preencher vazios com nossa interpretação. Ao encontrar algo desconhecido tentamos assimilar a novidade à nossa estrutura cognitiva, geralmente comparando com coisas que já conhecemos, isso fica bem demonstrado pelo uso comum de metáforas, comparações e analogias que fazemos quando tentamos entender uma novidade.  Comparando meus grupos de teste isso ficou bem visível ( e também mais rico) devido ao caráter multidisciplinar do grupo de participantes.  Por exemplo, termo “exploração” sequer foi mencionado em um grupo, enquanto no outro rendeu controvérsia.  E dessas diferenças, que alguns considerariam conflitos, eu consigo triangular vários achados interessantes para melhorar projeto em si. Inclusive essas diferenças só mostram como foi acertado trazer a minha pesquisa para o Brasil. Se na minha primeira língua já tenho de lidar com esse nível de detalhe imagino o pesadelo que seria fazer coletar os dados em inglês e interpretá-los.

Outro ponto que está sendo um aprendizado é o das entrevistas. Assim como design, entrevistar está demonstrando ser uma dessas habilidades que são apenas aparentemente fáceis. Conseguir fazer com que as pessoas falem, mesmo que essas não sejam resistentes de forma consciente é uma arte na qual ainda estou nos meus tropeços. Ás vezes por simples timidez ou insegurança as pessoas tendem a não falar ou procuram me dar uma resposta “certa”, que é tudo o que eu não preciso. Por outro lado, estou impressionado sobre como as falas das pessoas são ricas em informação, seus comentários são imensamente mais detalhados e densos que suas anotações e é possível ver suas linhas de raciocínio evoluindo à medida que falam. Nesse aspecto o jogo funciona como um “catalizador cognitivo” ao colocar o jogador pensando e refletindo sobre estratégias, conhecimentos e jogadas, realmente as sessões de entrevista feitas logo depois do jogo têm são claramente mais fortes que as feitas dias depois.

Enfim, as coisas seguem interessantes e eu mal começei a análise de dados.

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