E ontem tive minhas duas sessões, como esperado foi deveras interessante e envolver gente com um conhecimentos totalmente diferentes dos meus rendeu novos avanços, muitos que eu nunca teria imaginado. Eles tentaram manobras novas e criaram situações totalmente inesperadas.

Dentre vários pontos interessantes um deles foi observar a relação entre jogos e aprendizado ocorrendo na minha frente.  Foi possível ver a teoria cognitiva funcionando direitinho, eles começaram imitando as jogadas do caderno de regras, depois começaram a jogar com mais fluidez assimilando o conteúdo e finalmente começaram a se adaptar as situações imprevisíveis que o jogo criava. Vendo a filmagem isso ficou visível no fato de que como moderador fui muito mais acionado no início do jogo para explicar regras ou dirimir dúvidas e esse grau de intervenção pôde se reduzir ao longo do processo. Logo os próprios jogadores passaram a se regular, corrigindo aqueles que tentam fazer algo proibido pelas regras, recorrendo ao próprio material de jogo ou até mesmo negociando jogadas. Sem perceberem eles tornaram-se uma comunidade de aprendizagem cujo foco era fazer o ambiente de jogo funcionar. Apesar do aspecto competitivo eles estavam colaborando entre si para garantir que o jogo funcionasse, o que confirma a idéia de Rapport de que mesmo um jogo competitivo tem seu aspecto colaborativo.

Como esperado há vários pontos a serem melhorados. O primeiro é que ainda tenho de praticar mais a apresentação das regras os jogadores se mostraram inseguros sobre o que devia ser feito e acho que isso tornou a assimilação do jogo mais lenta. Outra cobrança foi a adequação das regras a história, a cobrança de maior conexão entre a história do jogo  e as regras na forma de uma narrativa foi muito cobrada, sem esta adequação narrativa muitas regras soavam arbitrárias. Com jogadores demoraram para assimilá-las, ou simplesmente se tornavam resistentes a usar certas cartas por não concordarem com estas dentro da narrativa de jogo. Algumas vezes eu tive de interferir para que a sessão de jogo não se tornasse a discussão do jogo em si, o que mostrou que condução do grupo é uma habilidade que ainda preciso desenvolver .  Consegui fazer alguns melhoramentos entre uma sessão e outra, o que não é nada mal considerando que tive apenas 1h de espaço para fazer isso. Vi  que naturalmente as pessoas querem tecer comentários que consideram relevantes e isso é muito bom. O problema é que essas intervenções tomavam muito tempo e desviavam os participantes do foco da fase de jogo. Simplesmente pedir para que a pessoa guardasse aquele comentário para depois do jogo mostrou-se ineficaz e arriscava tornar os participantes resistentes, afinal alguns estavam fazendo isso por empolgação.  Além de me requerer um considerável cuidado para evitar não “defender” o meu trabalho e misturar a fase de jogo com a discussão, ou tornar a sessão um julgamento. A solução foi desdobrar o questionário, e deixar a folha de comentários já disponível durante o jogo. Assim eles poderiam anotar a idéia no “calor do momento” e eu conseguiria manter a fase de jogo correndo normalmente.

Ainda assim um dos problemas foi que as sessões de jogo foram imensamente mais longas que o esperado, eu errei minhas estimativas de longe. E foi possível começar a supor qual é a curva de eficiência do jogo entre motivação e tempo. Além de diversos detalhes de interface e narrativa que vou ter de resolver para deixar o jogo mais fluído. Agora o que me resta é a fase de analisar os dados que obtive. E ver o que posso concluir a partir deles.

Ainda há muita estrada a percorrer.

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