Andando em suas ruas há algo de latino que se reflete numa discreta sensação de conforto e familiaridade, seja pelo sol (que funciona) ou pela brisa marítima que refresca e não congela. Por outro lado a cidade explode em variedade, criatividade e ousadia de uma forma impressionante. Barcelona se reinventou no ínício entre fins do século XIX e início do séc. XX para uma feira mundial, indo além de sua herança medieval, que permanece no Bairro Gótico. Mas o fez novamente com as olimpíadas de 1992. Confesso que sinto uma certa ponta de inveja em relação a Brasília, esmagada no peso de suas vacas sagradas, enquanto a profusão de escultores, arquitetos e artistas levam a cidade à beira do surrealismo.

Meu páreo de grandes igrejas, nas quais rolava uma pesada concorrência entre Westminter, Winchester, Notre Dame, Helsinki e Upsenki subitamente virou de cabeça para baixo com a visita à Sagrada Família. Minha preferências entre românicas, suecas, góticas e russas foram demolidas pelo Neo-gótico de uma catedral que nem sequer está pronta. Os vitrais flamejantes e as formas orgânicas a tornam única e a questão da inauguração periga a ser resolvida por volta de 2025, só mais uns quinze anos.

Barcelona é variada, modernista como ela só, ousada e com grandes puxadas para o podicrê, mas com uma sofisticação que falta ao charme pelourinho de Amsterdam. Há coisas bonitas e ousadas desde os grandes prédios de negócios até o desenho dos postes. Os quais finalmente me fizeram entender a capa de um certo livro.

Em termos de comida, apesar dos cardápios em catalão serem um sofrimento para o meu pobre entendimento tenho comido bem e gostoso, com essa noite fechada entre suculentas costeletas de carneiro e um gostoso vinho no Barril, sendo que a noite anterior foi com uma lasanha de carne de porco deliciosa. A taverna Can Marguerit é um desses lugares com muito mais história que seus freqüentadores, com cartazes originais da Feira Internacional de Barcelona de 1929 em suas paredes, grandes barris de vinho nas laterais e antiguidades cheias de história por suas paredes.

O metrô de Barcelona, apesar de eficiente é um dos mais confusos que já vi, tanto em termos de arquitetura como de sinalização e conseguia me deixar totalmente desorientado toda vez que saía de suas estações. Mas a cidade é linda e se perder em Barcelona é quase um prazer, já que cada curva guarda um beco ou uma praça interessante e cheia de histórias para contar. De uma praça medieval é possível cruzar a esquina para muralhas romanas e apenas alguns passos separam o ateliê sujo de tinta do restaurante de luxo.  Isso é algo que se pode encontrar especialmente no Bairro Gótico.

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