Depois da belíssima e sombria Edimburgo meu périplo europeu continua por Amsterdam na Holanda. A cidade tem algo de Santa Tereza, sem os morros mas com aquele charme malandro e meio zoneado que me lembrou o bairro carioca. Há algo de cinematográfico no Red Light district, consigo imaginar um filme de ação percorrendo as ruas apertadas e o brilhante asfalto molhado da cidade.

Dentre as surpresas interessantes pontuo o museu de Anne Frank. A guerra pode ser um assunto fascinante, mas admito que essa fascinação me envergonhou ao caminhar pela casa dessa linda menininha transformada em Museu. Principalmente porque você não consegue imaginar o que ela e sua família fizeram para merecer 1% do que lhes esperava. Há algo muito incômodo quando as vítimas deixam de ser números e passam a ter vidas, anseios, sonhos e alma.

Sua história apresenta ironias tristes e felizes, como o fato de ter morrido pouco mais de um mês antes de seu campo ser libertado pelos aliados. Por outro lado, em 1944 quando um ministro holandês no exílio propôs que os holandeses em território ocupado contassem sua histórias quando da futura libertação ela viu a oportunidade de transformar sua história num diário e cumprir o sonho de se tornar uma escritora e, dentre tantos sonhos destruídos, esse ela conseguiu tornar realidade, ainda que postumamente.

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