É mais ou menos o ponto onde estou. A revisão de literatura foi razoavelmente tranquila, o estudo de educação ambiental mostrou que há espaço para uma proposta como a minha. Na verdade o que fazemos em educação ambiental hoje me parece uma mostra clara de como passar conhecimento e informação não necessariamente significa mudar atitudes. Outra parte que ficou boa foi a definição de jogos, apoiada pelos estudos que fiz na conferência, de bônus ainda consegui tecer uma boa justificativa para o uso de jogo de tabuleiro, apesar da maior parte da literatura recente sobre jogos louvar potencial de videogames. O que me leva a lembrar que a análise da literatura sobre jogos e educação serviu bem para justificar meu trabalho. Bons autores como Gee, Prensky e cia tem vários elogios ao uso de jogos, mas como Buckingham comenta há poucas definições específicas de como usa-los, Becker ainda adiciona comentando como muitos jogos educacionais são bons na perspectiva dos educadores, mas não na dos jogadores em si.

E assim foi minha revisão de literatura, a porca começou a torcer o rabo quando tentei aplicar um modelo para alinhar o conteúdo a ser ensinado com o jogo em si. As pesquisadoras foram ótimas, mas o grau de complexidade com que elas vêem o ambiente é algo muito difícil de converter para a dentro do jogo estou tentando equilibrar entre o conteúdo necessário e uma simulação simples o suficiente para ser jogavél. O que me faz entender porque jogos educacionais geralmente falham ao cair numa terra de ninguém, o fosso está em acabar criando algo que nem é tão educativo nem tão divertido.

Em termos de teoria o buraco está depois das teorias de aprendizagem, essas descrevem muito bem como  o aprendizado se processa de “N” formas diferentes, e as teorias baseadas no paradigma behaviorista são excelentes para criar modelos para apoiar do desenvolvimento de material educacional, um dos pontos fortes desse paradigma é justamente o seu caratér instrumental. O problema é que esse é o modelo usado  até então para educação ambiental, que falha na hora de pular do conhecimento para a atitude, o sistema instrucional consegue tranferir conhecimento, mas considerar o aprendizado à luz de outras teorias é necessárias para que o estudante contextualize e se torne apto a usar esse conhecimento. Enfim, que ele se torne algo mais que um bom respondedor de prova.

E aí o rabinho do porca deu outra volta.  Os modelos das outras teorias  de aprendizagem simplesmente não me parecem tão prescritivos para suportar meu projeto. Eu estou no meio da terra de ninguém entre a teoria de aprendizagem e o desenho instrucional que preciso. Tenho trabalhado de forma algo intuitiva na criação de regras, mas nem os modelos mentais que estou fazendo no papel estão funcionando. Tentei algo mais estruturado e voltado para conhecimentos no início, mas me arrisco a cair no mesma vala comum de outros jogos. Instigar um papel ativo para estudantes me lembra arte moderna, parece ser bem fácil fazer algo assimétrico e caótico, porém fazer esse algo assimétrico e caótico ficar mais legal pode ser algo bem mais difícil.

Então cá estou eu, procurando artigos que possam me ajudar, como a minha orientadora falou, há momentos em que vou estar simplesmente só. Meus orientadores me levaram a esse nível de questionamento e acredito que estão absolutamente certos em fazer isso, mas agora sou eu que tenho de descobrir esse pulo do gato entre a teoria e a prática.

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