Estou lendo os livros “Beyond Boredom and Anxiety” e “Finding Flow” do inteligente e, para mim impronunciável, Csikszentmihalyi e tem sido uma leitura interessante. Começei a lê-lo porque dizer que jogos são altamente motivadores tornou-se praticamente um lugar-comum entre os autores que defendem o uso de jogos para ensino, mas faltava achar alguém que me descrevesse melhor isso e foi aí que nosso simpático amigo húngaro ajudou. Além de uma ajuda de um amigo brasileiro mesmo, o Cláudio, que me levou a ao nome sujeito, claro.

Bem, nosso amigo começa falando sobre a diferença entre os motivadores externos e os internos. O externos até que são fáceis, a psicologia behaviorista aborda eles há anos e o faz muito bem, são os estímulos positivos (de reforço) e negativos (de punição) que são usados para guiar nosso aprendizado  e medir nosso desempenho. Entre os Motivadores externos temos: prêmios, dinheiro, ações, brinquedos, aclamação no sentido positivo; desemprego, castigo, vergonha e ficar ajoelhado no milho no sentido são estímulos negativos. Como disse um comentarista daqui anos atrás: uma cenoura na frente ou outra cenoura atrás, respectivamente. Esses estímulos são razoavelmente efetivos e o behaviorismo tem uma longa e respeitavel lista de conhecimentos instrumentais fornecidos à educação que são bem conhecidos.

Porém, como mostrou o Pink outro Pink, não o amigo de Cérebro se a tarefa desejada envolve pensamento criativo ou habilidades cognitivas mais complexas, como pensamento crítico, formulação de questões  e convencer aquela fulana que você gosta a… deixa para lá. Nesse caso, o que realmente vai contar é a motivação interna, que é basicamente quando nós damos um significado para o que estamos fazendo, seja estudo ou trabalho.

Csikszentmihalyi vai mais além e descreve essa motivação interna, esse significado como o primeiro passo para o que ele descreve como Flow (fluxo) um estado comumente encontrado em artistas ou qualquer um quando muito concentrado em seu trabalho. É um estado em que o desafio de produzir está em equilíbro com a nossa habilidade de forma que conseguimos aprender a medida que o desafio se torna maior. Nesse estado perdemos a noção de tempo e praticamente a noção de ego de tão absorvidos que estamos e apesar de ser uma sensação desafiadora e produtiva ele a define como algo muito prazeiroso é algo como aquele momento em que nos sentimos realmente vivos. Ela é diferente do simples lazer como televisão porque é um estado altamente ativo. E basicamente um jogo, seja ele educativo ou não, quando bem projetado é aquele que consegue induzir o jogador a uma boa experiência de Flow, a Chen tem um trabalho muito interessante sobre isso.

E como disse antes, isso começa no ponto em que encontramos um significado. Aquela coisa que muitos procuram em religião, ideologia, trabalho, esportes e hobbies, sendo que alguns realmente conseguem encontrar.  Isso vai além do salário, da diversão, da comida e da segurança. Somos seres humanos e não nos basta sobreviver, seja lá o que vier depois sentimos que se há uma chance de ser ou fazer algo é agora. Ter um significado é como estar apaixonado não porque é apenas prazeiroso, muitas vezes dá um trabalhão, mas porque nos dá sentido e pessoas com sentido são capazes de viver ao máximo assim como resistir a provações estupendas, enfim representam o ser humano em seu auge.

E sua ausência explica bem um mundo de diversões vazias, jogos tolos e altas taxas de suicídio entre os mais ricos e essa estranha capacidade de alguns dos mais pobres serem felizes mesmo contra terríveis evidências do contrário.

E porque isso é importante para educação? Porque se as pessoas forem capazes de entender e principalmente desenvolverem razões para aprender basta lhes dar o mínimo necessário e e um pouco de tempo e elas serão surpreendentes.

Ok, soa como auto-ajuda, no entanto se ver o vídeo do Daniel Pink vai observar que se ele baseou em evidências ou mentiu muito e no final também soou assim e nosso amigo húngaro sim, vou chamar ele assim porque sou muito burro e preguiçoso para escrever seu nome direito e começa da mais sólida teoria behaviorista e a desconstrói de forma elegante para também se aproximar da auto-ajuda. Mas mais que auto-ajuda o que todos eles estão mostrando é o problema de nosso sistema de ensino, me refiro à todo o sistema ocidental nisso. E se você achar que isso é alguma conversa de esquerdinhas anti-americanos me pergunto porque Diane Ravitch, ex-secretária-adjunta de Educação dos EUA fala algo parecido sobre um sistema que ela mesmo defendeu por anos. E o sistema educacional deles já é uma preocupação há um tempo.

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