Seguindo as táticas para um estudo divertido podemos notar que já construímos uma base de conhecimento interessante. Como bons homo sapiens sapiens que somos não basta saber, mas ter consciência que sabe.  E certas vezes é possível até se empolgar e desfrutar da consciência de saber o que seus colegas não sabem, isso rolou comigo durante a Conferência.

Nesse momento entende-se porque certos acadêmicos parecem tão pedantes, e alguns são mesmo. Mas muitas vezes eles simplesmente ficam mal acostumados a viver num ambiente em que o nível de conhecimento é razoavelmente nivelado e muito especializado e acabam falando como se todo mundo entendesse, ou se interessasse, de seu assunto.

Nesse momento a função do orientador é deveras importante, para lembrar o estudante dos seus pés de barro e que este ainda vai precisar comer muito feijão antes de tirar onda do assunto. Sim, para variar o Martin me mostrou como a diferença entre profissional(ele) e amador (eu) continua existindo. E o que acho mais legal, ele consegue fazer isso de um modo despretensioso e não-intimidador, assim não só me ensina como também bota o meu ego de volta ao devido lugar.

Portanto, como já deve ter ficado claro, eu tive mais uma reunião com ele hoje sobre a dissertação, estava apresentado o andamento do trabalho, tirando algumas dúvidas sobre o que deveria abordar e cia. Por exemplo, comentei que pretendia abordar aprendizagem em vez de educação porque achava que educação era um termo muito amplo e assim teria mais foco. Ele não apenas concordou como também me lembrou que aprendizagem continuava sendo uma definição muito ampla, ai! E essa foi só a primeira.

Enquanto descrevia minha viagem ao Brasil e as primeiras reuniões com os pesquisadores do projeto para definir o conteúdo do jogo comentei da sessão que fiz com eles e como surgiram idéias interessantes durante e reunião. Também comentei como estava animado após a reunião e que estava louco para começar a fase de pesquisa-ação com os participantes logo. Ele sorriu, me olhou e disse calmamente que então eu já havia começado a pesquisa-ação. Ao notar minha cara de tacho ele simplesmente me repetiu as características de pesquisa-ação que eu já tinha lido com McNiff et al. (2003) que esta envolve um trabalho colaborativo e uma boa prática profissional, focada em aprendizado, afinal todos estávamos aprendendo durante a reuinão, com o intuito de produzir algo conjunto através da nossa prática. Aí entendi porque pesquisa-ação é tão relacionada com aprendizado, porque ela é um aprendizado em si. Em suma, apesar de ter lido muito sobre a tal pesquisa-ação ela aconteceu bem na frente do meu nariz em suas características mais formais naquela reunião e eu sequer percebi. Eu estava tentando conter o aprendizado fatiadinho dentro da teoria que li, quando o Martin e os livros vem me mostrando que o aprendizado em si é algo muito mais orgânico, dinâmico e complexo que as representações que temos podem demonstrar.  Estava pensando como faria quando a fase de pesquisa começasse, quando ela começou sem que eu notasse.

Moral da história: Não só ainda tenho muito o que aprender como estou com sorte de ter um bom orientador

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