Hoje trabalhei como guia durante o dia de visitação da universidade. De acordo com os funcionários foram mais de 11.000 visitantes em toda a faculdade. Para meu conforto fiquei como guia das acomodações, mais especificamente do mesmo alojamento onde moro. Foi uma experiência interessante: mostrar as acomodações que já conheço e explicar a vida que levo por aqui. O trabalho não era difícil mas dezenas de visitantes desciam em cada ônibus, muitos ônibus  indo e vindo durante quase 9 horas de jornadas e provavelmente andei uns bons quilômetros dentro do alojamento pelo qual caminho todos os dias, vi um lugar quotidiano pelos olhos de quem o visita pela primeira vez, ao mesmo tempo que descobria locais que nunca imaginei justo aqui ao meu lado.

É interessante ver a cara de expectativa dos alunos e o olhar questionador dos pais, que me leva a lembrar que há um ano atrás eu partilhava de uma expectativa muito semelhante. Foi tão pouco tempo para tanta coisa ter acontecido, a impressão que tenho é que estou vivendo sob uma linha de tempo diferente, mais acelerada em relação ao tempo normal, ou talvez seja apenas reflexo de uma consciência mais aguçada devido ao fato de não estar no meu ambiente natural.

Ao mesmo tempo em que vi um pedaço do início fui novamente lembrado como meu tempo por aqui é finito e já está próximo do final. Os dias de verão são mais quietos e os primeiros conhecidos começam a retornar para seus países, a cada dia que mergulho mais em minha dissertação, mais vejo o novelo que me uniu a essas pessoas se desenrolar e todos voltarmos a o mesmo fluxo em nossos países. Mas ao mesmo tempo esse fluxo nunca será o mesmo depois da passagem por aqui.

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