Ultimamente ando lendo sobre pesquisa ação para suportar o meu trabalho no curso. Confesso que meus orientadores me surpreenderam quando sugeriram essa modalidade, eu estava crente que iria cair em algo mais quantitativo, afinal meu tema gira em torno do desenvolvimento de jogos educacionais e um jogo alguma modelagem matemática e eventualmente avaliar de forma quantitativa se houve aprendizado. No entanto a medida que fui lendo sobre o assunto encontrei uma série de convergências bem favoráveis ao uso de pesquisa ação no desenvolvimento de jogos e principalmente como ferramenta de pesquisa e prática educacional.

Fullerton (2008) preconiza a importância de uma abordagem centrada no jogador para o desenvolvimento de jogos em si, colocando que eles em alguns momentos os grupos de teste terão mais autoridade para falar sobre o jogo que o próprio designer de jogo. O que é bem próximo com a idéia de pesquisa ação, onde não há divisão entre o pesquisador e pesquisado, são todos participantes. Meu papel como pesquisador provavelmente não vai oferecer mais evidências que outros participantes.

Outra convergência é que jogos são sistemas dinâmicos. Dessa forma, mais que ler regras os jogos têm de ser jogados, sua mecânica deve ser posta em movimento para que estes sejam entendidos. Não há como analisar um jogo sem jogadores, porque o “jogar” surge da interação entre jogadores e o jogo em si, a dinâmica é tão importante quanto a estrutura do sistema em si. Inclusive porque no meu caso a dinâmica que for observada vai guiar as evoluções estruturais do jogo. E segundo Lomax, McNiff e Withehead (2003) a pesquisa ação gira justamente em torno de práticas, de grupos encarando problema e trabalhando para resolvê-los. Os participantes são agentes na solução do problema.

E por fim, nesse desequilibro de encarar um problema os jogadores tem um aprendizado, segundo Bogost (2008) o aprendizado mais básico existente em um jogo é aprender a jogá-lo. O que para mim significa que os jogadores aprendem devido à sua experiência em jogar, bem como os participantes da pesquisa-ação tem aprendizado através da experiência, no caso da prática de resolver um problema. Nesse caso que não se entenda resolver como produto, mas processo.
Portanto ambos, jogos e pesquisa-ação funcionam dentro do paradigma do experiential learning que o Kolb propõe. Claro que abordagens quantitativas não estão eliminadas ou seriam substituídas. Mas ainda assim, agora vejo que faz todo o sentido usar essa tal de pesquisa-ação para o meu trabalho.

Referências: acesse os links porque vai ser mais prático que eu escrevê-las aqui. Esse texto não tem a menor revisão por pares mesmo… 😉

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