poster Phantom of the OperaPassei os últimos dias em Londres onde tive a companhia dos meus pais e do Gustavo, uma amizade de mais de 20 anos. Ter parte da família e dos amigos próximos novamente depois de tantos meses realmente não foi nada mal. Entre as opções londrinas assisti a uma sequência inusitada: “The Phantom of Opera” que vem sendo apresentado há décadas numa noite e sua sequência “Love Never Dies” na noite seguinte.

Comparações são inevitáveis em obras como essas, porém nesse caso comparar é uma tarefa dificíl, mesmo sendo uma continuação. Se a primeira história era de um romantismo arrebatador, aquela história sobre amor, música escolha e renúncia com personagens e trama claramente delineados em sua sequência não segue a mesma linha. Acho que até mesmo definir “Love Never Dies” como uma sequência do “Phantom” pode ser algo complicado.

Pelo que entendi fizeram questão de não usar músicas da peça original, mas a história envolve os mesmos personagens anos depois, onde o cenário do velho mundo foi substituído pelo novo. Porém, o estilo da história tem algo de mais maduro, não necessariamente no sentido mais elogioso do termo. Os heróis já não parecem tão brilhantes e os vilões apresentam lá suas razões, os personagens são mais complexos e num certo sentido mais sombrios também, com algo de adulto e até sórdido, mas real, talvez um quê mais americano que britânico dessa vez. Não que eu esteja esquecendo que o cenário da trama é a Ópera de Paris, me refiro apenas ao musical mesmo. Essa sequência é uma história sobre decisões difíceis e o peso de escolhas antigas, há algo menos romântico e mais adulto.  Se a primeira história fosse um início de namoro a segunda seria o casal brigando para se acertar e pagar as contas do dia-a-dia.

De qualquer modo dá o que pensar sobre a evolução do trabalho de Andrew Lloyd Weber e cia.  Se alguém está esperando o mesmo espírito do Phantom original vai ter uma surpresa. Ainda assim continua sendo um musical poderoso, mas creio que obra-prima mesmo foi o primeiro.

Mas desde que assisti Chicago creio que descobri que tenho um gosto por musicais não-tão-bonzinhos.

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