O bom do ritmo de estudo em que estou perceber os avanços do meu próprio aprendizado. Hoje, por exemplo, tive aulas de novo com o Martin Dyke, que foi o primeiro professor inglês que conheci quanto ainda estava pensando em fazer o curso e também foi meu primeiro professor ao chegar à Inglaterra.  Sim, fiquei muito feliz pelo simples fato de que hoje eu consigo entendê-lo muito melhor do que quanto cheguei. O que significa que meu inglês melhorou e que estou mais confortável com os conceitos que ele usa em suas aulas.

O que temos acima é um exemplo de reflexão em cima do meu próprio aprendizado, que é também uma forma de transformar a experiência que eu tenho aqui. É uma reflexão em cima das experiências que tive na aula de hoje e, espero, sirva como base para criar novos conhecimentos, atitudes, criados a partir dessas experiências.

Por outro lado, a reflexão também significa assumir o que ainda não sei e perceber que o ontem eu tinha construído menos conhecimento que agora. Um exemplo,  o famoso modelo de aprendizado por experiência do Kolb que Martin me mostrou.

 

O modelo parece bem maneiro não? De início eu também achei, o suficiente para usá-lo como referência para meu trabalho da conferência. Mostrando que uma das vantagens de jogos e simulações é justamente um ambiente seguro onde o usuário pode ter um papel ativo, experimentar e uma experiência “quase-concreta” que intensifica seu aprendizado. O outro aspecto elegante do diagrama é que ele mostra como o aprendizado é um processo sem fim. Em que uma fase ela a outra e assim a vai o ser humano andando para a frente, ainda que seja em círculos.

Enfim, usei esse modelo feliz da vida na minha descrição de jogos, crente que estava abafando. Bem, hoje na aula o Martin reapresentou esse modelo e, essencialmente, espancou ele. Não que o modelo esteja errado, mas ele cai num risco que algumas teorias simples e elegantes podem cair, o de perder detalhes importantes.

Por exemplo, o diagrama não reconhece que o aprendizado não segue uma direção única, ele só considera uma. Porém, é possível haver aprendizado a partir da reflexão e esta alterar a experiência. Não é só a experimentação planejada que leva à experiência, mas a própria conceitualização também pode levar a isso. Inclusive, a própria reflexão altera a percepção da experiência. A proposta dele seria algo assim. Para complicar mais um pouco, não esqueça de considerar que a área envolta representa o contexto social e cultural do aluno.

experiential learning diagrama

Enfim, o processo de aprendizado por experiência é mais complexo, multidimensional e bem mais caótico que eu pensei a princípio. Por um lado, creio que não falei besteira no paper, porém fui mais vago do que gostaria. O que por si mesmo já é uma reflexão e uma prova de que estou melhorando.

Como dizia Sócrates “só sei que nada sei” porque a consciência do que não sabemos aumenta reflexivamente à  medida que aprendemos. É algo desconfortável perceber que vivemos sob risco, assumir que a segurança e previsilibilidade são apenas sensações. Mas há algo de belo em ver que o aprendizado humano se faz de forma tão complexa e caótica quanto um floco de neve.

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