Minha aula de hoje foi uma visita ao BETT, do qual simplesmente não consegui descobrir o real significado que provavelmente é algum British Education Technology-whatever. O fato que esta é uma das maiores feiras de tecnologia educacional do mundo e um ótimo espaço para ver material de ponta e avaliar novas tendências acerca da tecnologia aplicada para a educação. O lugar era simplesmente imenso, um parque de exposições do século XIX que continha desde pequenos empreendimentos tentando mostrar sua existência para o mundo como grandes mamutes da área de TI como Adobe e Microsoft. Havia tecnologias bem interessantes, como as lousas interativas que já estão virando caros lugares-comum por aqui e outros como o datashow miniaturizado (algo um pouco maior que um celular) e o interessante datashow com imagens em 3D. Imagino o estrago que isso vai fazer quando juntarem á mundos virtuais e consoles de jogo como o Wii.

Obviamente que os expositores estão lá para fazer negócio. O que significa que muitas palestras estavam mais para a propaganda que discussão de tendências. Mas, como meu professor avisou, é possível encontrar algumas iniciativas muito legais em meio à floresta de panfletos e publicidade. Uma dessas foi uma apresentação da 2Simple na área de playful learning, algo como aprendizado lúdico. A empresa criou um aplicativo para criação de jogos simples, que está sendo experimentalmente utilizado por um professor de nível fundamental. A turma deste professor, composta por alunos entre 8 e 10 anos desenvolve jogos que são jogados e avaliados por outros alunos de turmas anteriores, de 5 ou 6 anos em média. E para fins de demonstração eles deixaram dois dos “designers” trabalhando durante a palestra para mostrar a facilidade do produto. A príncipio não me impressionei muito, afinal o que sairia provavelmente seria uma ferramenta que trabalharia com mecânicas, ou engines, de jogos simples pré-programados, que seriam formatados pelas crianças. Inclusive ganhei um cartão de visitas de um gamedesigner de 8 anos de idade.

A ficha caiu quando o professor que coordena o projeto demonstrou que o foco não é o jogo em si, mas o processo. O verdadeiro objetivo é desenvolver uma mentalidade de projeto nos alunos. No desenvolvimento dos jogos eles exercitam habilidades de definição de metas, análise de necessidades, desenvolvimento de soluções e avaliação de projeto já sabendo que esse é um desenvolvimento circular (o projeto não necessariamente termina, mas melhora). Tudo isso numa modalidade de projeto centrada no usuário, no caso os alunos mais novos que por sua vez aprendiam a avaliar e contribuir com o projeto de jogo proposto pelos estudantes mais velhos. Ver crianças entre 6 e 10 anos exercitando e principalmente pensando os termos essenciais de design foi um momento que me deu vontade de chorar de tão bonito. Fico pensando que Tiranossauro Rex de profissional uma criança como essa pode se tornar no futuro. Eu só fui ter noções decentes de projeto desse tipo na universidade. A essa altura elas já terão uma larga experiência e ainda maior do que muito adulto que conheço que acha que design significa mandar ver no photoshop ou no corel.

O impacto potencial foi uma idéia que achei genial. Pessoalmente admito que pensar como designer é  uma coisa que melhorou muito minha vida, pois facilitou meu processo de tomada de decisões (ainda mais para um crônico indeciso) e acho que os ganhos que a mentalidade de projeto e trabalho em equipe com pessoas diferentes pode fazer para a formação da personalidade de alguém é imenso. Tanto para o profissional como para os adultos que estas crianças irão se tornar.

Achei muito legal ver tecnologia e as relações que desenvolvemos com essa tecnologia sendo usadas de uma forma criativa para cumprir a função essencial da educação, a formação de indivíduo, de uma forma criativa e inusitada. Só essa palestra em si já me valeu todo o evento.

Outro ponto interessante foi encontrar um stand brazuca no evento, da APEX. Por um lado o aparelho de alfabetização da Positivo Informática havia sido monopolizado por sua apresentadora que deu as costas para o público e usou o brinquedo para passar o tempo, espero que ao menos tenha melhorado a alfabetização dela.

Por outro vi o trabalho de uma empresa de informática de Pernambuco que desenvolveu um software para o ensino de física, com demonstrações interativas de mecânica e elétricacom uma ótima interface (caso raro em softwares educacionais) que me pareceu deveras promissora. As aplicações que eles estão aventando vão render tantos usos quando a criatividade deles for capaz, o que significa uma infinidade.

Enfim, ainda tenho alguns quilos de folder para ler, mais alguns links devidos a colocar por aqui, e após as pernas doendo de tanto andar posso dizer que o evento valeu a pena. Sempre dá para garimpar alguma coisa interessante nesses lugares.

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