Depois de muito enrolar resolvi ir à Londres, os estudos deram uma trégua e eu estava muito curioso com a cidade. Queria apenas ver, me sentir perdido e andar sem explicação ou plano.

E ao botar os pés no saguão da estação Waterloo tudo isso valeu a pena e isso porque eu já estava subindo pelas paredes do trem ao ver as janelas. Fiquei uns 10 minutos simplesmente cruzando a estação e vendo os pedaços de catedrais, arranha-céus e London Eye contra um momento de sol entre ás nuvens. Desci para o metrô e perdi mais uns vinte minutos lá dentro, mesmo com os mapas e as minhas anotações eu simplesmente me perdi naquele formigueiro de gente e túneis. Digo me perdi porque eu queria era continuar vendo as coisas lá em cima.  Após me recuperar da sobrecarga de informação entre tantas linhas, consegui me localizar e fui para Piccadily Circus. Simplesmente passei horas andando por lá, intencionalmente perdido. A cada cruzamento a curiosidade me levava para outra rua, um detalhe, um prédio ou uma placa. Eu estava meio enlouquecido, adorando e ia acabar enlouquecendo o pobre são que estivesse comigo.  Trafalgar Square, aquela mistura de pompa e ativismo contra o aquecimento global, imenso e cheio de detalhes os teatros, as estátuas… a impressão que se tem é que a qualquer momento um dragão vai atravessar a esquina e cavaleiros e magos esperam na fila do MacDonald´s. Simplesmente não há como abrir os olhos o suficiente para ver tudo. Vi a multidão na porta de um cinema, para o que suponho fosse a premiere do Holmes, com Robert Downey Jr. rua lotada e uma multidão formada por dezenas de nacionalidades diferentes. É como uma esquina do mundo, onde se cruzam ruas e pessoas de todos os países, elas pessoas não se preocupam em ser iguais, tampouco em ser diferentes.

Apesar de ter um passe de um dia para o metrô e estação por todo o lado eu queria ir a pé, foda-se se estava zero grau lá fora. Tinha a sensação que até ser atropelado em Londres valeria a pena. Lembrei do que me falavam da cidade e agora tudo fazia sentido, ter uma cidade dessas como seu cotidiano deve ser uma experiência memorável. Acho que agora entendo a diferença entre uma grande cidade e a capital de um império.

Além deste dia de barata tonta fui para o Imperial War Museum, que também tem e merece o título “imperial”. Vi alguns dos tanques mais importantes da história lado a lado. Além de um belíssimo P-51 Mustang, também havia um Spitfire, mas a versão que vi em Southampton estava em melhor estado (ele nasceu por aqui). Para quem gosta desses brinquedos o salão principal do museu dá vontade de cair de joelhos. Por mais fotos que tivesse visto, certas coisas tem de ser vistas pessoalmente para percebermos o que são. Se um dia ganhar na Sena quero fazer um museu desses por aqui, seja lá qual for o tema, os caras realmente sabem como manter essas coisas sustentáveis e torná-las educativas e interessantes.

Saí de Londres umas 21h, no total foram mais de 10 horas andando ou em pé, com duas paradas rápidas para comer algo e esquentar um pouco. Deu até trabalho para tirar as botas, mas foi um daqueles dias que deixam sua vida diferente.

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