Para quem vive num país onde o exército já invadiu universidades e caçou estudantes confesso que me vejo supreso com a quantidade de oficiais que tem fazendo pós por aqui. Além de quatro tenentes do exército na minha turma hoje assisti uma conferência da Pós em educação e, para variar, entre os palestrantes vários militares.

Um deles está fazendo um estudo sobre aprendizagem cultural (acho que dá para traduzir assim). Pelo que entendi a idéia dele é dotar o corpo militar de alguns níveis de conhecimento cultural, algo além de manuais “faça isso” ou “nunca faça aquilo”. Os soldados teriam um nível básico para lidar com diferenças culturais em situações previstas, algo como uma introdução a antropologia. Inclusive ele comentou sobre a experiência que os americanos estão fazendo com antropólogos junto ás tropas no iraque e afeganistão. Oficiais que tenham de lidar com população estrangeira teriam um nível mais alto e no final oficiais de estado maior com condições de entender e aconselhar acerca de outra cultura em níveis tático e estratégico. Para uma força que de vez em quando se enfia nos confins do mundo achei um estudo bem pertinente, bate com aquele velho ditado do Sun Tzu sobre conhecer seu inimigo (ou certos aliados).

Outro muito legal foi de uma Capitã que começou descrevendo uma emboscada com IED´s no afeganistão para mostrar a importância do “pensar fora da caixa” e como os insurgentes estão se tornando criativos em suas emboscadas.  E, portanto,  como seria interessante se os treinamentos incentivassem mais o pensamento independente e como o exército pode incorporar níveis de pensamento mais complexos ao treinamento de soldados.

Outro estava estudando Vygotsky e a aplicação de aprendizagem colaborativa para treinamentos. Perguntei para esse como ele via a aceitação de uma modalidade de treinamento tão horizontalizada em organizações hierarquizadas, e consequentemente, verticais como instituições militares. Ele falou que realmente não existe um caminho rápido, afinal cultura organizacional não pode ser ignorada, sugerindo uma implantação gradual ou atráves de experiências pontuais, para validar as aplicações.

O último foi sobre uma tecnologia de votação wireless que poderia ser utilizada em salas grandes para votações ou resposta de perguntas. A idéia seria oferecer um feedback para o professor durante a aula e oferecendo um certo grau de anonimato para o aluno. O professor pode saber quem é o aluno, mas a turma não.

Não sei como anda o relacionamento do MD brasileiro com as universidades já ouvi comentários em áreas como engenharia e etc. Talvez eu esteja sendo até bem óbvio, mas achei bem interessante ver o grau de investimento que o MoD britânico dá ao estudo e pesquisa em educação e treinamento.

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