Estou fazendo por aqui algo que nunca imaginei que faria. Para conseguir que as pessoas entendam meu nome tenho pronunciado ele com sotaque inglês. Soa engraçado e até um tanto ridículo mas descobri que é uma solução eficiente para que as pessoas consigam lembrar do meu nome e pronúncia-lo de uma forma que eu seja capaz de entender que estão falando comigo.

Lembro do meu primeiro dia de aula quando eu e uma taiwanesa fomos apresentados. Ao falar “Renato” ela me olhou como se ouvisse um termo absolutamente alienígena e impronúnciavel. O que, considerada a lógica de pronúcia dela, não deixa de ser verdade. Ela olhou, repetiu insegura “Anatu?” e escreveu num inglês completamente errado, me mostrando para confirmar se era isso mesmo, e vi que era melhor jogar para meu nome para um campo mais comum entre nós, o inglês. Ao pronunciar meu nome com a elegância de um turista gringo no Rio de Janeiro os olhos da menina se iluminaram ela repetiu a versão com sotaque direitinho e conseguiu gravar o meu nome.

A minha surpresa foi quando ela se apresentou como “Lily” e pela minha cara de surpreso com um nome tão americano me explicou que esse era o seu nome ocidental. É comum chineses e taiwaneses adotarem nomes ocidentais para serem entendidos quando estão desse lado do mundo. Ela disse que dá muito trabalho explicar a pronúncia correta e quase ninguém acerta, então eles escolhem nomes mais lembráveis por nós. O resultado é que colegas de sala que atendem por “Annie”, “Lilie”, “Cloris” ou “Beatrice” só tem esse nome fora de casa ou da rodinha de conterrâneos. É interessante como a cultura que normalmente nos apóia torna-nos estranhos aos olhos do outro, recíproca verdadeira.

Nada tão surpreendente numa geração que consagra apelidos de internet em vez de nomes verdadeiros. De fato, qual será o nome mais verdadeiro, o dado pelos pais ou o escolhido pelo indivíduo?

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